Hello Poetry
Submit your work and get some sparkles! Create free account
Cantas ainda, ó lira necrológica, No anfiteatro azul da podridão; E em cada nota — lúcida agonia — Sinto a ossatura do meu coração! Teu som — matéria absconsa e teológica — Rasga o véu turvo da desilusão, E o éter vibra em música simbiótica Com as ruínas do meu próprio ser em vão! És o soluço atávico do plasma, Que em luz se verte e em dor se faz fantasma, Pregando o verbo à carne corrompida... E quando o Nada os teus arpejos bebe, Surge em teu som — grandíloquo e mais febe — O clarim místico da própria Vida!
0
Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:25 AM UTC
Sinfonia do Abismo
Cantas ainda, ó lira necrológica, No anfiteatro azul da podridão; E em cada nota — lúcida agonia — Sinto a ossatura do meu coração! Teu som — matéria absconsa e teológica — Rasga o véu turvo da desilusão, E o éter vibra em música simbiótica Com as ruínas do meu próprio ser em vão! És o soluço atávico do plasma, Que em luz se verte e em dor se faz fantasma, Pregando o verbo à carne corrompida... E quando o Nada os teus arpejos bebe, Surge em teu som — grandíloquo e mais febe — O clarim místico da própria Vida!
Othon
Written by
M/Southern Brazil
Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:25 AM UTC
Request permission to use this poem