Desci ao templo em ânsia corrompida,
Onde o Mistério, em púrpura e incenso,
Ergueu-se em véus de um rito tão imenso
Que a própria dor se fez a minha vida.
No altar febril da carne destruída,
Bebi do cálice um prazer intenso;
E vi, do abismo ao firmamento tenso,
A alma subir — vencida e redimida.
Na taça d’ouro, em lágrimas banhado,
Sorvi o Deus do sonho profanado,
Num êxtase de luz e treva vil.
E entre perfumes, chamas e agonia,
Senti que o Céu morria em poesia,
E o Inferno orava em esplendor sutil.
Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:11 AM UTC
Desci ao templo em ânsia corrompida,
Onde o Mistério, em púrpura e incenso,
Ergueu-se em véus de um rito tão imenso
Que a própria dor se fez a minha vida.
No altar febril da carne destruída,
Bebi do cálice um prazer intenso;
E vi, do abismo ao firmamento tenso,
A alma subir — vencida e redimida.
Na taça d’ouro, em lágrimas banhado,
Sorvi o Deus do sonho profanado,
Num êxtase de luz e treva vil.
E entre perfumes, chamas e agonia,
Senti que o Céu morria em poesia,
E o Inferno orava em esplendor sutil.
