"levo" poems
Não levo o peito à cama
pra não me trovejar o coração.
No instante em que se inflama,
traz de volta ao mundo
[solidão
Tremendos rodopios planam
nas voltas fervorosas do meu
[vão
Escuto os termos tímidos
das turbas tolerantes de então.
Esqueço-me do terço entoado
de um crente já desacreditado
por ter nos sentimentos
[a razão
Permito aos prantos parcos
verterem-se em mil cacos
pra darem, enfim, à Luz
[Escuridão.
Aug 4, 2010
Aug 4, 2010 at 8:30 AM UTC
No meu corpo
eu silencio as dores do passado,
escondo as cicatrizes da minha história
e guardo os sentimentos de minha jornada.
Ser como sou,
vestir-se como me visto,
falar como falo,
andar como ando,
viver como eu vivo.
São apenas vestígios que deixaram-me
ao longo do tempo.
Abusos.
Agressões.
Violências.
Ser submetida a ser submissa.
Ser jogada de cantos em cantos.
Ser tratada como lixo.
Ser menosprezada.
Ser dada como burra e ignorante.
Querer ser o que sempre fui.
Querer ser algo que não me deixaram ser.
Ser como "eles"?!
Não podia.
Hoje...
Hoje sou quem eu quiser.
Não sofro e nem me fazem sofrer.
O peso que levo em meus ombros são meus,
mas não dói.
Tenho orgulho.
E hoje sou LIVRE,
sou FORTE,
sou GRANDE,
sou MULHER.
Apr 2, 2017
Apr 2, 2017 at 12:10 PM UTC
E nesta tarde em que a chuva cai madura
Pego nesta folha e neste lápis de carvão
Rascunho esta tua suave pintura
Com a subtileza desta minha mão.
Quem desenha sou eu, feito alquimista
Que em ti sempre viu algo especial
Com estes meus olhos de artista
E esta minha sensibilidade radical.
Estou simplesmente apaixonado por ti
E p´ró papel, eu te levo p’ra te ter
P’ra sempre ficarás junto de mim
Nesta pintura que de ti estou a fazer.
E em teus olhos eu vejo acalento
Um brilho especial e muita alegria
Um dia destes chegará o momento
Em que ficaremos junto o dia-a-dia.
Este singelo papel é agora um tesouro
Porque nele está desenhada a tua imagem
És a face dum anjo que vale mais que ouro
Por mim criado em tua homenagem.
Venero-te com sublime fervor
Agora que és o meu quadro principal
Para sempre te darei o meu amor
Minha filha, minha princesa real.
Jun 6, 2013
Jun 6, 2013 at 5:43 AM UTC
Tendriled nightmares coil
Writhing blind knots
Restrict my inner vision
Peripheral blurred neuroses lurk
Morbid melodramas spin symbolisms
Of a tragic ending
Beyond the memory of moonlight
plaintive note of hope recedes
In the saturnine breeze
I am Lost to lower oscillation
Vestigial presence of the divine
Inert
My racing pulse thrums a dirge
for the waning day
You are the fulcrum
*Levo mihi per vestri lux
The arbitration of angels
My inner spirit luminesces
Hope regains her tenuous place
I turn my tearstreaked face
To the memory of light
**Amo Deus perficio lux
EGO mos orior iterum
TL Boehm
052608
*Lift me with your light
**Like God's perfect light, I will rise again
Aug 22, 2014
Aug 22, 2014 at 1:24 PM UTC
poeira, estrela
Disperso-me no lençol infinito
Vendo-as pintadas numa tela
De tamanho não restrito.
Nébula, lua
Anos-luz de distância
compõem a verdade
nua,
crua,
da nossa insignificância.
Mergulho na paisagem estelar
No cosmos mais profundo
Não sei se hei de abandonar
Mas nada pode justificar
Que permaneça neste mundo
sem o teu abrigo
E vai para além de mim
Tudo aquilo que persigo
Mas ainda assim,
Diz que sim,
vem até ao fim
Subo já o teu varandim
E levo-te comigo.
Nov 2, 2015
Nov 2, 2015 at 5:32 PM UTC
Percorro toda esta avenida
As folhas rodopiam
Um passo em frente
Um guarda
Silêncio
Agora sentado
Faço um cigarro
O olhar atento
do guarda
Uma tocha
levanto-me
Levo a garrafa
Dou um gole
Soletro palavras
ao sabor da brisa
Um poema
Um ideal
Uma vida
Sigo
Dou outro gole
Bem alto
Bem do fundo
Grito
“ ESTOU VIVO “.
Apr 3, 2014
Apr 3, 2014 at 6:12 AM UTC
Sigo
Moribundo
neste estranho Mundo velho
Levo
Um sonho
Uma guitarra,
e este livrinho de orações.
Apr 4, 2014
Apr 4, 2014 at 7:22 AM UTC
Does the left hand know
What the right does ?.
Left to it's own devices.
All thumbs.
The devil is in the details hidden in the palm. Between the lines.
1999
I left my heart right in the middle of San Francisco.
In 1999.
Mar 23, 2014
Mar 23, 2014 at 3:01 PM UTC
O fulgor do ódio incauto, a devastação em chama ardente, faz cambalear o ser andante. Carrego o que fiz do destino como se embalasse um filho morto. Um aborto deformado e coberto por repugnância. Engendrado em ventre seco. Fruto interrompido de um estupro incestuoso. Esquartejado pelo bisturi de um hospital clandestino e imundo. Levo as partes dilaceradas deste feto hediondo à boca, devorando-as, freneticamente saboreio o sangue ainda morno e a carne mole desossada, elas descem entalando pela garganta, me engasgo, tropeço, vou de encontro ao chão, superfície áspera de concreto, me fere a face queimando minha pele, me observo nu enquanto vestido, vejo transeuntes vivendo suas vidas pacatas, com suas roupas da moda, seus farrapos, com seus carros de passeio, populares ou de luxo, com seus apartamentos, suas casas, sobrados ou mansões, os vejo em bares, em igrejas, no trabalho, alegres, tristes, esperançosos, desiludidos, preocupados, já não pertenço a este lugar.
Ando léguas sem freio em meus devaneios, meus pés estão em carne viva, os calos sangram, continuo a caminhar carregando um destino morto, estou sozinho em uma estrada deserta, me desfiz de tudo. Abandonei qualquer esperança, qualquer desejo, o impulso me movimenta.
A estrada de terra levanta ao longe uma nuvem de poeira, a nuvem é carregada pela ventania em minha direção, a poeira adentra aos meus olhos como vidro cortante, tento me proteger me encolhendo em posição fetal, está escuro, e mais, meus olhos não conseguem se abrir, a tempestade de poeira já passou, restando apenas uma bruma que permanece sem alvoroço, mas que se misturando com a noite transforma-se em uma parade opaca, intransponível, impossível de se enxergar através, algo parece se mover dentro dela, e trazer de volta a tempestade, está se aproximando de mim rapidamente.
Um ônibus velho e cheio de ferrugem pára ao meu lado, escuto o ranger metálico estridente das portas se abrindo, todos os meus pêlos se arrepiam, sou derrubado novamente à realidade, à estranheza deste evento inesperado, mais uma vez o impulso me guia, pela primeira vez desde aquele dia sinto medo, pânico. Qual ser atroz faria ali, no meio do nada, esta parada insidiosa? O interior do veículo está completamente coberto pela poeira e a escuridão.
Nov 7, 2018
Nov 7, 2018 at 12:57 AM UTC
Sinto ainda seu cheiro
Escuto ao fundo sua voz
Toda noite te encontro,
Em meus sonhos.
Um sonho que mantenho vivo,
enquanto vivo eu mesmo estiver.
Aonde eu estiver,
te levo junto de mim.
Te levo junto a mim.
Te tenho junto a mim?
Sou junto a ti.
Aonde estiveres.
Somos enquanto for
enquanto eu for
aonde eu for.
Mas sou?
Quem sou?
Vou ali me encontrar,
para te encontrar.
Aonde for
aonde eu for….
Vou viver meu sonho.
Aug 9, 2018
Aug 9, 2018 at 12:59 AM UTC