"acordei" poems
Eu acordo e coloco as mãos na cabeça.
É desesperador o fato de não conseguir entender porque acordei,
Ou porquê não acordei do seu lado.
Mas acredito que as coisas não podem ser tão certas.
Se coisas assim fossem simples não daria certo.
Por enquanto, me afogo em pensamentos,
de coisas que eu deveria ter dito.
Se não fosse por você, não teria nem dormido.
Aug 25, 2012
Aug 25, 2012 at 8:56 AM UTC
Sentado e descalço, sobe um banco de madeira preta,
Pintei o quarto de verde vivo, igual ao vaso do quintal,
Contrastando com a cor amarela da flor que parara de crescer!
Queria ver aquela flor mais verde que o vaso que acabara de pintar.
Apressado como de costume e porque admito é feitio meu,
Pegava desajeitado e pouco reflectido com vontade de florir,
O amarelo perdido daquela planta que me havia já esquecido,
Não era tinta vazia, que ela queria, mas carinho de minhas mãos,
Peguei nela caída, encostei-a a mim e disse-lhe que gostava dela,
Suspirou-me ao ouvido e perguntou-me porque não a levava comigo,
Encostei-a a mim trouce-a cuidadosamente ao colo para dentro de casa,
Dei-lhe um copo de água e aconcheguei-lhe a terra do caule,
O adubo que ela recebia de mim, em carinhos fizeram-na adormecer!
Sentei-me no banco quase seco de tinta verde e pintei as calças,
Adormecendo como que um pai olhando seu filho dormir!
Sonhei pela noite fora e quando acordei, aquela flor amarela,
Que eu havia trazido comigo, sorriu-me nos olhos estremunhados,
Acordei feliz e cheio de alegria porque em seu olhar a flor vivia.
Por vezes a vida descabida de pressa por coisas vazias,
É tão bonita quando na calma do tempo um carinho te dá alento.
E eu voltei a pintar todo dia e em cada dia que passava a flor crescia,
O amarelo que lhe percorria o ser mudava de cor para a cor de esperança.
A cada dia, eu dormia mais feliz, porque sentia seu cheiro chegar a mim.
Essa flor um dia pegou-me nos olhos e pediu-me de novo carinho,
E eu olhei-a, da maneira que sempre quis cheirá-la e encostei-a a mim,
Enquanto dormia!
Autor: António Benigno
Dedico à minha vida que nem para nem anda!
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 4:58 AM UTC
Hoje enquanto dormia, sonhei que num jardim vivia,
Ouvia os pássaros, cantar lindas canções, com ternura,
Sentia-se a água da chuva correr sem sua armadura,
As flores eram verdes, como os sonhos, de pura lixivia!
Lavaram-se as vestes, lavaram-se as mãos, enquanto sonhava
Quando acordei pela manha do costume cheia de sonhos,
Percebi que se tinha tornado uma rotina ser feliz e eu amava,
Amava incansavelmente seus olhos, via o coração aos quadradinhos!
Quadros pintados nas paredes de casa cheio de nossas recordações,
Hoje, era senão mais um dia, onde pintava na tela nossas emoções,
Aquilo que começou num passeio descalço junto da lagoa vazia,
Formava agora na parede de casa retractos de uma família que crescia!
Peguei depois na espátula da minha vida, peguei-a de nova na mão,
Olhei-a nos olhos, senti-lhe as formas e apertei-a ali junto ao coração,
Em tempos atrás deixei-te fugir, deixei-te viver e crescer longe de mim,
Mas hoje, e agora, para sempre, te quero ter aqui, até aquilo que é o fim!
Quando à noite me for deitar, só quero acordar para te olhar o rosto,
Porque os sonhos, por mais belos e lindos, mesmo de nos encantar,
Não se comparam sequer a tudo aquilo que tu na vida me fazes amar!
Autor: António Benigno
Código de autor: 2013.08.29.02.17
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 4:53 AM UTC
Acordei e não havia luar
Acordei com o sorriso da manhã,
Viajei nas recordações sem perceber,
Dormi na noite fria e vã,
Vivo na inconstância do prazer…
Acordei com o pensamento maltratado,
Viajei no tempo passado,
Dormi com o nosso Deus crucificado,
Rosnar de gato cansado.
Acordei com as vides cheias de geada,
Vi uma sereia humanizada,
Dormi na profundeza do mar,
Acordei e não havia luar.
Victor Marques
Aug 20, 2013
Aug 20, 2013 at 11:16 AM UTC
Eu seria sínico se dissesse que estava tudo bem!
Pois é nada esta bem, eu não estou bem,
E dificilmente poderia nesta altura dizer o contrário.
Mas é isto, a loucura do incrivelmente desolado.
Desolado mas não acabado!
E o que agora é assim eu sei que posso mudar!
Hora ai está! Vou respirar fundo e UPS …
Acordei, afinal estou num sonho concreto,
Deixei esse medonho pesadelo muito profundo,
Tão fundo que já nem o vejo, já nem sou capaz,
De juntar dinheiro, pegar no carro, enche-lo de gasóleo,
E perder este meu tempo precioso, par ir visitá-lo!
Ganhei! Ganhei uma vida nova, sem compromissos válidos!
Enfim! Eu sou livre! Mas eu sou quem ganha com isso,
Afinal eu posso fazer o que eu quiser!
Ihihih…. Eu deixei de ter que agradar seja a quem for.
Ótima ideia esta. Vida eu estou aqui!
Autor: António Benigno
Código de autor: 2012.02.12.01.02
Aug 30, 2013
Aug 30, 2013 at 1:56 PM UTC
Hoje acordei e encontrei na rua frutos da vida,
Penduradas numa mente distante, doces vivencias,
Sim alguém falava comigo com mente sofrida,
Como eu, como tu, todos temos diferencias.
Simplesmente é complicado simplificar o fácil,
Essa é a minha dor, era a sua dor, é a dor do mundo
Não é fácil entender Deus no sentimento profundo,
Quer que amamos a família sendo comunidade volátil.
Aí a mente divaga, fumega e se acomoda na facilidade,
Facilidade, que na real não é fácil e complica o nosso dia,
Enfim que adianta dizer a alguém que por ele se morria,
Se tendo ele sede, lha saciar se torna grande dificuldade!
Então eu penso que porquê prometer se não quero fazer,
Porquê não fazer, se ajudar me daria tanto orgulho e prazer,
Serão acomodação a algo que não sabemos explicar ou dizer,
Será o corpo que segura e rompe com a mente para te ver morrer!
Autor: António Benigno
Código de Autor: 201608051243.08.01
Aug 5, 2016
Aug 5, 2016 at 7:57 AM UTC
Quem sou eu?
Acordei hoje pensando,
No meio da noite.
Você batia na minha porta,
Furiosamente.
Jurava amor, como no ano passado.
Eu não abri,
Fiquei assistindo seu desespero tardio,
E depois me deitei.
E acordei pensando,
Mas que diabos,
sou eu?!
Jan 1, 2014
Jan 1, 2014 at 8:54 AM UTC
Eu não sei, mas eu sinto que meus pés encontraram um rumo,
E esse é meu sinal de partida,
Mesmo eu não indo tão longe,
Eu vou acabar te deixando pra trás,
Mas eu não sei, se mesmo assim,
Tudo vai continuar,
E eu fiz tanta loucura, pra estar com você,
Sem saber, que iria te deixar sem mágoa,
Eu fiz tudo que podia ter feito,
E acordei preparando minha mala,
E acordei deixando me levar,
Pelo vento, e pela água do mar.
Sep 18, 2013
Sep 18, 2013 at 4:41 AM UTC
ACORDEI A PENSAR NAS BORBOLETAS
Acordei com o cantar de avezinhas afinadas,
Olhei para o tempo sem pedir nada,
O riacho leva agua abençoada,
Acordei, esqueci mágoas…
Junto a roseira vi uma borboleta,
Seu tamanho era tao pequeno,
Se saciava num cardo mariano.
Olhei para o meu limoeiro florido,
Lagarto esverdeado meio esquecido.
Caminho entre vinhas formosas,
Suas folhas esverdeadas,
Joaninhas atarefadas,
Pedras graníticas e xistosas…
Olho para o céu azulinho,
No meio da videira esta um ninho,
Bem no alto do mais nobre pinheiro,
Esvoaça um milhafre sorrateiro.
Me espanto e tudo me apaixona neste vale encantado,
Deus e o mundo seja Louvado…
Victor Marques
Jun 25, 2018
Jun 25, 2018 at 8:20 AM UTC
Quando me levanto de madrugada,
Sem roteiro para minha alma,
A noite me invadiu com calma,
Eu acordei sempre nu ,
Ouvindo um eu que parece tu,
Sentindo o cheiro da orvalhada.
Quando não me levanto ,
Me perco com outro encanto,
Sublime, puro e singular,
Passarada a chilrear,
Grilos e rãs a festejar,
O mundo não quer parar.
Quando me levanto com sono,
Para o mundo com amor e abandono,
Natureza que despertas também,
Sol ou chuva que nos quer bem,
Zumbidos de tudo que quer viver,
Acordar e bendizer o amanhecer.
Quando me levanto sem querer,
Amando tudo que é ser,
Rejubilo com este ciclo conhecido,
Vivendo sem ter vivido,
Me reconcilio com o universo repetidamente,
Deixando de ser eu pedaço de gente.
Victor Marques
Jun 9, 2022
Jun 9, 2022 at 2:00 PM UTC
Acordei e me olhei no espelho,
E pela primeira vez,
Me senti bem ao ver meus olhos inchados.
Chorei sim, e muito.
Lágrimas de libertação.
Nada de amor.
Tudo de solidão.
Enfim, como sempre foi.
E é uma pena que eu tenha me acostumado a isso.
Sep 7, 2012
Sep 7, 2012 at 11:39 AM UTC
hoje eu acordei achando que as rosas da minha vida iam se entupir de água da chuva. e até que sim, mas quis dizer o que mesmo?
contente demais pra mascarar meu sentimento na busca de palavras precisas ou convidativas.
hoje eu to eu, só que com mais alguém.
o outro eu que fumou da natureza e tá em sintonia com alguma coisa.
mas é estranho que sinto as vezes uma relutância em querer voltar pro zero e nada. ou é alguma outra coisa nova que preciso passar na vida.
tudo que eu sei, eu fico com pé atrás. as vezes o negócio é mais no fundo. muito além do que eu possa imaginar.
queria só saber escrever as coisas mais lindas pra daí eu ficar contente.
olha só, me perdi totalmente do porque vim escrever aqui. só queria dizer que vale a pena registrar: hoje eu fui muito produtiva. muito além do que nos últimos dias. mas fluiu sem doer e me senti super bem. e acho que é isso.
Oct 26, 2017
Oct 26, 2017 at 11:44 PM UTC
hoje acordei no orvalho frio da minha existência.
perscrutei-te e não te senti em mim.
será que me abandonaste?
há muito que me questiono se algum dia percebeste o significado do que as minhas lágrimas não conseguem libertar.
sinto-me só.
espero que estas efémeras palavras, te tragam de novo à razão da nossa existência.
o teu eu!
Aug 17, 2015
Aug 17, 2015 at 6:49 AM UTC
lembro que um dia acordei e de repente gostava de coisa antiga
e eu:
usava os anéis da minha mãe que eram da minha avó
gostava mais de usar batom com cheiro de velho
tinha apreço por histórias passadas de amor recatado
adorava o fusca do vô.
e passou um tempo, me esqueci desse meu gosto indo de cabeça na juventude adolescente incorporando meu olhar a moda daquele tempo.
até que o tempo passou e mais uma vez me apaixonei pela velhice; usava vestidos floridos e bem cortados, assistia filmes antigos e suspirava viver numa época em que vanguardas nasciam e a arte, política e comportamentos revolucionários construiam caminhos que hoje apenas nos inspiramos.
por um tempo quis fingir que o digital não existia pintando em telas, escrevendo em papéis, datilografando e fotografando em rolo; tudo pra construir uma cegueira sobre as atualizações constantes ao redor.
é engraçado ver o tempo passar e imaginar minhas tentativas de cópia do passado que nunca vivi e tanto desejei. esquecendo que o agora é onde devo estar e que aquele tal passado fabuloso era difícil e mais solitário, árduo e penoso.
o ontem já é passado e uma hora atrás também, é só olhar no relógio do celular.
Jul 30, 2019
Jul 30, 2019 at 7:54 PM UTC
Deixo de herança todos os pensamentos
Perdidos ao luar,
Escritos na página invisível da vida,
Impossíveis de partilhar.
Deixo de herança todas as garrafas,
Que esvaziei e pousei à beira-mar,
Com uma carta escondida lá dentro,
Incógnita ainda por entregar.
Deixo de herança todo o fumo,
Que compulsivamente inalei
Para tentar matar a doença
Da qual nunca me curei.
Deixo as pegadas na areia,
Que rapidamente se apagaram.
Marcas da efémera passagem dos seres
Que por mim passaram.
Deixo de herança o sol de inverno,
Tão apreciado por toda a gente.
Desejo que aqueça as almas frias,
Que não deixe ninguém indiferente.
Deixo de herança o incenso
Que nunca acendi.
Espalhado pela brisa,
Como qualquer cheiro que senti.
Deixo de herança toda a música
E cada marca que deixou.
Atenciosa companheira,
Que tantas vezes me salvou.
Deixo de herança o rio,
No seu mesmo exato lugar.
Lembrança eterna que existe um sítio seguro
Para onde o desespero nos pode levar.
Deixo de herança a pedra afiada,
Que me esculpiram no lugar do coração.
Memória da crueldade no olhar
De quem a infância me roubou.
Deixo ligadas as luzes da aldeia,
Que me abrigaram no solitário berço.
Agarro o impulso que me levou à procura
De tudo o que ainda desconheço.
Deixo de herança em papel amarrotado,
Algum sangue que derramei.
Lágrimas, cicatrizes e o fardo,
De ser tão brutalmente consciente
De tudo aquilo que sei.
Deixo de herança o meu amor,
Sorrisos, abraços e essências,
Partilhadas no pôr-do-sol.
E que nesta viagem de turbulências,
Repares na simplicidade do sentimento
Que achaste saber de cor.
Deixo de herança uma moeda,
Ao pedinte que conheci
E que nunca a chegou a gastar.
Esqueceu-se que para a salvação da vida
Não há dinheiro, nem há fornecedor
Onde ele a possa ir comprar.
Deixo de herança o pássaro branco,
Que ainda não se atreveu a pousar.
Canta mais alto a cada Primavera,
Só para me relembrar,
Que as raízes são uma ilusão
Criadas por quem não as consegue descolar.
Deixo de herança duas mãos quentes,
No peito frágil de uma criança,
Que nasceu órfão de mãe
E cresceu sem esperança.
“Nas noites escuras que te abraçam.
Nos dias cinzentos a que te entregas
Que sintas neste aperto a mensagem
De toda a força que carregas.”
Deixo de herança este poema,
Escrito num sonho que se entranha
E do qual nunca acordei.
Vem…
Traz o mapa que queimei.
E encontra-me para lá da montanha
Onde também eu me encontrei.
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:09 PM UTC