"ficando" poems
A noite chega, soturna, calada. Os remédios parecem não fazer efeito. Sozinho novamente com meus pensamentos, embalado pelo som do ventilador e das batidas do meu coração.
Nao sei porque ele insiste em bater, parece um esforço inútil.
As horas passam lentamente, como nos movimentos de uma duna. A areia do tempo descendo vagarosamente pela ampulheta. Se ao menos pudesse ver. Me sinto cego, queria eu estar cego?
Minha decepção só não é maior que a decepção que causei.
Não há lugar aqui senão neste papel para a dor, uma fraqueza que todos tentam esconder - por questão de sobrevivência provavelmente. Os amigos poucos que me restam seguem suas vidas enquanto tento ser feliz, ao menos por eles.
Saudade aqui toma outras formas, como uma tortura ao melhor estilo Stanley
Kubrick em “Laranja Mecânica”, em que as imagens passam repetidamente por minha cabeça sem que eu possa fazer absolutamente nada.
Família, amigos, amores, à distância de uma chamada, uma chamada. Para quem ligar, como?
O cárcere em sua pior faceta, o isolamento social. Conto nos dedos de uma mão as pessoas com quem consigo manter uma conversa. Mesmo assim nao consigo conversar, a cabeça e o coracao nao estao aqui, eles fugiram, estão lá fora, espero que a minha espera.
Outro cigarro, mais um café. Quantos mais, quantas mais palavras? A caneta e o papel são meus melhores amigos, às vezes até me entendem. Monólogos em horas, diálogos em outras.
Me pergunto qual seria o limite entre a sanidade e a demência aqui. Se é que existe um, estou eu ficando são ou louco?
Nao era quando cheguei, provavelmente foi o que me trouxe aqui, agora só me resta um caminho a seguir e tenho que achá-lo sozinho.
Não tenho arrependimentos, aqui não há lugar para eles, há agora um só caminho a seguir, em frente! Adiante!
Aug 14, 2018
Aug 14, 2018 at 1:08 PM UTC
O vento sopra por entre as folhas que vão caindo lentamente, o chão vai ficando como uma esteira dourada, a pouco e pouco as árvores vão-se
desnudando, deixando a descoberto, todo aquele tecido que as envolve num mistério tal. Envelhecer!
Sim é um pouco isso, deixar de parte as máscaras que nos encobriam desde a juventude, e tornar público, aquilo que realmente somos, deixar
ver as rugas de um tempo ido e recordado, deixar transparecer a pura essência que realmente somos.
Apreciamos num quadro as fissuras da tela, marcas de um tempo que teima em passar. Se assim é, porque é que não aceitamos o nosso envelhecimento, como fissuras em tela antiga?
Talvez porque é aqui, que pela primeira vez somos realmente nós, sem sombra de dúvida, talvez porque, simplesmente o receamos. Talvez tenhamos receio de olhar de frente o espelho da vida e ver que não voltamos mais a ser crianças.
Jan 11, 2014
Jan 11, 2014 at 6:27 PM UTC
nós somos pássaros desajeitados
e pássaros desajeitados têm que começar a voar cedo
como diz o ditado chinês
estamos no chão
cercados pelas folhas e pelos predadores
nós fomos derrubados do ninho
ninguém se importa
mas não vamos ficar aqui
vamos voar mais e mais alto
e muito, muito distante
nós somos pássaros desajeitados
e nós sempre voamos ao amanhecer
para que ninguém possa nos ver cair
e se isso acontecer
que eles vejam que estamos dando o nosso melhor
e o chão está ficando mais distante
e o céu mais perto
e podemos tocar as nuvens
e não vamos voltar
porque nós somos pássaros desajeitados
e pássaros desajeitados têm que começar a voar cedo
como diz o ditado chinês
vocês viram, irmãos e irmãs?
nós somos os pássaros desajeitados
e nós estamos voando
Sep 13, 2016
Sep 13, 2016 at 9:04 AM UTC
Vivo na eterna incerteza das coisas boas.
Tal como a dor, a felicidade passa e os anos também. Vão ficando cada vez mais memórias e mais pessoas para trás. Vamos cada vez tendo mais passado do que futuro.
A nossa hora chegará.
Às vezes sento-me sozinha, penso e vejo os anos passar por mim... Já estou cansada e ainda só passaram 14 daqueles todos que irei viver...
Mar 31, 2014
Mar 31, 2014 at 2:10 PM UTC
Vivo na eterna incerteza das coisas boas.
Tal como a dor, a felicidade passa e os anos também. Vão ficando cada vez mais memórias e mais pessoas para trás. Vamos cada vez tendo mais passado do que futuro.
A nossa hora chegará.
Às vezes sento-me sozinha, penso e vejo os anos passar por mim... Já estou cansada e ainda só passaram 14 daqueles todos que irei viver...
Jul 1, 2014
Jul 1, 2014 at 10:50 PM UTC
Nós somente vivemos sem nos aperceber,
Que temos vida depois de morrer.
A morte faz parte da caminhada,
A morte afinal não é nada...
Existe uma continuidade na nossa história,
Ficando no mundo a derrota, a vitória.
Eu continuo eu,
Sem prejuízo do que é meu.
A morte nunca é nada comparada com o que tenho vivido,
Ressuscito com amor tudo que me amou com serenidade e sentido.
Nossa consciência permanente e inalterada,
Com a morte uma possibilidade à vida será dada.
Algo me faz acreditar que viverei eternamente,
Feito futuro, passado, presente.
A morte é apenas uma transformação,
Uma passagem para outra dimensão.
Nesta vida haja esperança, espiritualidade,
Misturada de amor pela humanidade.
Com amor, verdade, feito espírito da luz,
Me elevarei ao Céu com Deus, com Jesus.
Victor Marques
May 10, 2023
May 10, 2023 at 4:17 PM UTC
Por do sol ao entardecer ,
Dando luz para anoitecer,
Passarinhos a chilrear,
Horizonte beijando o luar...
Sorrateiro tu pareces também adormecer,
Bendizendo o céu aberto sem querer.
Sol mais brilhante com ênfase em suas cores,
Arco íris de Deus, do mundo, dos amores.
Avermelhado com laranja misturado,
Coberto com um manto sagrado,
Nuvens brancas num céu azulado,
Com o vento também a seu lado.
Por do sol que cobres a superfície terrestre,
Te escondes na direção oeste.
Sonho bom que tu já tiveste,
Apareces de manhã no horizonte
Vindo de leste.
Com ilusão de ótica eu te quero contemplar,
Ficando com o brilho sobre as ondas do mar .
Pareces que foges do mundo somente,
Por do sol do universo resplandecente.
Victor Marques
Jun 15, 2023
Jun 15, 2023 at 4:09 PM UTC