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Hoje, presente, acontece em milésimos de segundo, incompletude eterna, tempo que é, se esvai em milésimos, é sendo, não é. A Terra gira sua face, ocultando-se do sul, flertando com a lua. Tonteia a percepção do passar do tempo, que não passa de milésimos. Gira. Pião de água, terra e lava, carregando gente como carrapato, de ponta-cabeça no espaço. Percebo apenas o sol: interruptor ligado. À noite, desligado. O tempo se vai. Não sei como. Mas empurra. Outro dia. Outra boa-noite. O presente gera passado e nunca alcança o futuro, será que este existe? Se tudo são instantes de presente, passado e futuro são reais ou convenção? Nuvens, cinzas, prenúncia, navegam no céu como um ser aquático, de milésimo em milésimo, em centímetro a centímetro, milésimos, esse é meu real. Nuvem navegante, viaja no tempo? Ou o desafia? De onde se formaste, a distância navegada para trás ficou e para onde vai, milésimo de milésimo aqui ainda não chegou, meu futuro és se esvaindo em milésimo de milésimo e indo, o agora, milésimos de milésimos continuo vê-la, a nuvem que passou, meu passado é futura chuva ao mesmo tempo tempo de milésimo. O presente é real? Ou acordo coletivo? As estações persistem nesses milésimos. Estacionadas. Não importa o que dizem do tempo. Constato cinza permanente. Frio. Vento. O ar se move, varrendo folhas, verificando o pulso nos braços das árvores. Livre, carrega o gélido fúnebre da morte da luz. O sol zangou-se daqui? Entregou-se ao hemisfério que quis? Ou foi o pião que birra, se inclina e finge não precisar de calor? Chove todo dia. Sem parar. Ou parando o tempo. Chove em passar. Pinga no telhado. Que pinga na minha cabeça. Escorre no corpo com a frieza de uma lâmina. Pingos na paisagem. Respinga em tudo. Úmido. Chuva como lágrimas da nuvem. Choro como olhos de nuvem. Escorre. Pinga. Molhada dor. Sentimento navegando no inverno da alma.
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May 22
May 22, 2026 at 10:04 PM UTC
Integros Milesimos.
Hoje, presente, acontece em milésimos de segundo, incompletude eterna, tempo que é, se esvai em milésimos, é sendo, não é. A Terra gira sua face, ocultando-se do sul, flertando com a lua. Tonteia a percepção do passar do tempo, que não passa de milésimos. Gira. Pião de água, terra e lava, carregando gente como carrapato, de ponta-cabeça no espaço. Percebo apenas o sol: interruptor ligado. À noite, desligado. O tempo se vai. Não sei como. Mas empurra. Outro dia. Outra boa-noite. O presente gera passado e nunca alcança o futuro, será que este existe? Se tudo são instantes de presente, passado e futuro são reais ou convenção? Nuvens, cinzas, prenúncia, navegam no céu como um ser aquático, de milésimo em milésimo, em centímetro a centímetro, milésimos, esse é meu real. Nuvem navegante, viaja no tempo? Ou o desafia? De onde se formaste, a distância navegada para trás ficou e para onde vai, milésimo de milésimo aqui ainda não chegou, meu futuro és se esvaindo em milésimo de milésimo e indo, o agora, milésimos de milésimos continuo vê-la, a nuvem que passou, meu passado é futura chuva ao mesmo tempo tempo de milésimo. O presente é real? Ou acordo coletivo? As estações persistem nesses milésimos. Estacionadas. Não importa o que dizem do tempo. Constato cinza permanente. Frio. Vento. O ar se move, varrendo folhas, verificando o pulso nos braços das árvores. Livre, carrega o gélido fúnebre da morte da luz. O sol zangou-se daqui? Entregou-se ao hemisfério que quis? Ou foi o pião que birra, se inclina e finge não precisar de calor? Chove todo dia. Sem parar. Ou parando o tempo. Chove em passar. Pinga no telhado. Que pinga na minha cabeça. Escorre no corpo com a frieza de uma lâmina. Pingos na paisagem. Respinga em tudo. Úmido. Chuva como lágrimas da nuvem. Choro como olhos de nuvem. Escorre. Pinga. Molhada dor. Sentimento navegando no inverno da alma.
GilliSincha
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May 22
May 22, 2026 at 10:04 PM UTC
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