"festas" poems
No rosto leproso da noite, ventos giram cartas como quem não quer nada/ Ou talvez vultos guardam melancolia no quarto branco/ Oh! tão bom beber hálito gelado da lua junto aos antepassados, lá se vão fugidios das estrelas; sete são. Os mais jovens, no rio, colhem cristais & dançam ( ritual veludo puro, sombra azul circula)/ Rápido, múltiplas festas ecoam do infinito, este cínico pastor poda asas feridas; mãos sagradas dos mortos & dos mitos/ Bebemos & cantamos, no colo floresta desnuda/ Neste banquete vermelho, virgens dão o toque úmido & todos os santos saboreiam o útero/ Sob o aconchego do delírio a loucura desfila, santa de todos os dias!
Feb 28, 2012
Feb 28, 2012 at 4:28 PM UTC
Nova Andradina, meu moinho
Sua gente me recebeu com carinho
Lembro-me de cada rua e praça
Ali construí uma vida cheia de graça
Domingos entre amigos e festas
Passeios pelos seus rios e florestas
Sábados aminados em seus bares
Papeando com os tipos populares
No caminho do trabalho aventuras garantidas
Na “Escola Agrícola” se vai parte da minha vida
Ali fiz amigos e tenho estudantes incríveis
E aprendi com as mais situações horríveis
Política, cultura, dia-dia e aventuras
Aproximaram-me da vida dura
Que esse povo forte e lutador
Ostenta com graça e esplendor
Aqui somente abri portas e janelas
Aprendi o preço da liberdade
Descobri a força da vida e da solidariedade
Para sobreviver às contradições e querelas
Jan 13, 2015
Jan 13, 2015 at 12:39 PM UTC
Sinto as bicadas me despedaçarem lentamente
tudo que elas levam - eu sei - nunca voltará
mas talvez
seja melhor assim
É melhor que isso chegue ao fim e que não se possa mais sentir
como a dança dos planetas
que a gravidade insiste em atrair
no marasmo eterno das festas
pois liberdade é solidão
igualdade é utopia
e amizadade é grilhão
Retalhos remendados removidos mastigados como por um punhal com cheiro de violetário verdadeiro
E com um sorriso agonizante
migalhas de Nietzsche na cabeça
jovem e bem vestido
Caso-me com a morte
Jul 1, 2015
Jul 1, 2015 at 5:41 PM UTC
Lágrimas escorrem,
Está frio aqui.
Não tenho mais seu beijo,
Se é que o tive um dia.
Não tenho nem desejo
De viver, nessa melancolia.
Tudo tão amargo,
Eu precisava de um doce,
De açúcar, de balas e festas de criança.
Mas estou só na minha sala,
Um coração partido me acompanha.
Derramei vinho no tapete,
E deixei cigarros espalhados.
Não vivendo tão intensamente,
Que acabei vivendo...
Jul 14, 2015
Jul 14, 2015 at 9:13 PM UTC
Penso nas giestas floridas que sempre olhei,
Amarelas, pueris e sempre brancas,
Olhava para elas e eram tantas,
Saudades que para elas eu deixei.
Penedos que eu trepava com ousadia,
Sobreiros que eu subia,
Ribeiros onde eu nadava ingénuo,
Sem pudor ou amor feito engano.
Caminhadas com rebanhos que não crias,
Sentimentos que não sentias,
Turbilhões de ideias que teu ser comprometia,
Vivendo na esperança de ter o que não podia.
Saltava as fogueiras nas noites de luar,
Nas festas de Santo António gostava de dançar,
Colhia flores com mãos inocentes,
Recebia tudo como belos presentes,
Dormia com sonhos nunca vividos,
Acordava com meus entes queridos.
Pensava eu que viver era ousadia,
Não percebia a tristeza e alegria.
Fui criado num ambiente sagrado,
Vivia sem sombra de pecado.
Era terno, amigo, simples com amor,
Se pudesse escolher o nome seria flor.
Victor Marques
Jun 9, 2022
Jun 9, 2022 at 2:14 PM UTC