"rumina" poems
palavra à noite cantada
co'a manhã se desfaz
em palavra granulada:
matinal achocolatado.
Já não sente a poesia
tal qual ressoara clara
na madrugada alta
- Et pourtant, fala!
Será a escrita fogo fátuo?
marca gravada em gado,
ou cardo na sua pata?
(O poeta-boi rumina
mas não é vaca sagrada).
Estrela cadente, cabala:
meros fogos de artifício
ruidosos melros da fala:
na calma manhã se calam.
Sep 27, 2015
Sep 27, 2015 at 5:08 AM UTC
O POETA RUMINA
boi no pasto coletivo
palavras alimentando
ideias
e a revelação -
seu sal diario
às sete, às nove -
oração das horas abertas:
- sonha acordado
sua lira tangendo
só e pensativo vai pela estrada:
boi amordaçado -
pelos demais se imola
o poeta - boi
rumina
mas não é
vaca sagrada.
****
Adalberto Queiroz,"Frágil Armação"(1985).
Jun 20, 2015
Jun 20, 2015 at 7:55 AM UTC