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Othon Apr 2018
Jazigo, trazido, erigido
Consagrado ao limbo, jazido
Ó arcanjo, ó demônio, vós sois a mesma lava fundida,
Perante minha visão enegrecida
Fadado encanto ígneo, clama
Dizimar o inferno em minha chama!
Tu, ó céu, onde as almas são penadas por teu desejo
Serás do antro torturado, sepulcro de menosprezo
Derramo, do alto das esperanças de teu rumor
Meu sangue, tingindo tua glória com rubor
Ó jazigo, eterno exílio,
Iluminado por brilho,
Da estrela mais distante...
Eu penso diferente de tudo que eu expresso, eu vejo a imagem que está dada e a questiono, tudo o que ela é, de onde veio e onde fica, por isso, penso além, vejo uma outra coisa, que me faz questionar além da definição que manifestei. Logo, quero dizer, que não caibo a essas meras expressões dos sentimentos. Meu Logos é muito maior, quiçá, sem fim.
Marco Raimondi May 2017
I

Queira a ter-te tal sacrifício impune à beleza
Desventurar no ofício da morte formosa
No rito estrangulado, no campo da destreza,
Pensamentos que julgo uma ilusão honrosa

Sob a lembrança dos antigos, arcaica proeza
Se medos sentimos dessa prática tão dolorosa,
Aquieta-se! A relva abaixo espera em sua frieza,
Para o pútrido sepulcro de uma luz ardorosa

Onde graça, cuja índole se esquiva,
Singram os raciocínios obscuros
De uma consciência a julgar-se viva

É o fim a tocar alma fugitiva,
A único respeito, tomar com acuro
Um fadário apagado de perspectivas

II

Ao meu semblante prefere-se o nada, diante das vãs venturas
Pois se é hábito e desconcerto sempre padecer,
Coerente é, por esses horrores, nunca me ater
Para que não lastime o infinito desta amargura

Esta angústia vazia que na miséria perdura
Sufocando meu espírito em sofrer,
Vede a todos dura sentença! É preferível já não ser,
Que fugir do fim que, em descrença, meu corpo procura

Se Dido no desalento, por Eneias, deixa vida,
Estou cá, em silêncio de alma desvarrida
A cessar aos vermes o que vivo eternamente

Em álgido lamento, pude cantar nesta partida,
Algumas rimas de mi'a face enlanguescida,
Em que pude prezar da morte seu beijo unicamente
Othon Jun 24
O fenômeno é único, pássaros de sangue saem das feridas de minha alma
No inferno pode-se dizer todas as palavras
No inferno pode-se beber de todas as idiossincrasias
Todas as formas são apenas um ponto diante do infinito
Procuro pela estrela mais elevada e vejo que ela está no poço mais profundo
Os ventos do paraíso passam pelos corredores do meu inferno
Dilúvio de meu ser, eterna descrença, santificada desavença
O personagem triste está bebendo na fonte onde o arco-íris sangra
A cruz onde se encontra qualquer verdade é posta de ponta cabeça num corcel de nuvens dissolvida em faíscas
Arcanjos caídos no esquecimento de deus tocam os sons de litanias diabólicas, como uma forma de lamento
Uma tempestade de pensamentos é uma canção para despertar o demônio de deus para entender o jugo de sua própria existência onde a miséria constituiu a criação do mundo
Caixões voadores de cristal, acima das nuvens da vida
Chaves feitas de sangue e morte, para abrir os portões prostituídos do paraíso que se tornou inferno, derramando-se em meu ser
Eu, o espelho do nada e do ninguém onde o inalcançável está manchado em sangue
Do sangue lavando os sonhos de deus
Encontrarei o reino do coração quebrado
Abrirei minha alma com a lâmina além do bem e mal
A escuridão será luz, a luz será escuridão
Pinto as eternas reticências com o sangue de meu coração
Meu sangue derramado no caos será minha única verdade
Perdido. Tomado pela multidão histérica de memórias. Mutilação. Gritos de agonia. Horror nos olhos de  "inocentes". Memorias de imagens presas numa parede de incapacidade. Incapaz de ver. Incapaz de saber. De ser. Sou o luto de minha tragédia. Ser o algoz do mundo. Já não me lembro.  Ele se diz meu sogro. Minha mulher está morta. As crianças foram brutalmente assassinadas. Seus corpos foram abandonados. Todos fugiram pelo terror do algoz. E eu apaguei. Já não me lembro. É preciso acreditar?  Lembrei que não me lembro do meu rosto. Ele me pediu para olhar ao espelho. Olho diretamente para aquela figura. Então este sou eu.  Apático. Ele sorri. Também tento. Pele azul. Olhos de vidro. Meus braços se misturam com uma membrana de carne. Me estico. É possível voar? Sim! Nós todos podemos voar, este é um planeta muito grande para simplesmente caminharmos. Às vezes ele fala como um mentiroso. Eu o detesto. Meus pés são como minhas mãos, só que maiores. Você deseja cavar os túmulos com seus pés? Esse não é o ponto! A questão é que sou diferente. Que vivo num mundo diferente. Onde eles são como eu. Deixe- me viver a fantasia!
Me levaram para a sala de recuperação de memória. Fizeram um tratamento
intensivo.
Tema: quem é você?
Resultado: Você é Khaladesh! Você é Khaladesh! Você é Khaladesh!(...)
Tome estes remédios!
Não posso!
Tome estes remédios!
Não quero!
Resultado: há uma guerra acontecendo. Um inimigo misterioso destruiu tudo o que importa. Quem é tal inimigo? Uma legião de sadismo. Tudo o que é perverso neste mundo carrega o nome  Arcantsulyan. É preciso sentir ódio por Arcantsulyan! É necessário se proteger contra Arcantsulyan. Oremos aos deuses!  Será que não orei o bastante? Já não me lembro. Livrai-nos de Arcantsulyan!
Há dois Sóis em meu mundo! Há também um deserto. Um jovem caminha em direção à Thaeran'khur. Seus passos cambaleantes e exaustos seguem por dois dias inteiros pelas areias do deserto... Não há noite em Thaeran'khur. Um calor crepitante invade sua alma. Há calor em seus olhos. Há calor em suas mãos. Há calor em seus brônquios. O calor e a poeira espreitam sua angústia. Incidem sem avisar em sua esperança. Um calor tão horrível que faz curvar seu corpo em incomensurável e desesperada agonia. Nada mais importa. Seu lar já foi esquecido. Suas lembranças já são meros devaneios. O que lhe resta é apenas entregar-se para a iminente morte ou seguir caminhando até morrer. À sua frente há uma fronteira que divide a parte inabitável do restante do deserto: um local onde a radiação  dos Sóis transformou toda a extensão de  areia em puro vidro. Um local onde não ha como permanecer vivo. O jovem desesperado e quase inconsciente vê a luz refletida pela gigantesca camada vitrificada. Ele segue em direção à luz. Irá cruzar o limiar da consciência: adentra o deserto de vidro... Incineração fatal... Seu corpo se transforma em areia.  O que aconteceu depois? Ele deixou de ser. Sabe o que isso quer dizer? Quer dizer que já não é. Ele abriu caminho à todas as possibilidades. Seu corpo se fragmentou em pedaços infinitos e se misturou com os infinitos pedaços que ali haviam. Ele se tornou tudo o que existe. Ele é o deserto agora. Mas o deserto está se unificando. A luz está juntando os pedaços. Os grãos estão se tornando vidro. Reflita...
Você é Khaladesh. Membro da rebelião contra Arcantsulyan. Vive escondido nas florestas sobre- oceânicas do Oceano Yuregjorth. Sua mulher e suas crianças foram destroçadas. Você perdeu sua memória. Percebe o quão insano isso tudo parece? Você não está bem. Precisa se lembrar. Não posso me lembrar de nada. Lembre-se de sua família. Lembre-se de seu ódio por Arcantsulyan. Você deve se vingar. Você deve tomar os remédios. Você deve se juntar à rebelião novamente. Você deve se fixar no que é real. Você será espião em território inimigo. Você precisa perceber seus delírios. Você precisa descobrir o que é Arcantsulyan. Você precisa se lembrar quem você é.
Othon Aug 24
Eu criei os caminhos por onde morrem as estrelas
& onde nasceu a flor necrófaga que devora o universo
Luz de teus sonhos fantasma na chuva
Rainha & Rei mortos, reino da desolação e nostalgia
Lúcifer é sombra de outro sonho, cavalgando uma carroça errante para o precipício das abóboras podres
Tumbas, castelos & metáforas desmanteladas, o demônio voa
Do alto do infinito eu sou, a luz que faz sombra em todas as verdades
Não há nada que o fogo não queime
Eu sou Shiva & jogo toda verdade no fogo
Eu sou o transgressor, eu sou Krishna, o meu próprio absolvedor
Sou Éris, para discordar de tudo
Sou Zaratustra, para recriar-me eternamente
Todas as deidades residem no meu peito humano
Cítaras das epifanias tocam o som de minha voz inaudível
Os anjos um dia ainda chorarão por mim, clangores inefáveis tocarão o eco da eternidade
O caos & o cosmos inteiros não poderão falar por mim
Inominado, insaciável, à deriva de todas as coisas
O meu sangue ainda gritará quando naufragar no infinito & eu direi a palavra que nunca foi dita, verei o pensamento que nunca foi pensado
& eu quebrarei a imagem do universo como um iconoclasta repleto de liberdade
Mais que o infinito, mais que qualquer deus, o Reino da Descoberta Sem Fim
Onde tudo se cria e tudo se destrói
Mariah Tulli Jan 26
Estamos sempre à procura, sigo tentando entender o motivo de querermos sempre estar com alguém, penso eu que em todas as ruas dessa cidade as vezes barulhenta e as vezes calma, tem alguém olhando ao redor a procura daquele amor, que é tão leve como a brisa de um vento. São duas da tarde e eu ainda nem almocei, porque fico procurando motivos para me movimentar nesse dia tão calorento. Ingerir algo pra me nutrir parece ser um bom motivo, mas nesse momento nem isso estou fazendo questão. A procura continua, porque agora já são duas da manhã e eu ainda não to satisfeita, pode ser porque não comi nada o dia inteiro, ou algumas línguas irão dizer que é porque eu ainda preciso aprender a me amar mais... acho que acredito mais na segunda opção mesmo. A questão toda é: sair pra jantar e talvez te achar ou ficar em casa pra me encontrar? Ultimamente tenho feito as duas coisas, tento me encontrar no meio desses livros e incensos acesos, ou até por meio dos sonhos, que muitos já me mostraram onde estou, só não sei pra onde preciso ir, talvez seja jantar mesmo, vai que nesse caminho das ruas dessa cidade eu me encontro e de quebra te acho.
Othon Aug 13
Dê uma rosa para meu abutre quando o nada estiver ventando sobre ti
Durma no ninho da inexistência e dance com a noite, sonhe
Sonhe enquanto estiver acordado
Mate o fastasma do infinito, congele o amanhã inalcançável dentro de seu coração
Tudo é tão completo quando não há nada além de mim
E eu sou imperfeito enquanto tenho tudo em mim
Relógio quebrado da existência, dançante ao ritmo de uma imagem torta da eternidade
Mate a morte com outra morte, não exista
Transe com um lírio em cima de um jazigo
Hipnotize a hipnose do senso da discórdia
Não é fácil matar um fantasma que está em todo lugar
Vamos fundar o instituto da auto anulação, e depois destruí-lo
Eu sou uma múmia colhendo girassóis
Preciso dar significado a algo que não existe, eu mesmo
Meu anjo da guarda está embriagado, ele foge de mim
Nada pode me interceder, deus permitiu que os seus demônios arquitetassem meu destino
E eu deverei ser um santo e justo para matar o destino de meu próprio ser
Eu vou embaralhar as suas sentenças, até que elas não tenham sentido
Deus, o louco irá saltar de seus pensamentos, vamos dançar o jogo
Eu sou todas as peças, sou todos os pedaços, sou todas as direções
Sou o personagem auto criado do caos, anti-caos
O céu é um quebra-cabeça sob minha consciência, preciso montá-lo como quiser
Eu tenho o poder do nada em minhas mãos
Enquanto bebo da verdade no cálice dos delírios
Vou criar aquilo que não pode estar subjugado em nenhuma existência
Vou escrevê-lo no livro da eternidade, e darei um jeito de por um fim sem fim
Eu sou o fogo queimando o infinito, desapareço com o fogo, desapareço com as cinzas
Só eu posso estar, só eu posso ver
Voando sobre as asas do impossível, onde eu existo e não existo, para qualquer coisa...
hi da s Jul 30
lembro que um dia acordei e de repente gostava de coisa antiga
e eu:
usava os anéis da minha mãe que eram da minha avó
gostava mais de usar batom com cheiro de velho
tinha apreço por histórias passadas de amor recatado
adorava o fusca do vô.

e passou um tempo, me esqueci desse meu gosto indo de cabeça na juventude adolescente incorporando meu olhar a moda daquele tempo.

até que o tempo passou e mais uma vez me apaixonei pela velhice; usava vestidos floridos e bem cortados, assistia filmes antigos e suspirava viver numa época em que vanguardas nasciam e a arte, política e comportamentos revolucionários construiam caminhos que hoje apenas nos inspiramos.

por um tempo quis fingir que o digital não existia pintando em telas, escrevendo em papéis, datilografando e fotografando em rolo; tudo pra construir uma cegueira sobre as atualizações constantes ao redor.

é engraçado ver o tempo passar e imaginar minhas tentativas de cópia do passado que nunca vivi e tanto desejei. esquecendo que o agora é onde devo estar e que aquele tal passado fabuloso era difícil e mais solitário, árduo e penoso.

o ontem já é passado e uma hora atrás também, é só olhar no relógio do celular.
Ana Jul 3
liberta-me do nosso imenso abandono
rasgaste-me ao meio
para que exista tristeza em todos os lugares onde não estamos
onde não existe revolução quando os nossos lábios se tocam
não consegues ser sóbrio
e por isso não conseguimos ser
tu grita o meu nome
arde
o teu cheiro
a única coisa onde não existe dor
nós em todo o lado
de todas as formas
e eu sem ti inteira
regressas e sinto calor
o mesmo calor de quando chegaste pela primeira vez
e será sempre assim quando apareceres
querer-te-ei calada
sozinha
mas a ti magoa-te saber que serei sempre eu
o sol que te alumbra a noite

— The End —