"pois" poems
inteiramente perfeito
tirava-me suspiros
és tão belo, tão doce
tal como uma miragem
com certo atrevimento
tentei lhe alcançar
porém não consegui
pois tal como uma miragem
você nem mesmo esteve ali
Feb 10, 2022
Feb 10, 2022 at 11:37 PM UTC
There was never before heard
Such a cacophony
As the day I witnessed
The vegetable medley
'Since you've bean gone'
They blasted out
The runners and broads joined in song
They could have rocked it all night long
But it was Taters turn
They rocked the stage
The veggies went wild
The 'monster mash' was all the rage
Then was petit pois chance to shine
He wowed them with a dance
Then made the broccoli sway and weep
With 'Give peas a chance'
Mar 14, 2014
Mar 14, 2014 at 8:13 PM UTC
Skirting the river road, (my forenoon walk, my rest)
Skyward in air a sudden muffled sound, the dalliance of the eagles,
The rushing amorous contact high in space together,
The clinching interlocking claws, a living, fierce, gyrating wheel,
Four beating wings, two beaks, a swirling mass tight grappling,
In tumbling turning clustering loops, straight downward falling,
’Till o’er the river pois’d, the twain yet one, a moment’s lull,
A motionless still balance in the air, then parting, talons loosing,
Upward again on slow-firm pinions slanting, their separate diverse flight,
She hers, he his, pursuing.
2.8k
OH ! born to sooth distress, and lighten care ;
Lively as soft, and innocent as fair ;
Blest with that sweet simplicity of thought
So rarely found, and never to be taught ;
Of winning speech, endearing, artless, kind,
The loveliest pattern of a female mind ;
Like some fair spirit from the realms of rest
With all her native heaven within her breast ;
So pure, so good, she scarce can guess at sin,
But thinks the world without like that within ;
Such melting tenderness, so fond to bless,
Her charity almost becomes excess.
Wealth may be courted, wisdom be rever'd,
And beauty prais'd, and brutal strength be fear'd ;
But goodness only can affection move ;
And love must owe its origin to love.
*******
OF gentle manners, and of taste refin'd,
With all the graces of a polish'd mind ;
Clear sense and truth still shone in all she spoke,
And from her lips no idle sentence broke.
Each nicer elegance of art she knew ;
Correctly fair, and regularly true :
Her ready fingers plied with equal skill
The pencil's task, the needle, or the quill.
So pois'd her feelings, so compos'd her soul,
So subject all to reason's calm controul,
One only passion, strong, and unconfin'd,
Disturb'd the balance of her even mind :
One passion rul'd despotic in her breast,
In every word, and look, and thought confest ;
But that was love, and love delights to bless
The generous transports of a fond excess.
2.3k
Pedi à lua e ela respondeu
Descubro
Agora
Em mim mesma
A fonte
Sou filha de Lua Mercurial
E rejo aqui na Terra em nome de Marte
Pelos dois pólos:
- +
E marte, meu fiel guia, é bom professor
Conserva seu preciosismo
dotado talvez de pragmatismo maior
àvesso às morozidades da água
que agora secam na terra.
Conservo o meu poema
Meu espírito
O construto
O que tu me destes em tua visão
Conservo meu falo,
Pois em mim Marte grita:
À Glória!
Oct 27, 2015
Oct 27, 2015 at 2:43 AM UTC
Bom dia a todos...Desejo que tudo corra na plenitude e vossos anseios e desejos se concretizem na abundância e plenitude. Boa vindima para aqueles que ainda continuam na tão nobre Colheita. Esta poesia é dedicada ao meu Pai: António Alexandre Marques e a todos os seus amigos e conhecidos.
Lembro-me de Ti meu querido Pai
As videiras cansadas pelo sol tórrido de verão,
O rio corre por amor e paixão.
Eu procuro a resposta que não acho,
Sou feito de uvas e do teu abraço.
As rochas xistosas esperam a madrugada,
As uvas amarelas e avermelhadas.
E tu meu Pai continuas aqui sepultado,
Pois o vinho foi teu amor, meu fado…
Palavras sábias de profeta que sonha e sabe,
Lembrança de ti e eterna saudade.
Nossa Senhora de Fátima te acolheu,
Eu anseio também para ser seu…
As uvas dão precioso fruto,
Eu continuo vivo e de luto.
O Douro sublime se consome e exalta,
Por ti Pai saudade quase me mata…
Victor Marques
Oct 8, 2013
Oct 8, 2013 at 2:29 AM UTC
Sonhos
Pairas no pensamento, no inconsciente!
Estou eu a visionar as cataratas que explicam a beleza do salpicar das gotas de água…
O paraíso com anjos vestidos de um rosa velho mal tratado passeia numa barca que até
Já fora do diabo.
A espuma desse mar celestial quase entra em tão enfadonha embarcação.
Ruma em direção aos confins de lado nenhum, pois os sonhos se multiplicam e em segundos
Se esvanecem. Foge o vento que em dias de tempestade é frio, bate em tudo que lhe aparece á frente.
Temos sonhos dos dragões que no cabo das tormentas nos amedrontam todos os dias, nós fazem tremer de medo, chorar …transpirar junto aos lençóis de linho já raro.
Que pesadelo, que sonho arrepiante!
Existem sim os sonhos que também são sonhos de todos os seres humanos. O sonho de ser amado e amar na plenitude enquanto ser vivo.
A dignidade humana está na perseverança de quem sonha com amor a causas nobres. Na sua vida terrena o homem sonha e obras maravilhosas nascem por amor.
O meu sonho é um sonho de amor pelos outros, de dar de uma forma gratuita: um sorriso, um aperto de mão, um abraço, um conselho, uma troca positiva de olhar.
O meu sonho é o sonhar com Deus amor feito de bem, um sonhar que vai sempre mais além…
O meu sonho é amar a natureza sempre e respeitar suas leis…
Nunca deixes de sonhar, de contemplar as estrelas, o orvalho, o sol, a lua. Estamos num tempo que temos de sonhar sempre mesmo estando acordados.
Victor Marques
Sep 24, 2013
Sep 24, 2013 at 5:19 AM UTC
IRMA LÚCIA
A tua devoção eterna à Virgem dos ***
Aclamam-te anjos com brancos véus.
Nasceste tu Lúcia com Coração doce nesta terra,
Pediste a Nossa Senhora para nos livrar da Guerra.
A santidade te pertence, pois foste escolhida,
Amaste Deus toda a vida.
Com um amor sem igual,
Nasceste no nosso Portugal.
Amas com amor e eterna verdade,
Cheia de carinho e simplicidade.
Viveste sempre no mundo da espiritualidade,
Te recordamos sempre com saudade.
Victor Marques
Dec 10, 2009
Dec 10, 2009 at 10:29 PM UTC
Esbate luz em nossos corações enquanto seres humanos...
Hoje perplexo olho a minha volta, procuro respostas, me incito enquanto ser humano a ser um exemplo: em honestidade, humanidade, e lealdade. Caminhadas que desesperam em ser feitas, pois estamos com tantas adversidades que nos fazem sonhar menos, pensar em tons de um amarelo cheio de um **** quase azedo de um pão que deixa de ser cozido de uma forma tradicional.
Como seres humanos aptos para sobreviver teimamos em harmonia viver com os os ensinamentos de nossos antepassados. Tiramos proveito de tanta aprendizagem que gratuitamente foi transmitida de gerações em gerações. Vivemos numa sociedade extremamente competitiva e selectiva, lutando cada dia contra instituições incapazes de gerir riqueza, gastando
alguns tostões que restam aos pequenos contribuintes que resistem e pagam sem pestanejar.
O que fazer quando se tem a leveza de ser amado, bajulado, respeitador e honesto em todas as vertentes de seres humanos fantásticos que semeiam amizades para toda a vida?
Simplesmente ousar ser sempre contemplado com a luz de um sol radioso que aconselhe e encante os homens de boa vontade a fazer alguma coisa por todos os que nascem desprovidos de roupa e morrem sem nunca saber como e quando?
Falta humildade em nossos corações enquanto seres que vivem neste planeta terra,Falta amor , gratidão, simplicidade, perdão, harmonia, paciência, serenidade, seriedade e amizade.
Feb 23, 2015
Feb 23, 2015 at 2:07 PM UTC
A nobreza de tua família, teus descendentes!
Fernando era teu nome, Deus te chamou...
Junto a água pura Deus te abençoou,
Os peixes estavam contentes,
Tua catedral resplandecente,
Santo do amor eterno e confiante.
A tua voz sagrada,
Em Pádua a vi idolatrada.
Teu túmulo que me fez chorar com amor,
Meu santo amigo, eterno confessor.
Contigo aprendi a ser humano e amigo,
Me deleito a orar contigo.
Rezo a Deus e busco tua sabedoria infinita,
Pois Deus a todos beatifica..
Victor Marques
Dec 14, 2009
Dec 14, 2009 at 8:11 AM UTC
Tuas parcas impressões não me comovem
Irrito-me a cada interrupção gentil que tu fazes e
Devoro a mim mesmo em lúgubre fome,
A lamentar o que de bom poderia ter feito
Se e se
Mas
Às três da tarde
Apodreço numa cadeira áspera
Quase tão fétido quanto a fruta do vômito
Passada do ponto de colheita
Às cinco da tarde
Eu já sou molho estragado
Setenta por cento aglomerado literal de leucócitos degenerados
Pus integral
Ao cair do sol,
Sou um alface hidropônico
Pronto para ser vendido, lavado e comido por ti
Interruptor imbecil.
Voltar-me-ei ao mar
Ao esgoto
Num estado de paz surda
A solidão é um inspirar sufocado
Sufoca
Oxida as ideias
É tortura comodamente induzida
Se hoje fervilho, é sorte
Pura boa-aventurança;
Pois do profundo cócito
Fui e voltei
E cá estou
Inteiro
Longe dos dentes de Deus.
Sep 28, 2014
Sep 28, 2014 at 5:16 AM UTC
When, to their airy hall, my Fathers’ voice
Shall call my spirit, joyful in their choice;
When, pois’d upon the gale, my form shall ride,
Or, dark in mist, descend the mountain’s side;
Oh! may my shade behold no sculptur’d urns,
To mark the spot where earth to earth returns!
No lengthen’d scroll, no praise-encumber’d stone;
My epitaph shall be my name alone:
If that with honour fail to crown my clay,
Oh! may no other fame my deeds repay!
That, only that, shall single out the spot;
By that remember’d, or with that forgot.
1.5k
Primavera que acordas vinhedos adormecidos
Hoje fiz uma promessa a mim mesmo que seria escrever para ti: Primavera! Desde menino que me encantas, me envolves, me rejuvenesces…Sim, és tu Primavera que me acordas de sonos bem ou mal dormidos. Com os crescer dos dias parece que tudo cresce de uma forma descontrolada e um infindável colorido permanece aos olhos de quem te acolhe e enaltece.
Sim, só poderias ser tu a bendizer todas as rosas campestres que por ti anseiam para comunicar e nos fazer sentir odores, por vezes já esquecidos. Os jardins se enfeitam com violetas, lírios, hortênsias. Os charcos ficam mais esverdeados e alegres, pois as rãs têm mais tempo para cantar.
Primavera abençoada que acordas vinhedos durienses adormecidos, que aqueces rio Douro e Tua. Amendoeiras em flor brancas e puras que acolhem abelhas que procuram alimento param se saciar. Nos campos é imensa a alegria de semear sementes que servirão de alimento para tantos seres que não compreendem o poder de nascimento contínuo que existe em todas as Primaveras. Parece que tudo está com disposição de despertar…
Parece que tudo ressuscita, que tudo nasce, que tudo vive com maior apego e sintonia com o Deus Criador. Por tudo isto queria também eu ser uma Primavera excelsa e porque não celestial aos olhos de quem nunca teve ou sentiu uma Primavera.
Victor Marques
Feb 24, 2015
Feb 24, 2015 at 8:44 AM UTC
"Preciso de ti! Não partas e não deixe-me partir;
Me enterre aqui ao teu lado, senta comigo e vê as horas a passar;
O céu se encontra entre o azul e o mar, ambos claros, a fadar;
Preciso hoje mesmo a cor dos teus lábios encontrar, pois meus lábios incolores, precisam do toque dos seus para se pintar e num beijo cor de rosa arrepiarem-se.
Preciso hoje mesmo a luz dos teus olhos, pois meus olhos apagados e congelados precisam brilhar, e num só encontro de nossos olhos, num feixe enorme entrelaçarem-se.
Preciso hoje mesmo das tuas mãos para aconchegar-me, meu corpo, alma e coração sem vida precisar do seu calor para reanimarem-se, e num fogo a mil bons tons entregarem-se.
Ah amor, seu toque almejo e entre mil desejos só quero amar-te;
Nenhuma riqueza paga a felicidade do meu coração ao apaixonar-se.
Deus posso viver na pobreza, sem nenhuma grandeza se puder amar-te!
E a vida lentamente, ao seu lado ardente, irei trilhar-me.
Pois cada parte minha e cada parte sua, nunca estarão completas, se não juntarem-se."
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:40 PM UTC
Mil-réis entre réis pagos pelo algodão e pelo o material sinteticamente enfadonho – ambos traçados na sala abafada em que, agora, a escuridão de frequência vibrante busca-me, parado, observando o sangue que segue, que traça, desenha os seus próprios afluentes em uma elaborada figura de empalhamento. Tropeço por entre galhos, perco um ou outro membro e abro os olhos. Agora, veja! Eles estão lá! Meus membros estão lá! Mas atente-se! Aquele, meio torto, veja-o com perfeição.
Digo, eram meus. Sim, pois agora a este outro pertence. Está lá, na poça de meu sangue, com a minha própria estrutura, o que parece ter sido um simpático palhaço. Confirmo aquela minha primeira impressão: empalhado palhaço. Agora há algo dentro daqueles membros. Definitivamente há! Até vejo alguma perenidade por entre as articulações, à mostra - resultado de um trabalho mal feito pelo meu próprio líquido vermelho intenso.
Depois de muito apreciar minhas partes nunca tão bem aproveitadas, vejo algo mais além - vejo asas! Inicialmente, um âmago bastante ridículo e tedioso - mas observando mais atentamente, percebo profundamente que aquela minha obra orgânica possui, como verdadeira essência, o plano mais ao fundo, que não só se colocava de forma discreta, como aspirava se esconder do foco do olhar, retirando nitidez que a ele é supostamente é inerte. Percebi a explicação para minha atrapalhada e inconsciente criação. Humano algum será capaz de apreciá-la como eu aprecio. Amo-a agora como amo a morte! E morta está minha obra, afastada para sempre de mim. Assim como os meus olhos e libido.
É um sangue amaldiçoado aquele que escorrera de mim, seria está a plausível explicação? Sequer traçara ele uma imagem de uma mecânica funcional.
May 3, 2014
May 3, 2014 at 2:46 PM UTC
A noite chega com gemidos e lamentos,
Eu com a vida em torno de ternos
momentos,
Se nasce em qualquer lugar, vivemos com sonhos para realizar,
E eu aqui sentado com o pranto e o luar...
A lua hoje é plena e observa todos os seres que vivem para sempre morrer,
Uns acreditam outros não numa vida sem tristeza em eterna comunhão,
Pedaços de saudade de quem partiu sem por vezes querer...
Jesus Cristo foi vinho, foi pão, foi a única esperança para a vida,morte e ressurreição.
A vida foi aquilo que quis ser, pois pensamos que tudo podemos fazer,
Nunca temos a verdadeira preocupação que nascemos e vivemos para terra tornar a ser...
Com o canto dos grilos e com a terna saudade de quem foi vivo e nos deixou,
Me abandono ao mundo, ao céu e a Deus que tudo criou.
Victor Marques
Aug 25, 2018
Aug 25, 2018 at 5:55 PM UTC
Seus cabelos, ondas escuras na noite,
Seus olhos, um mistério que não posso desvendar,
Ela caminha entre os vivos e os mortos,
E eu a sigo, perdido em seu encanto sombrio.
Seu toque é o frio da meia-noite,
Sua presença, um tormento doce,
Cada passo que ela dá me arrasta,
Mais fundo em um labirinto de solidão.
Pois ela é a musa de meus pesadelos,
A personificação do desejo que me destrói,
E eu, um tolo, danço na borda do abismo,
Fascinado por sua escuridão eterna.
Aug 31, 2024
Aug 31, 2024 at 11:35 AM UTC
Canção Do Verbo Encarnado
***
Minha geração foi assim,
começou pelo quando
e acabou pelo fim.
O amor escorreu pelos cantos
e quando cantamos
a canção do amor armado,
Thiago de Melo estava em Berlim
mergulhado no verde dos olhos
da alemãzinha da ACNUR ,
nossa orquestra saiu de cena
e nossa guerra de guerrilhas
acabou no maior calor...
O suor que expelia seu odor
era o suor frio dos tiranos
nos porões mórbidos da ditadura
executando nossos irmãos.
O ar jazia cheio de sangue
e nós estávamos congelados
nas câmaras de gás dos IMLs.
Vínhamos de todos os lados,
desde os vales profundos do Ribeira,
das chapadas mais íngremes do Araguaia
ou dos guetos subumanos da urbe.
Éramos nós o odor de fumaça
que agredia as narinas alheias
com a catinga de carne queimada.
Éramos nós o encanto das canções de protesto
cantadas na avenida com euforia
para engendrar os projetos do futuro,
como somos nós os ignorados da história,
os estranhos os comícios,
a cadeira vazia das reuniões oficiais,
pois somos nós que chegamos e partimos
sem ninguém saber quem somos
e que vamos lá adiante,
distantes da balburdia alienante
e quando vós menos esperais
somos nós que nos imolamos
às vossas portas
contra a apatia com que nos matais.
Como todos vós podeis ver,
a minha geração é assim:
começa pelo quando
e acaba pelo fim,
mas não fica à toa na vida
pro seu amor lhe chamar
e ver a banda passar
tocando coisas de amor...
***
Apr 24, 2015
Apr 24, 2015 at 12:30 AM UTC
E abriu um buraco na alma, deram alguns tiros na alma e agora ela ta toda furada. Até pouco tempo atrás esses buracos eram um problema, mas o homem percebeu que os furos eram pequenos e não atrapalhavam em nada, eles até melhoravam a alma, pois ela acabou se tornando uma peneira, que filtra tudo o que passa por ela e só permanece com o necessário. A alma fura e remenda, até o dia que ela se solta e vai viver em outras vidas.
"Alma mole, vida dura, tanto insiste em sua fuga."
Mar 31, 2015
Mar 31, 2015 at 1:29 AM UTC
Acorda e já não sabe quem é, mas que diferença faz quando não se quer ser alguém?
O cigarro queima enquanto pensa em respostas para a vida, meio dia. A fumaça preenche o vazio e alivia a ânsia que as dúvidas causam, enjoada pela própria ignorância, por mais que tente saber tudo, não sabe nada. Então percebe todas as pessoas indo aos seus destinos, como fantasmas, ninguém as nota, nem elas mesmas, é tudo automático e ninguém realmente sabe o que está fazendo. Qualquer obstáculo no caminho para o trabalho é razão para dizer que o dia foi terrível, pois digo que terrível é fazer o mesmo caminho todos os dias, voltar para casa e receber o olhar frio das pessoas que também tiveram um dia "terrível".
O cigarro está quase no fim e acende outro logo em seguida, morrer cedo não é problema para alguém assim, então pensa em por que as pessoas querem envelhecer se todos os dias delas são iguais, semanas redundantes que se transformam em anos redundantes, vidas irrelevantes. Todos estão correndo para pagar seus impostos, todos estão preocupados em comprar móveis novos para suprir uma casa cheia de solidão. Uma televisão enorme ligada para o nada, fingir que não estamos sozinhos. Todos com tanto medo de irem contra o fluxo, gente desinteressante que acha o interessante esquisito.
Gente que morre sem ler poesia.
Aug 22, 2014
Aug 22, 2014 at 8:53 AM UTC
"Abre sua aversão;
Eis que um nauta fala:
- Mestre, vês somente sofrimento no amor?
- O amor pode conter fuligem e até mesmo grasnar, porém uma vez sentido é como parcel:
não se desfaz fácil dentro do peito.
E mesmo que nos faça presente o basto e dorido retrocesso, o medo,
infindável de obstruir a todo esse amor, mais infindável é o anelo que o amor causa-nos.
Estamos sobre escombros, mas o amor é como papelotas angelicais…
Desce ondulado cheio de idas e vindas, corrupiando até a estabilização.
O amor é granívoro, come pequenas as sementes dos defeitos nossos,
belo como o grande milhafre-preto a planar no céu.
É como a retriz que sente o vento a tocar, é o ósculo entre o paraíso e a imensidão.
Oco somos antes de amar.
Somos como o barril quebrado sem vinho, esperando que o tanoeiro nos venha resgatar.
Encher-nos a transbordar.
Ouça o execrável grito do ódio, sendo cancelado pelo dulçor deste imenso sentimento.
Ouça o esfolar dos descrentes, incorpóreos.
O amor é um reverbrar eterno de luz em cada alma,
é a calma, e a batida de cada pulsação.
Não se pode obstrui-lo, ou excluí-lo da vida,
pois ela o traz em cada vibração.
Como um frincha encontrada dentro de nós,
convertendo aos poucos cada problema em solução.
Transformando o ingrato em um romântico facúndio,
criando paz em meio a escuridão"
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:38 PM UTC
Ao meu amigo
No caminho da vida, espinhos, rosas encontramos,
Canseiras, maus tratos, pesadelos.
Alegrias, tristezas sem sentido.
Procuramos um viver com regra,
Duma régua sem medida,
Amigos do coração nós temos,
Pois fazem parte da nossa vida.
Somos julgados com ou sem sentido,
Cumprimos penas com ou sem razão.
A dignidade e amizade não?
Pedacinhos de papel com sua cor,
Deus eterno e senhor,
Abelhas com pólen e amor.
Sentes falta do encontro que se realizará,
Como a gaivota sempre voará,
Nestes teus momentos de solidão incontida,
Tens um amigo para toda a vida.
Victor Marques
Dec 9, 2011
Dec 9, 2011 at 8:50 AM UTC
De quem é a imagem que vejo no espelho?
Não é a mesma que me observo sem vê-la
Não possui a fonte existencial que lança os arredores para o interior
A única diferença entre mim e o que me permeia
É o corpo que carrego a todo instante, e dele os diálogos mentais que me definem como uma existência, pois as vozes que me surgem só eu posso ouvi-las e interpretá-las
Mas, talvez, a consciência seja simplesmente um canalizador e não uma fonte, pois as informações vêm de todos os lugares e ao mesmo tempo de um lugar só (ego).
De quem é a imagem que vejo quando olho para outra pessoa?
Não é a mesma imagem que essa outra existência se vê
Essa imagem que vejo faz parte de mim, sou eu, ou talvez o outro que vive em mim, que independe de uma consciência própria que não a minha.
Mas como eu me vejo?
Me vejo como acredito que os outros me vêem?
Eu sou o fruto das experiências passadas
Eu sou inconstante.
Totalmente renascido e irreconhecível a cada experiência
Mas isso é meu ego, o vidro mais frágil
O medo da solidão,
O medo da rejeição,
O ódio que é o medo de amar
O medo de amar que é o ódio por si mesmo
O **** é a carta coringa do desespero
O prazer de calar a dor
Mas o **** também dói, pois é a entrega de seu íntimo para outrem (você se diferencia) nós somos incapazes de amar o que é diferente, o **** fere o ego, pois o auge do prazer se dá com algo que nossa consciência insiste em odiar,
odiamos os outros, odiamos a nós mesmos
Mas é tudo ilusão
Ódio e medo, novamente, caminhando lado a lado
Mas é tudo ilusão
"O que está em cima está em baixo, não há diferença"
O que me define como singular?
Minhas roupas, meu cabelo, meu rosto, minha casa
meu carro, minha família, minha história
Fora isso quem sou?
Onde encontra-se a singularidade da voz que só minha mente escuta?
(Minhas ideias surgem de outras ideias que não são minhas
Eu sou o vazio)
Encontra-se no vazio, onde todos são iguais
Onde uma coisa não se diferencia da outra
Onde só nos resta amar, sem dor
A realidade é simplesmente aquilo em que acredito
Nada mais, nada menos
Pois o que os olhos não vêem o coração não sente
Melhor dizendo:
O que a mente não sente os olhos não vêem!
Depois de todo o devaneio
Me lembro...
Uma mulher, cujo a forma de sorrir,
a forma de morder os lábios,
o jeito com que ela me olha com o canto do olho
é totalmente singular, única
Mas não depende do ego, e nem de experiência
é algo inato, belo, não consigo odiar mesmo sendo diferente
Amor? sim
Mas algo diferente também
a vejo e amo como irmã, como mãe, como amante, como amiga
Amo sua existência como um todo
e não sei explicar
Ela escolheu não ficar comigo,
mas sempre vem a mim
Eu ainda continuo a ama-la, sem dor, nem sofrimento
Outra vez saio de uma discussão comigo mesmo sem respostas!
Aug 25, 2014
Aug 25, 2014 at 12:35 PM UTC
"Uma corte recheada de incertezas.
Diz o mestre:
- A todos vocês condeno essas correntes ventrais.
Condeno essa pressão cardíaca, essa confusão mental.
Não desejeis vós que o sentimento profundo lhes fosse concedido?
E quem há de me jurar que com ele não viria tremenda descordenação,
tremendo derrocamento?
Ouçam o bardo correndo louco entre as paredes de pedra.
Ouçam o gondoleiro, barcarolando as canções de amor.
Ouçam o basbaque som dos encantados,
os afeiçoados e doados de coração.
Eis a verdade, corte, corte de sentimentos.
Jaz aqui o vento que me tragou a esta ilusão.
Gritam altissonantes os mares,
arriscai-vos corações,
antes que o mar os leve a vossos esquifes,
antes que seja muito tarde para arriscar.
Porém que seja espúrioso o vosso amor.
Pois é sentimento que se perde em lamentações,
e para vive-lo, arriscar é necessário, não aja com esquivança,
uma vez entrelaçado, o amor é mais que a promessa,
é a eternidade, é um fado, é um facho,
é imensurável,
é imane,
é ilibado,
insinuante sinal de maravilhas,
ofusca os olhos de quem sente,
faz plenitude e traz saudade a quem não tem,
mas ainda sim muito além,
é uma reta paralela, e dele deve ser padrinho em solenidade,
é um pardieiro implorando piedade, e nós somos a reconstrução.
Então amem corte, mas paguem o preço,
na labuta e na luta,
pois o amor é um mestiço, meio amargo, meio doce,
mas é nato em perfeição."
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:38 PM UTC
Nunca disse-lhe que em nada creio,
é certo que tenho fé em todas as coisas
e, deveras, dou nenhuma importância a elas.
Todos os caminhos tem ao fim peso semelhante
pois serão trilhados pelos mesmos andarilhos.
O percurso não importa, e muito menos o destino
tendo em vista que a chegada é o ponto de partida.
As experiências são, em suma, meu objeto de valor.
A existência é algo simples, e criei o hábito de não mais dar-lhe sentido,
pois as conjecturas propostas são ,de fato, uma perda de tempo,
tempo no qual também não mais tenho me questionado,
pois acredito que os dias são uma besteira,
vejo agora apenas uma continuidade de movimentos
e não mais páginas de calendários, o que me proporcionou um entediante hábito de insonia.
E quanto ao resto da humanidade, digo que é bem possível que exista, mas não tenho certeza.
Por fim, não lhe peço nada,
pois, sinceramente, não me importo.
Jun 26, 2013
Jun 26, 2013 at 12:43 AM UTC