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"estranhos" poems
Canção Do Verbo Encarnado *** Minha geração foi assim, começou pelo quando e acabou pelo fim. O amor escorreu pelos cantos e quando cantamos a canção do amor armado, Thiago de Melo estava em Berlim mergulhado no verde dos olhos da alemãzinha da ACNUR , nossa orquestra saiu de cena e nossa guerra de guerrilhas acabou no maior calor... O suor que expelia seu odor era o suor frio dos tiranos nos porões mórbidos da ditadura executando nossos irmãos. O ar jazia cheio de sangue e nós estávamos congelados nas câmaras de gás dos IMLs. Vínhamos de todos os lados, desde os vales profundos do Ribeira, das chapadas mais íngremes do Araguaia ou dos guetos subumanos da urbe. Éramos nós o odor de fumaça que agredia as narinas alheias com a catinga de carne queimada. Éramos nós o encanto das canções de protesto cantadas na avenida com euforia para engendrar os projetos do futuro, como somos nós os ignorados da história, os estranhos os comícios, a cadeira vazia das reuniões oficiais, pois somos nós que chegamos e partimos sem ninguém saber quem somos e que vamos lá adiante, distantes da balburdia alienante e quando vós menos esperais somos nós que nos imolamos às vossas portas contra a apatia com que nos matais. Como todos vós podeis ver, a minha geração é assim: começa pelo quando e acaba pelo fim, mas não fica à toa na vida pro seu amor lhe chamar e ver a banda passar tocando coisas de amor... ***
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Apr 24, 2015
Apr 24, 2015 at 12:30 AM UTC
Canção Do Verbo Encarnado * Antonio Cabral Filho - Rj/Brasil
Havia uma garota, eu a observava de longe Nós éramos da turma dos invisíveis Ela não me via, mas eu a enxergava Havia uma garota e ela era linda Havia uma garota e ela era tudo Havia uma garota e então não havia mais nada Havia uma garota e ela era da turma dos populares O típico esteriótipo "high school" americano Havia uma garota e quem ela tinha sido Havia uma garota e quem ela era Havia uma garota e ela era vazia Nós éramos estranhos orbitando o mesmo sistema Havia uma garota e eu a amava Então ela mudou Virou de larva a borboleta Só que não foi bonito E então só havia o vazio Havia uma garota e então não havia mais nada Em seu lugar só restou uma despedida Um pedido desesperado de ajuda Havia uma garota e ela era triste Havia uma garota e ela era invisível, mesmo sob os holofotes Havia uma garota e ela era solitária Nós não éramos ninguém para os outros Mas eu a enxergava E então havia um garoto Que ficou com as últimas palavras dela Havia alguém que se importava no final Então havia eu
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Jun 30, 2017
Jun 30, 2017 at 4:55 PM UTC
Havia uma garota