"preto" poems
Geografia I
Quando a Vila Jaiara era do mundo
O centro vital; se mais longe houvesse,
Lá chegara, aos saltos, de susto tomado
Em mim mesmo; silente rezava o missal.
Corria pelos campos – a savana, cerrado.
O medo do sistema heliocêntrico
Ainda não perdera: o medo de ser
Só. Eu vivia com meus irmãos e irmãs –
Éramos uma centena de bichinhos
Em torno de nossa mãe adotada,
A quem chamávamos de Senhora.
E em torno dela, tudo girava, girava...
Os grandes mandavam-nos, sorrateiros,
Andar pelo cerrado em busca de tudo:
Gabirobas, cajuzinhos, goiabas ...
Na Vila Jaiara havia tanta coisa mais.
A casa de Helena; de deuses onde doces.
Que à caminhada tornava clara para nós.
Centro luminoso em que a ceia do Senhor.
Não havia São Paulo ou Rio de Janeiro –
No máximo: Belo Horizonte, Araxá
Povoavam nossos sonhos.
E talvez Ouro Preto e Divinópolis –
Onde Dora reinava...
- Goiânia, São Petersburgo e Tegucigalpa – só no Atlas.
Anápolis era outra estória: a cidade, o comércio longe demais...
Ali na Jaiara estava o centro de tudo
e no centro de tudo o amor:
Laíde Epifânia me nomeara “Maninho”.
Naquele tempo, na nossa vila, não passava um rio.
Mas havia a fábrica de tecidos, onde Jorge –
Noivo de minha irmã – tecia a união e afeto
E me ensinava a andar de bicicleta.
Do Vietnã, só soube no ginásio.
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Feb 7, 2016
Feb 7, 2016 at 5:28 PM UTC
Eu pintei-me de preto e vesti-me de *****
E colori em forma de arco-íris, o meu coração!
Descansei os sapatos e assim com ar integro,
Analisei todos os meus males, aqui atrás do Marão!
Olhei o sol que estava lindo, assim como a luz do dia,
E eu ali senti-me um milhafre perdido no raiar do céu,
Despi-me de preconceitos e agarrei a luz que me alumia,
Comecei a correr até ficar cansado, até perder o chapéu!
Comecei a despir o ***** que trazia vestido e foi nu,
Que comecei a procurar ao redor uma nova capa,
Com cores coloridas com sorrisos tirados do baú!
Não servia sorrir de novo, sorrisos fingidos á socapa!
Jurei que iria sair do escuro, que trazia vestido,
Comprometi-me com a alma, e entregar-me ao destino,
Porque afinal, eu não tinha perdido, então porquê, o alarido!
Seria por me despir, reflectir e sentir culpado e latino?
Hoje não é dia de pensar assim, não é dia de fingir,
Não é dia de mentir, nem é dia de ficar para ali a latir.
Porque quem me pudesse ouvir, estaria ali não para me ouvir,
Mas sim para fingir, que eu era o corvo, e tinha de partir!
Quanto tempo durou o fingimento que te cativou?
Porquê que eu nunca percebi que teria de sair!
Não sei, nem posso deitar-me a adivinhar. Sei, acabou.
Não tenho mais comigo razões para me prostituir!
Como poderia eu ter sido ingrato, se tivesse visto,
Que afinal tudo que vivi, até ali, nunca foi real e meu.
Nunca fui afinal muito mais, que um pequeno imprevisto.
Ingrato, não estou. Hoje eu sei, que afinal, estou ao léu!
Sem qualquer compromisso no coração, e pode ser teu.
Autor: António Benigno
Dedicado do Romeiro para a Rameira.
Sep 11, 2013
Sep 11, 2013 at 9:17 AM UTC
"Abre sua aversão;
Eis que um nauta fala:
- Mestre, vês somente sofrimento no amor?
- O amor pode conter fuligem e até mesmo grasnar, porém uma vez sentido é como parcel:
não se desfaz fácil dentro do peito.
E mesmo que nos faça presente o basto e dorido retrocesso, o medo,
infindável de obstruir a todo esse amor, mais infindável é o anelo que o amor causa-nos.
Estamos sobre escombros, mas o amor é como papelotas angelicais…
Desce ondulado cheio de idas e vindas, corrupiando até a estabilização.
O amor é granívoro, come pequenas as sementes dos defeitos nossos,
belo como o grande milhafre-preto a planar no céu.
É como a retriz que sente o vento a tocar, é o ósculo entre o paraíso e a imensidão.
Oco somos antes de amar.
Somos como o barril quebrado sem vinho, esperando que o tanoeiro nos venha resgatar.
Encher-nos a transbordar.
Ouça o execrável grito do ódio, sendo cancelado pelo dulçor deste imenso sentimento.
Ouça o esfolar dos descrentes, incorpóreos.
O amor é um reverbrar eterno de luz em cada alma,
é a calma, e a batida de cada pulsação.
Não se pode obstrui-lo, ou excluí-lo da vida,
pois ela o traz em cada vibração.
Como um frincha encontrada dentro de nós,
convertendo aos poucos cada problema em solução.
Transformando o ingrato em um romântico facúndio,
criando paz em meio a escuridão"
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:38 PM UTC
Chapéu branco, bem tratado,
Bigode preto e bem pintado,
Trazes na boca sempre as mesmas palavras,
Falas de azeitonas e tuas enxadas.
Tratas a flor como se fosse uma criança,
Dás-lhe água com abundância,
O teu olhar é meigo e nobre,
Casa humilde, casa de pobre.
Aqui é teu lugar preferido,
Monológos sem sentido,
Sentes teu belo fado,
Paraíso nunca sonhado.
Sentimento humilde e terno,
Para ti o céu é inferno,
Falas das coisas tuas e do teu meio,
E deixas-te ao simples devaneio.
Victor Marques
Aug 30, 2010
Aug 30, 2010 at 6:59 AM UTC
- Sangue
- Aranhas
- Facas
- Ácido
- Unhas
- Cílios
- Águas-vivas
- Vidro
- Pílulas
- Cogumelos
- Dor
- Euforia
- Cores
- Preto
- Vida
- Morte
- Água
Jun 24, 2013
Jun 24, 2013 at 9:08 PM UTC
Você me deu tantos sustos
Que agora a realidade parece confusa
E eu não sei o que sentir
É uma angústia, um novelo de lã que usavas para tricotar minhas toucas
Enforcando meu peito.
Teu amor me aquece nesse inverno tão gelado
E a única promessa que te garanto é de sempre levar meus casacos
Pois sei que deu que fará frio na televisão.
A lembrança do teu toque e cheiro são tão vividos
Será que irão embora contigo com o tempo?
Ou ao menos isso deixarás para mim?
Tem um potinho do teu molho de macarrão no congelador
E tantas fotos suas com um grande sorriso nos álbuns lá da sala de casa
Não consigo acabar esse poema
As forças que tinha usei tentando colocar o pé fora de casa
Acabaram nos meus olhos vislumbrando a janela.
Vi um mundo vivendo
Pessoas passando igual a antes
Seguindo em frente
E ninguém está de preto. Ninguém chora. Ninguém sente o que eu sinto.
Porque não te conheceram
Aí dessas pessoas infelizes
Que não provaram do teu carinho
Do teu amor
Aí dessas pessoas infelizes que vivem e passam
Enquanto eu não aguento viver nesse mundo sem você.
As lágrimas me consomem
E eu nem tenho mais lágrimas para chorar.
Dec 2, 2016
Dec 2, 2016 at 7:24 AM UTC
O oceano almeja pelo brilho do luar,
o qual a estrela mais linda e brilhante a presenteia,
as plantas necessitam da incandescente luz do sol,
e os humanos se aquecem, com o fogo que os incendeia.
A bela menina do vestido preto,
corre por entre as ruas atrás de seu príncipe perfeito,
e o gentil homem de coração aberto,
derrama lágrimas por seu amor verdadeiro não estar perto.
Não quero que o mundo tenha pena de mim,
pois sei que eles não me entendem,
e quando tudo for feito para ter um fim,
daremos um jeito de mudar tudo.
E da mesma maneira que todos almejam algo,
eu preciso de você,
do seu beijo, do seu abraço,
de encanto e principalmente de seu coração.
Vinícius Rozante
Aug 12, 2013
Aug 12, 2013 at 8:31 PM UTC
I
No intervalo do incessante
Para lá do perceptível
emaranhado numa zona incerta
quando a noite é mais de trevas
E um quarto bem estreito
é exageradamente infindo
ora ali o oniromante
De outrora letargo
de outro nome alcunhado
que agora desperto
aprende a dormir
recônditos respiros
rebuliços arredores
vasos sanguíneos
coléricas vozes
vislumbra o enfermo
sem remédio
sem cura
Um quadro preto
um naufrágio
II
Jaz adormecido
em cama de pedras
com colcha de espinhos
Lá dentro avenidas movimentadas sussurram verdades
cheias de agudos
ângulos, retos, obtusos
com vértices nas curvas semicirculares
Um rompante inaudível
turbilhões de incertezas
de vozes cegas
emergindo da fresta tenebrosa
que brilha o **** cobiçado
de seios
de coxas
de longos cabelos loiros
de pele negra
de pele vermelha
de pele amarela
peles tão alvas quanto a neve
Uma avalanche de inseguranças
Correntes de ferro
enferrujadas
que rasgam a carne
com tétano
e o sangue escorre
num rio plácido
repleto de peixes e tartarugas
de ondinas e sereias
onde banham as musas
que cantam o canto de Morfeu
como eólia lira
que entorpece e inspira
o oniromante
que ali adormeceu
III
No sonho de um sonho
há um sonho esquecido
guardado a sete fechos
no fundo inflexível
de imagens arquetípicas
de desejos obscuros
de visões aterradoras
de um jovem bem febril
devagar vai adentrando
nessa estranha entrelinha
qual razão do desconexo
desconstrói o findo dia
tenazes vozes em seus ouvidos
reproduzidas como brados
brotam atroadas
de estrondosas trovejadas
Neste tempo sem um tempo
há tempos transcorrido
inesperados fragmentos
reprimidos e esquecidos
Por frações de um instante
trafegando entre a memória
dos dias das noites do futuro
do passado e das histórias
Clareiam-se como cruz
como carga no caminho
Cultuando a culpa a luz
jaz oculta na cova deslembrada
Estreitos fios a lumiar o teto escuro
tomam forma entrelaçada da aurora
Rompe o limiar do céu noturno
E abre os olhos pra não perder a hora
�
Dec 26, 2016
Dec 26, 2016 at 5:59 AM UTC
o vento fazia o pó levantar.
de olhar maduro,
óculos de protecção,
casaco preto e chapéu,
ao peito um medalhão.
ele era um rapaz nobre.
nunca se tinha visto ninguém como ele.
que segredos antigos estavam à espreita?
e ali estava ele,
flutuando na magia da brisa.
ao peito a mais perfeita arma de julgamento.
cano curto.
o segredo fora revelado,
e o carrasco chegava para mim.
com uma intenção maravilhosa de assassino malicioso,
Spyglass olhou-me nos olhos
e senti o vento no meu cabelo.
flashes de fogo na calada da noite.
a maravilhosa máquina de sua majestade.
gritei: "semeador de chumbo".
o sangue, escuro, corria, mortal.
Apr 9, 2015
Apr 9, 2015 at 5:05 PM UTC
AGORA
que partis-te a explorar o deserto e eu fiquei só
AGORA
que partis-te em procura do rapaz de preto
Sento-me
neste quarto
onde só
me restam paredes,
e oiço o tráfego
lá fora
O teu fantasma
imagem de um outro tempo
persegue-me por todos os lados
Deixa-me num sono profundo
Deixa-me
para poder escrever poesia
e libertar as pessoas dos seus limites
Já agora
atravessa para o outro lado
transpõe a porta
o Patrão espera-te.
Não te resta muito tempo que a viagem é longa.
Apr 15, 2014
Apr 15, 2014 at 6:02 PM UTC
recônditos respiros
rebuliços arredores
vasos sanguíneos
vozes coléricas
grita o enfermo
sem remédio
sem cura
Um quadro preto
Um naufrágio
Jul 5, 2015
Jul 5, 2015 at 10:29 PM UTC
Preso nos erros do passado
Preso a ti porque o coraçao nao quer mais ninguem do meu lado
Convicto de que errei contigo
Talvez devessemos mesmo ser simples amigos
Nada mais do que isso
Preto e branco
Mas , colorir fazia mais sentido
Compromisso sem compromisso
Teu corpo fez-me perder o juizo
Como um vicio
Desejo intenso
Como as chamas de um fogo aceso
Tem sabor adocicado o fruto proibido
Teu calor e gemido
Hoje memorias de um amor proibido
Aug 2, 2018
Aug 2, 2018 at 4:39 PM UTC
Tens um brilho nos olhos de tanto olhar,
Tens um sorriso de encantar...
O que tu tens parece ser e nao ser,
O que tu tens e nao queres ver...
O que tu tens e ate nem queres saber,
Tens uma serpente para te prender.
Tens sonhos que as estrelas nem querem saber,
Tens o destino de amar o sol ao entardecer.
O que tu tens dentro de uma vida que parece oca,
Tens o rosnar do gato preto que te poe louca,
Tens uma vida inteira que parece nunca te chegar,
Tens uma vontade de sempre a vida maltratar...
O que tu tens menina de olhos meigos ,
Tens o desejo de doces beijos.
Tens tudo e pareces nao querer nunca nada,
Tens a vida que parece vida de uma fada...
Victor Marques
Sep 5, 2018
Sep 5, 2018 at 3:37 PM UTC
vem
entra na minha vida
vem
para o meu covil
veste-te de preto
pinta o teu cabelo de *****
e vamos juntos ouvir o som do mar
vamos juntos na escuridão
dizer adeus à luz
vamos viver na eternidade
onde todos os dias são noites
eu sei que sou louco
mas no teu coração eu sei
há uma gótica a desabrochar
May 22, 2015
May 22, 2015 at 5:21 AM UTC
Ninguém sabe como é vida
E como fosse uma pedra de argila
Pequena e frágil..
Ninguém sabe como é a vida
é como fosse um Tigre a procura de comida
é solitário e dominante...
Ninguém sabe como é a morte
é como fosse só vazio... não há preto nem branco
é como fosse só o "the end"
Feb 8, 2019
Feb 8, 2019 at 5:32 AM UTC
ser resistente,
de luta,
sempre presente.
existente.
resiliente.
sou preto.
sou de luta, resistente.
existente.
resiliência tá sempre
presente.
sou gay.
sou ser existente
de luta presente
assim me faço resistente
e resiliente
sou pobre
sou de luta existente
sempre presente
e assim resistente
resiliente.
gay, preto, pobre.
sou ser de luta presente,
resiliente
que existe
e resiste
sempre.
Jun 18, 2018
Jun 18, 2018 at 8:25 PM UTC
Encurtei o monólogo
Nascia no horizonte, não tão longe
Um novo psicólogo.
Um ano e meio de auto sabotagem
Repetia e repetia: vai melhorar
Mas só piorava, parecia tudo bobagem
E eu seguia a me enganar,
Achava que tinha que, logo, me formar.
Aquilo foi, cada vez mais, pesando
E eu, no fundo, sabia que tava me enganando
Até pra sair da cama, me esforçando
E quase em depressão, entrando.
Num choro de desespero busquei auxílio espiritual
Pedi pros preto, pelo amor de Deus, um sinal
E ele veio. Veio muito claro. Explícito. Gutural.
Enxerguei a possibilidade de cumprir minha missão, afinal.
Fiz minha escolha e decidi mudar
O campus do vale abandonar
No tempo, voltar
Até o vestibular prestar
Pra poder me encontrar
E a psicologia estudar.
Com muita fé em mim e na minha capacidade
Estudei muito. Tive vontade.
Fiz o que pude num tempo que eu não tinha. Tive que ser crente.
Era mãe doente, trabalho de 8h, namorado e cursinho. Podia ficar doente.
Mas o sucesso é meu destino. Já tava escrito.
Meu nome no listão parecia em negrito.
O alívio se fez. Grande sinal.
Me senti mais perto de cumprir minha missão, afinal.
E agora sigo. Ávido pela descoberta
Desse novo mundo. Estou alerta.
Nascia no horizonte, não tão longe
Um novo psicólogo.
Jun 18, 2018
Jun 18, 2018 at 1:41 PM UTC
eu costumava sonhar em me tornar o mar
imenso e vasto como tal,
com a mesma selvageria caótica
que é viva e dissemina a calmaria
e se eu puder ser mar
receber-te-ei como um dos meus
que banham-se em meu colo
enquanto se libertam das âncoras mundanas
às pressas de escapar desse não-lugar onde me esconderam
me vi na areia, em mutação
preto no branco gritando e a natureza fundindo
eu me vi fruto da miscigenação
eu me tornei mar
e agora tenho um amante
que queima em meu horizonte
mas se esconde ao anoitecer
na manhã ele retorna
e logo põe-se a iluminar
todas as almas pretas
que ainda procuram um lar
escapei do esconderijo
que era um tipo de prisão
pra que ninguém mais seja preso
longe da escuridão
por isso enquanto eu for mar
te deixarei livre, na leveza de existir
te emprestarei meu amante
pois sei da tua vontade
vai ter calor no teu corpo em todo amanhecer
felizmente hoje eu sou mar
então recebo-te como um dos meus
e lhe convido a nadar
Jun 17, 2018
Jun 17, 2018 at 8:37 PM UTC