O Evangelho da Videira
No início, era o galho seco,
Um rastro de inverno na terra,
Mas a promessa da vida,
Na seiva, em silêncio, se encerra.
Acorda a videira, adormecida,
E com lágrimas de luz, ressurge,
Erguendo-se para o sol,
Num hino que o céu acolhe.
E eis que o bago, orbe pequeno,
No ventre do cacho se forma,
Um mistério que o sol abraça,
E a terra, com amor, transforma.
Ali, no ventre verde do bago,
Uma alquimia divina se dá,
O invisível torna-se carne,
A promessa do vinho se faz.
Não é apenas uva, é o Verbo,
Que em cada bago se traduz,
Um convite ao cálice sagrado,
Um caminho de festa e luz.
Cada bago, orbe de mistério,
No ventre do cacho em flor,
É a hóstia pela terra sagrada,
Um segredo que o sol confessa.
E quando a videira se consagra,
Nesta festa de vida e cor,
Sussurra ao vento, com alegria,
O segredo do Criador.
Victor Marques
Douro
Portugal
May 9
May 9, 2026 at 1:47 AM UTC
O Evangelho da Videira
No início, era o galho seco,
Um rastro de inverno na terra,
Mas a promessa da vida,
Na seiva, em silêncio, se encerra.
Acorda a videira, adormecida,
E com lágrimas de luz, ressurge,
Erguendo-se para o sol,
Num hino que o céu acolhe.
E eis que o bago, orbe pequeno,
No ventre do cacho se forma,
Um mistério que o sol abraça,
E a terra, com amor, transforma.
Ali, no ventre verde do bago,
Uma alquimia divina se dá,
O invisível torna-se carne,
A promessa do vinho se faz.
Não é apenas uva, é o Verbo,
Que em cada bago se traduz,
Um convite ao cálice sagrado,
Um caminho de festa e luz.
Cada bago, orbe de mistério,
No ventre do cacho em flor,
É a hóstia pela terra sagrada,
Um segredo que o sol confessa.
E quando a videira se consagra,
Nesta festa de vida e cor,
Sussurra ao vento, com alegria,
O segredo do Criador.
Victor Marques
Douro
Portugal
