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Ri, coração — com lábios de demência, Com a febre antiga do que já morreu, Ri do silêncio, do que não se deu, Ri com a náusea sagrada da existência. És trôpego bufão da consciência, A flor sombria que ninguém colheu, O som que ecoa do que não nasceu, A cicatriz da própria irrelevância. Bendito o riso que, entre os escombros, Faz da ruína seu clarim de assombros, E dança à beira do abismo mais frio. Pois no teatro absurdo deste engano, Só resta rir, como um defunto insano, Com a boca cheia de um último vazio!
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Jul 12, 2025
Jul 12, 2025 at 3:14 AM UTC
O Último Riso
Ri, coração — com lábios de demência, Com a febre antiga do que já morreu, Ri do silêncio, do que não se deu, Ri com a náusea sagrada da existência. És trôpego bufão da consciência, A flor sombria que ninguém colheu, O som que ecoa do que não nasceu, A cicatriz da própria irrelevância. Bendito o riso que, entre os escombros, Faz da ruína seu clarim de assombros, E dança à beira do abismo mais frio. Pois no teatro absurdo deste engano, Só resta rir, como um defunto insano, Com a boca cheia de um último vazio!
Othon
Written by
M/Southern Brazil
Jul 12, 2025
Jul 12, 2025 at 3:14 AM UTC
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