"inteiro" poems
Tuas parcas impressões não me comovem
Irrito-me a cada interrupção gentil que tu fazes e
Devoro a mim mesmo em lúgubre fome,
A lamentar o que de bom poderia ter feito
Se e se
Mas
Às três da tarde
Apodreço numa cadeira áspera
Quase tão fétido quanto a fruta do vômito
Passada do ponto de colheita
Às cinco da tarde
Eu já sou molho estragado
Setenta por cento aglomerado literal de leucócitos degenerados
Pus integral
Ao cair do sol,
Sou um alface hidropônico
Pronto para ser vendido, lavado e comido por ti
Interruptor imbecil.
Voltar-me-ei ao mar
Ao esgoto
Num estado de paz surda
A solidão é um inspirar sufocado
Sufoca
Oxida as ideias
É tortura comodamente induzida
Se hoje fervilho, é sorte
Pura boa-aventurança;
Pois do profundo cócito
Fui e voltei
E cá estou
Inteiro
Longe dos dentes de Deus.
Sep 28, 2014
Sep 28, 2014 at 5:16 AM UTC
Eu sou o vazio
As estrelas e o fim do mundo
Eu sou o nada
Que engole o nada
Eu sou o vazio
Que não tem início nem fim
Eu sou o nada
O nada absoluto
Eu sou o vazio
A escuridão mais escura
Eu sou o nada
A parte mais vazia de mim
Eu sou o vazio
Meu corpo inteiro é nada
Eu sou o nada
Minha vida é toda de vidro
Eu sou o vazio
O universo saiu de mim (me abandonou)
Eu sou o nada
E agora estou sozinho.
Jan 20, 2017
Jan 20, 2017 at 6:28 PM UTC
Não há no mundo inteiro,
Sensibilidade nobre e grata,
Amor terno e verdadeiro,
Fio de ouro e prata.
Amor que alguém sente,
Carinho sempre infinito,
Prazer inédito e constante,
Flores, ramo bonito...
Nossa mãe Maria,
Flores doces e reais,
Beijos dados com alegria,
Querida por mim e teus pais.
Vic Alex
Apr 19, 2010
Apr 19, 2010 at 3:39 AM UTC
Assim como eu... milhões
Sou só e somente mais um
Deixem-me viver em meu universo complexo
Cada qual com o seu, e seremos felizes
Mas não me venham a se queixar
Não se debatam sobre mim
Se quero o intangível...
é porque posso vê-lo
Rogo: vá cuidar de seu universo complexo!
Se sou tão complexo...
É Porque sei quem sou:
Eu sou o grande observador
Eu sou o homem
E enquanto os homens viverem sobre a Terra
e enquanto os rios correrem limpos ou sujos
Enquanto minha expansão se expande
continuarei observando, sendo eu... um homem. Um observador. Um universo complexo!
Jun 2, 2014
Jun 2, 2014 at 11:22 AM UTC
O quarto escuro e apenas a luz vinda de fora só me deixavam ver o contorno do seu rosto, mas eu ainda conseguia decifrar seus traços, o gosto molhado da sua boca, a textura do seu cabelo.
Experimentava seus lábios, tão feroz quanto o vento quando toca as flores, fazendo-as exalarem seus perfumes, assim como o seu gosto o fazia em mim.
Desfrutava de todo o tato possível, e pelos seus braços, caminhava uma das mãos, enquanto eles se envolviam e se apaixonavam pelo meu corpo, abraçando-o forte, como um leão agarrando sua presa.
Seus beijos me completavam e me envolviam, tal como a mais fina seda do mais belo vestido cai perfeitamente no mais maravilhoso corpo de mulher. Seu cheiro doce, de pele morena, sufocava toda a hesitação que ainda me restava e me fazia entregar-me por inteiro. Suas mãos teimavam em bagunçar meu cabelo que, envolto em seus dedos, se realizava por encontrar tanta obstinação vinda de um único conjunto de dedos.
Por um momento, antes de dar-me um outro beijo, me olhou nos olhos, com olhar de pescador que foi fisgado pelo canto da sereia e, de repente, nada mais existia.
May 17, 2013
May 17, 2013 at 7:20 PM UTC
A paz inexistente em mim
Gaivotas voam como se em eterna harmonia,
A paz é inexistente em mim, não tenho alegria,
Milhões vivem em fedorenta Guerra,
Desgraçados são os homens desta terra.
A paz tenho no sono sem vontade,
Tenho que tentar contra a realidade.
Crianças com fome,
Pais sem nome.
A paz depende de ti meu companheiro,
O pedinte pede o dia inteiro.
Num mundo sem preconceitos,
De malícia e obscuridade,
Ingrato e sem verdade,
A que paz estamos sujeitos?
Seres maltratados e humilhados,
Luta tu pela paz inexistente,
Hoje amanhã e sempre…
Victor Marques
Dec 14, 2011
Dec 14, 2011 at 11:30 AM UTC
Havia uma garota
E um garoto
eles eram melhores amigos
Ele gostava de música boa
Ela era nova e não sabia muito sobre muita coisa
Ele vivia intensamente
Ela mal sabia como beija
Ele sofria muito, pois sabia demais
Ela era feliz, pois era jovem
Ele vivia em um mundo fechado
Ela queria saber como era esse mundo
Ele era muito fechado
Ela era curiosa
Ele resolveu se abrir com ela
Ela ficou fascinada pela dor dele
Ele deu a ela a confiança
Ela se apaixonou por tudo sobre ele
Mas ele só se abriu com ela
E por mais que isso fosse algo grande
Se abrir não era um código para paixão
Era apenas o que era
Ela guardou toda a dor dele dentro dela
Fez daquela dor parte dela
Descobriu as coisas
Escutou música boa
Dali então ela era quem mais sofria
Pois tinha a dor dele, dela e do mundo inteiro
E não havia ninguém para se abrir
Jun 29, 2013
Jun 29, 2013 at 11:56 PM UTC
Marinheiro, marinheiro
Você perdeu sua âncora
Você perdeu seu atlas
Marinheiro, marinheiro
Você matou seus companheiros
E não há lugar em terra para você
Marinheiro, marinheiro
Te disseram para nunca mais voltar
Te mandaram parar de respirar
Marinheiro, marinheiro
E toda dor que você sentiu?
Você perdeu seu coração?
Marinheiro, marinheiro
Eles te odeiam
Você é a própria morte, dizem eles
Marinheiro, marinheiro
O alfaiate e o jovem da meia-noite estão em paz?
Seus fantasmas ainda o perseguem?
Marinheiro, marinheiro
Você perdeu o receio daquele barco?
O velho barco quebrado que é você
Marinheiro, marinheiro
Você sentiu o cheiro de casa?
Seus companheiros estão em terra
Marinheiro, marinheiro
Como você navega pelo desfiladeiro?
Como você luta com o desespero?
Marinheiro, marinheiro
Eu achei sua âncora e seu atlas
Mas eles pertencem a outro senhor
Marinheiro, marinheiro
Você desistiu do seu destino?
Você abandonou sua tripulação
Marinheiro, marinheiro
Onde será seu enterro?
Porque você está morto afinal
Marinheiro, marinheiro
Se eu disser que te odeio
Pois você abandonou sua tripulação?
Marinheiro, marinheiro
Você me responderia
Se eu dissesse que te odeio?
Marinheiro, marinheiro
Se você está morto afinal
Porque eu sou um fantasma?
Marinheiro, marinheiro
Onde seu coração está?
Porque eu não quero mais sofrer
Marinheiro, marinheiro
Quem é você afinal?
Porque eu sou um espectro de quem você foi
Marinheiro, marinheiro
Se eu matar meus companheiros
E abandonar a tripulação
Marinheiro, marinheiro
Eu vou ser livre do desespero?
A escuridão vai me abandonar?
Marinheiro, marinheiro
Por que eu sou tão triste
Se sou um fantasma solitário?
Marinheiro, marinheiro
Eles dizem que você é o pior
Aquele que nunca deveria ter existido
Marinheiro, marinheiro
O que isso diz sobre mim?
Se você, afinal, não tivesse nascido
Como eu poderia estar aqui?
Marinheiro, marinheiro
Se você recuperar sua âncora e seu atlas
Se você recuperar sua tripulação
Você me aceita?
Marinheiro, marinheiro
Se você estiver vivo afinal
Você me empresta seu nome?
Porque eu estou cansado de sofrer
Marinheiro, marinheiro
Se eu for seu herdeiro
Você me deixa navegar naquele velho barco?
Marinheiro, marinheiro
Você me deixa ser a própria morte?
Porque eu não quero mais sofrer.
Marinheiro, marinheiro
Você permite que eu seja apenas um fantasma
Vagando sem rumo pela escuridão?
Marinheiro, marinheiro
Você permite que eu me mate
Para não fazer mais ninguém sofrer?
Marinheiro, marinheiro
Por que tudo mudou?
Era mais fácil quando todos éramos sonhadores
Marinheiro, marinheiro
Eu quero ser novamente um marinheiro
Para que eu sinta o cheiro de casa
Marinheiro, marinheiro
Se eu não sou mais marinheiro
Eu posso abandonar o barco?
Marinheiro, marinheiro
Eu quero abraçar o mar
Marinheiro, marinheiro
Eu quero sangrar com o mar.
Marinheiro, marinheiro
Eu quero entender por inteiro
Por que eu deixei de ser marinheiro
Marinheiro marinheiro
Eu vou virar seu companheiro
Vamos estar mortos afinal.
Dec 3, 2016
Dec 3, 2016 at 6:39 PM UTC
A existência de Deus
A escola da vida nos conforta,
Deus mora sempre á nossa porta,
Oramos aos anjos e perdoamos aos ateus,
Vivo com a existência de Deus.
A Ressureição do homem é divina,
O seu amor me fascina,
A existência de um Deus verdadeiro,
Ilumina o mundo inteiro.
A existência de um Deus vivo,
Por nós amado e querido,
Honramos Te Deus bendito,
Pois sois Verdade e o meu grito.
Victor Marques
Apr 24, 2012
Apr 24, 2012 at 12:35 AM UTC
Como um ser humano qualquer precisa de água
Ela precisava da presença de alguém
Ou acha que precisava
Acreditava que só na presença de outro
Podia ter uma saúde mental
Acreditava que sofrer era o remédio
Fazia das palavras dos outros lei
Vivia em função de uma imagem
E por dentro entrelaçava os sentimentos de abandono
Sentia-se sozinha no mundo
Sem fé
Sem amor
Mal sabia que não havia sido abandonada pelo mundo
E sim que vivia em um mundo abandonado
Seus sentimentos de solidão não eram seus
Era de todos
Pois vivia sozinha junto com o mundo inteiro
Jul 5, 2013
Jul 5, 2013 at 8:31 PM UTC
Macia tua carne negra
Fora, borracha
Emputrefa, dentro
Exausta estás
Ensimesmada em tua idiossincrasia
Pelo gosto do vermelho
Ou ódio seria?
Não sabes
Resiste e sofre
Mas gargalha estridente
Porque Desgraça é teu nome
Dos outros está para todos
De mim, para mim inteiro
Insaciável engole-me assim
Mas regurgita e berra
A desejar em segredo
Seu último fim
Contrastes se calam
No teu ***** e no meu
Nessa dança macabra
De uma pessoa só
Nov 23, 2015
Nov 23, 2015 at 8:55 PM UTC
Beijou-me
e imediatamente senti seu gosto amargo
sob minha língua.
Tragava teus sentimentos
para um presente distante.
Não importava o ontem;
não importará amanhã.
Seu nome, seu número,
sua memória,
seu endereço virou canudo
e me levou pra outra toca.
A história, sempre a mesma:
Um curioso, um coelho,
Um papel, um chapeleiro,
Uma toca, o mundo inteiro.
Sentia meus pensamentos voarem;
de copo em copo, trago em trago, tiro em tiro,
mais e mais
pra aquele instante.
Por vinte minutos...
ou doze horas.
Não importa;
o doce sabor do seu néctar lisergia
não tocou os fios loiros da Aurora,
já não está aqui agora.
Jul 1, 2015
Jul 1, 2015 at 6:10 PM UTC
Me perdi por inteiro,
Seu olhar certeiro,
Me ensinou a amar!
Você veio com jeito,
Me balançou devagar...
Eu deveria saber,
Que tu é veneno,
Ao encontrar se te aperto,
Podes me matar...
O que eu faço moça?!
Se num instante te amo,
E no outro passo a te odiar?
Apr 6, 2016
Apr 6, 2016 at 4:49 PM UTC
Sou vento, mar, terra
Sou corpo, carne, ossos
Sou tudo o que há.
Feito de estrelas, feito de nuvens
Com cheiro de chuva, fumaça e ferrugem.
Sou a pedra no caminho, o perfume das flores
O amor, o ódio, a saudade e a morte.
O canto dos pássaros, a contagem do tempo até o fim
Não sou um, sou milhares, com um mundo inteiro dentro de mim.
Não imortal, mas infinito.
Aug 13, 2016
Aug 13, 2016 at 11:50 PM UTC
Estamos sempre à procura, sigo tentando entender o motivo de querermos sempre estar com alguém, penso eu que em todas as ruas dessa cidade as vezes barulhenta e as vezes calma, tem alguém olhando ao redor a procura daquele amor, que é tão leve como a brisa de um vento. São duas da tarde e eu ainda nem almocei, porque fico procurando motivos para me movimentar nesse dia tão calorento. Ingerir algo pra me nutrir parece ser um bom motivo, mas nesse momento nem isso estou fazendo questão. A procura continua, porque agora já são duas da manhã e eu ainda não to satisfeita, pode ser porque não comi nada o dia inteiro, ou algumas línguas irão dizer que é porque eu ainda preciso aprender a me amar mais... acho que acredito mais na segunda opção mesmo. A questão toda é: sair pra jantar e talvez te achar ou ficar em casa pra me encontrar? Ultimamente tenho feito as duas coisas, tento me encontrar no meio desses livros e incensos acesos, ou até por meio dos sonhos, que muitos já me mostraram onde estou, só não sei pra onde preciso ir, talvez seja jantar mesmo, vai que nesse caminho das ruas dessa cidade eu me encontro e de quebra te acho.
Jan 26, 2019
Jan 26, 2019 at 11:59 AM UTC
toda noite deito minha cabeça no travesseiro
viajo em minha mente como um passageiro
sonho com o inalcançável e me perco por inteiro
se não me identifico com a vida real
se meu eu só é contemplado no surreal
há algo em mim que é verdadeiro?
Oct 30, 2020
Oct 30, 2020 at 12:40 AM UTC
te imaginar nos braços dela é pior do que a urticária gravissima que tive quando comi ameixas
imagina um mundo inteiro se colapsando
a gravidade de repente se extinguiu e tudo começa a despencar
gente cachorro edifício monumentos
e até mesmo a água do mar
parece que é isso
que acontece no meu peito
um buraco *****
a engolir continentes inteiros
Feb 6, 2023
Feb 6, 2023 at 11:13 PM UTC
cada palavra antiga que leio
cada emoção que remexo
relembra toda a dor empacotada
naquele conjunto de palavras sentido
aquele sabor de amargura na boca
aquela sensação de cegueira
sem conseguir respirar
sem conseguir ser aquilo que realmente era
com vontade de rasgar-me a pele
vontade me trancar longe do mundo
de nunca mais cantar a dor do peito
e não voltar a ter que querer.
esta crueldade que é amar
esta rudez que é sentir a intensidade de mil mares
apenas rompe o mundo inteiro de dentro de mim
apenas salta para fora um coração remendado
durante anos que vou lavando a alma
de toda a dor sentida,
de todos as vezes que me partiram mais um pouco,
de todos os cacos que tive de apanhar,
de todas as lágrimas.
de todas as vezes ergui-me
e a esperança ainda se mantêm intacta
ingénua
de que um dia mudará, nem que seja temporariamente
que não seja um final doloroso e sombrio
que seja só um virar de página, sem precisar de a rasgar.
Mar 21, 2020
Mar 21, 2020 at 4:50 PM UTC
Apanhei um vírus.
O seu nome é fácil de dizer
Para meu espanto!
mas não o quero pronunciar.
Talvez sejas um vírus.
Um pequeno ser que,
Quando encontrou este hospedeiro,
Reproduziu milhares de cópias idênticas
Que se alastraram rapidamente
Pelo meu corpo inteiro.
Calma, não te deites tanto abaixo!
Nem todos os vírus nos deixam doentes.
É engraçado,
Irónico talvez,
Como alguns vírus
Nos protegem da própria doença.
É engraçado,
Irónico talvez,
Como todas as vacinas
Contem nelas o próprio vírus
Do qual te tentas defender.
É engraçado,
Irónico talvez,
Como nem tudo o que soa mau
O chega realmente a ser.
Mar 5, 2022
Mar 5, 2022 at 12:55 PM UTC