"escura" poems
Espero a madrugada
A noite escura estava cansada,
De esperar pela madrugada.
O galo ansioso por todos despertar,
Eu abandono-me a este fenómeno peculiar.
No ermo onde existe um Senhor da Boa morte,
Noite escura em Castanheiro do Norte.
Os cedros parecem ter luz,
Eu perdido no silêncio que seduz.
A noite aqui é simples, singular,
A madrugada de encantar.
Candeias de outrora, cavalos e suas ferraduras,
Madrugada de anseios e aventuras.
O vento sopra solitário e as mimosas são fustigadas,
As madrugadas que tantas vezes foram madrugadas.
E eu aqui sozinho espreito com curiosidade,
Uma madrugada sem tempo nem idade.
Victor Marques
Feb 18, 2014
Feb 18, 2014 at 9:46 AM UTC
Penso em ti
Noite mal dormida sem sono nem vontade,
Calor do teu beijo dá felicidade,
Açucena flor campestre florida,
Estrela do céu esquecida.
Tu tens magia sem censura,
Pinceladas nos teus olhos,
Boca sem sede com eterna brancura,
Candeia acesa na noite escura.
Pareces uma onda sem espuma,
Uma borboleta e até coisa alguma?
Um horizonte que não se abraça,
Uma nuvem que nunca passa.
Tu tens a melodia eterna,
Pureza de água cristalina,
A serenidade de uma donzela enfeitiçada,
Fazes parte de mim e da minha caminhada.
Victor Marques
Aug 30, 2010
Aug 30, 2010 at 7:37 AM UTC
Eu sou o vazio
As estrelas e o fim do mundo
Eu sou o nada
Que engole o nada
Eu sou o vazio
Que não tem início nem fim
Eu sou o nada
O nada absoluto
Eu sou o vazio
A escuridão mais escura
Eu sou o nada
A parte mais vazia de mim
Eu sou o vazio
Meu corpo inteiro é nada
Eu sou o nada
Minha vida é toda de vidro
Eu sou o vazio
O universo saiu de mim (me abandonou)
Eu sou o nada
E agora estou sozinho.
Jan 20, 2017
Jan 20, 2017 at 6:28 PM UTC
Este insólito e inaudito conjunto de explosões atemporais,
inobservável a longas distâncias,
é, factualmente, o tecelão da portentosa dimensão da mente.
Abundantes vozes desnorteadas,
obscuras e perturbadoras, nela se fazem existir.
São vozes que são sentidas,
vozes sombrias que escrevem.
Vozes pelas quais fui, eu próprio, desenhado.
E criado para navegar,
parti para o mar em busca das partes que me faltavam em terra firme.
Fragmentado,
nas mais diversas ilhas - paradisíacas e apocalípticas -,
nas profundezas e no horizonte azul,
busco, ainda hoje, estilhaços e peças escassas perdidas;
Cotidianamente,
ao acercar da noite,
os sons de batalha tendenciosamente indicam direções para não seguir,
e ainda que mantenha sem medo o controle das velas,
os ventos insistem em dizer aonde ir...
Pois que seja! "Navegarei com todos eles!"
'Placebo ou morte?'
O que minha tripulação anseia não importa,
ela tampouco existe.
Nesta irremediável transposição constante de caminhos,
sem o reconhecimento de qualquer lógica postulável,
oscilante, transgrido e navego ainda por mares intergaláticos.
E nesta imensidão extraordinariamente escura do cosmos,
carregando a experiência daqueles oceanos pesados e profundos,
me encontro a observar, sempre ao longe, uma fagulha,
ínfimo ponto que se faz visível.
Em sua direção,
continuo a jornada do pouco infindável
dessa dimensão que permanentemente remanesce como o desconhecido.
O mais próximo e o maior ângulo possível
para apreciar esse pontual, eterno e único nascer da super nova,
eu encontrarei.
May 12, 2013
May 12, 2013 at 9:52 PM UTC
Marcas de uma noite escura
E uma perspectiva ferida
Pela agulhas de minha frieza
Chegaram a você
E a face que foi me dada
Está jogada em alguma esquina
Com impressões de olhares inferiores
Como faces de um bloco de notas
Eu vou me virando
Vou me virando
Essas alternâncias de oportunidades
São as ultimas coisas que eu queria ver
E com um grito sufocante eu admito
Eu sempre errei
Eu errei
E essa dor despertante
É uma especie de verdade que muda totalmente o caráter
Me fez perceber as paredes se erguendo
No único objetivo que eu foquei
Todas essas maneiras autodestrutivas
Todas essas inclinações para o fundo do poço
E agora eu sei, elas tem justificativas
E eu sei
Acusado de assassinatos impiedosos
Mas não sou que sou "um com a dor"
Que fui forçado a parar na beira da estrada
Porque é de lá que vim
E é para lá que sempre voltarei
Mas, meu deus
Lá é tão distante
E parece que acidentes agora ocorrem por lá
E todos os outros lugares
São cheios e me sufocam
Me sufocam
E eu sou tão inútil que a unica coisa que consigo pensar
É em uma mudança dos tecidos dos tempo
É eu sei
Sou um inútil
E agora sinto como se minha face
Não tivesse nenhuma ligação com os meus pés
E o meu corpo agora fica
Rolando em coisas que não eu não consigo acreditar
Mas eu tentei
Eu realmente tentei
Você sabe que eu tentei
Realmente tentei
Oct 29, 2015
Oct 29, 2015 at 4:26 PM UTC
A chuva
Chove intensamente esta noite na penedia,
Escuto e interiorizo melodia…
A noite está muito sonolenta e escura,
Eu vagueio em vales de ternura.
Chuva miudinha que nem molhais,
Regas vinhas, oliveiras de meus pais.
Pões escorregadios durienses rochedos,
Chuva de amor e seus segredos.
Chuva de um Verão com toque de Outono,
Cão vadio sem senhor e seu trono.
Chuva torrencial de águas paradas,
Chuva de contos e fadas…
Chuva que esbate em frente na pobre janela,
Cores de um arco-íris feito Cinderela.
Ritmo parecido com o toque do sino,
Chuva que cai ao desatino….
Victor Marques
Oct 1, 2013
Oct 1, 2013 at 12:08 PM UTC
Quero usar seu moletom
Quero acordar do seu lado
Quero tomar o café com você
Quero te beijar até não sentir minha boca
Quero te ver no meio da noite
Quero dançar na rua escura com você
Quero rir até minha barriga doer
Quero chorar de paixão
Quero seu abraço quando eu ficar triste
Quero ouvir músicas pensando em você
Quero morrer de saudades de você
Quero sofrer e ser feliz
Quero te querer
Seja lá quem for você
Jun 25, 2013
Jun 25, 2013 at 7:13 PM UTC
Bien puedo yo pintar una hermosura,
y de otras cinco retratar a Elena,
pues a Filis también, siendo morena,
ángel Lope llamó de nieve pura.
Bien puedo yo fingir una escultura,
que disculpe mi amor, y en dulce vena
convertir a Filene en Filomena
brillando claros en la sombra escura.
Mas puede ser que algún letor extrañe
estas musas de Amor hiperboleas,
y viéndola después se desengañe.
Pues si ha de hallar algunas partes feas,
Juana, no quiera Dios que a nadie engañe,
basta que para mí tan linda seas.
932
A melancolia do ser adormece a intenção de ressuscitar o movimento que nos mantém acordados.
Pertenço à lua com a mente e alma e com os pés à terra.
Não deixo que esta sensação de dormência me levite para outra dimensão, já que para lá vou a toda a hora.
Sinto-me presa a outro universo, sinto-me longe de onde estou.
Estou onde não devia de estar, distância permanente dirigida como um obstáculo intermitente.
Lanço à água a mágoa que aprisiona o coração. A alma quer ir atrás. Relembro-lhe que é a alma, juntamente com a mente, que me faz pertencer à lua. Sem ela não sou nada. Mesmo que escura ou a brilhar, eu não sou nada. A alma faz de mim um todo e com ela sinto-me viva.
O que somos nós sem a nossa essência?
Um vazio gigantesco. Somos um nada desprovido do todo.
Sempre que perder os pedaços do meu espírito em alma, perco pedaços de mim. Mesmo que esta já não seja pura, clara, límpida. Mesmo que já tenha habitado nela a escuridão, a obscuridade, a negridão, o abismo dos meus medos e receios. Sem ela sou um nada.
Purifico a alma. Com o que? Com amor. Amor por tudo o que amo e por todos os que me amam. Sentir-me de coração cheio limpa o ***** Ou pelo menos, ajuda.
De energia clarificada, deixo de novo a mente e a alma na lua e assento os pés na terra.
Feb 27, 2015
Feb 27, 2015 at 4:51 PM UTC
Tenho medo o tempo todo
Medo de salas de aula
Escritórios
De atravessar a rua
Bancos
De esperar o ônibus
Da rua escura, do beco
De ser passageira num carro que vai bater
Ou ver quem amo morrer
Tenho medo porque amo tudo descontroladamente
Amo até o ódio que cria em mim rebeldia
Que me faz desafiar os dias
Tenho medo do tempo
De te esperar na fila do cinema e você finalmente decidir que não é a mim que quer para ti
Apavoro só com o pensamento de voltar para casa com outra frustração
Eu não aguentaria, tenho medo de não aguentar
Tenho medo do abandono
Dos olhares
Até de altares
Que me lembram o medo de infância de que talvez houvesse um demônio em mim
Um medo neurótico, paralisante
Que nem por um instante
Me deixa refletir quem sou
Apr 14, 2017
Apr 14, 2017 at 9:13 PM UTC
Divaguei-as na escura noite
Indiferença
Navegas num mar de lágrimas
Abruptos pensamentos te avassalam
Segue o rio do teu pranto
Ergue-te em memória de outros dias
Reclama à vida
Reclama ao
AMOR
May 5, 2014
May 5, 2014 at 5:16 PM UTC
horizonte
um raio de luar
um túmulo escuro
um anjo vela na noite
e lágrimas caem eufónicas
no lodo desta existência mundana
e uma lanterna brilha
sobre a laje de pedra escura
Sep 8, 2015
Sep 8, 2015 at 6:12 AM UTC
Como si fuera cándida escultura
en lustroso marfil de Bonarrota,
a Paris pide Venus en pelota
la debida manzana a su hermosura.
En perspectiva Palas su figura
muestra por más honesta, más remota;
Juno sus altos méritos acota
en parte de la selva más escura;
pero el pastor a Venus la manzana
de oro le rinde, más galán que honesto,
aunque saliera su esperanza vana.
Pues cuarta diosa en el discorde puesto,
no sólo a ti te diera, hermosa Juana,
una manzana, pero todo un cesto.
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A névoa e a neblina escura
se misturam com a fuligem
a chama se extinguiu e
a fumaça carbônica adentra
as narinas daqueles que sofrem
chove nos olhos desses que
não entendem porque choram
talvez seja a irritação da fumaça
talvez seja a tristeza mais que profunda
Seria novamente o inferno que
ganhou uma nova paisagem desolada?
Outrora um pântano nojento e repugnante
Agora uma caverna vulcânica de enxofre e brumas
de veneno e morte
Voltei ao inferno e cá
estou perdido novamente
Os gritos nunca estiveram tão desesperados
A dor nunca se tornou tão angustiante
Arrepio toda a espinha
meu coração está estrangulado
minha voz está muda enquanto
meu grito interno é desolador
é tão tórrido que estou embriagado
é tão tórrido que estou congelando
e é tão tão frio que minha pele se queima
arranco com as unhas a minha própria
carne até encontrar meus ossos quebrados
estou quebrado, completamente quebrado
estou destruído e ainda
assim continuo a caminhar
Eu mesmo proclamo a minha profecia
Eu mesmo sabia o que estaria por vir
E esse sorriso triste-alegre carrega
o futuro que está chegando
Talvez banhar-me no Lethe não seja
o fim do mundo
Talvez esquecer-me de tudo
seja renascer como a fênix
a dádiva do Elísio
Por hora mergulho no profundo
da minha inconsciência
Por hora declamo para o mundo
Por hora me perco
Por hora me encontro
Por hora...
Mar 17, 2017
Mar 17, 2017 at 1:18 PM UTC
Fiquei feliz ao ouvir as chaves rodar na fechadura.
“Porque é que a cozinha está tão escura?”
“Tive saudades, tudo nesta casa me faz lembrar de ti.”
“Por isso apagaste a luz?”
“Aproxima-te. Porque é que ainda estás aí?”
Pegou-me pela mão, subimos a escadaria
Acabámos uma garrafa de vinho, duas talvez
Deitada,
A cama subia
Pelo menos parecia.
Acho que as garrafas foram três
“Amor, não leves as chaves outra vez.”
Nov 16, 2014
Nov 16, 2014 at 3:01 PM UTC
Ando pela rua
Escura, nua e vazia
Acompanhado pela lua
E por esta minha agonia
Da noite, eu sou o Senhor
Mas, porém eu suspiro
Minha imagem causa horror
Porque sou um
V a m p i r o
Feb 28, 2014
Feb 28, 2014 at 6:23 AM UTC
Poesia é fogo
É toque sedutor que seduz o mais fiel
Poesia são sonhos amarrotados no papel
Poesia arde ferozmente e me aquece
Aquece o meu ser gélido
Ela mata-me, cansa-me
Ela faz-me viver morto
Mas acima de tudo,
Ela ressuscita-me e ama-me
Ama-me como uma mãe cuida da sua cria
Como o sol beija a lua ao seu nascer
Ilumina a minha escura mente
Apazigua-me, levita- me e aquece
Pois poesia e fogo
Fogo onde quero arder
Pois sou o papel amarrotado
Assim sou iluminado
Pois poesia arde em mim até falecer.
Jul 21, 2017
Jul 21, 2017 at 6:17 PM UTC
Eu vi as nádegas da minha mulher sendo apertadas e abertas por mãos grandes e peludas enquanto um trombolho descomunal abria caminho à caverna escura que acredito nunca antes ter sido explorada.
Eu ouvi os ecos no corredor de nosso apartamento, de sons transmitidos pelo esgoelamento de suas cordas vocais delirantes e indiferentes à opinião da vizinhança. Provei o sabor acre da facada pelas costas sem derramar uma gota de lágrima ou de sangue.
Os braços estavam amarrados à cabeceira, sodomizada, num transe hipnótico engendrado pelo pecado. Não me viram entrando. Sentei-me numa poltrona, ainda imperceptível, quase inexistente, um magma quente borbulhava em meu estômago, um vulcão erodia em meu peito, sentia morrendo todos os meus valores, toda a minha compreensão de mim mesmo, faltava-me ar aos pulmões, faltava-me alma ao corpo, já não poderia ser compatível com a ideia de pecado, o ódio se apossava como um demônio em meu corpo obrigando meus braços a se moverem, um escravo arrastado por suas correntes, arranquei minhas roupas, meu pau ereto desprovido de qualquer amor, de qualquer sentimento humano, erguia-se pelo horror, pelo prazer perverso que se apoderava das minhas ideias, o que estaria por vir me excitava.
Aquele homem diante minha indiferença. Seu pau broxado pelo terror da minha imagem. Meu pau duro como uma muralha impenetrável, pontiagudo como uma estaca, atravessou seu peito como uma lança, empalado pelo ânus até a boca. Mudo como um peixe fisgado pelo arpão. Castrado engoliu seus próprios testículos.
Ela com a pele esfolada em músculo crú, estuprada como uma puta barata pelo meu punho a atravessar sua boceta seca, amarrada com suas entranhas gosmentas e fedidas de mentiras e recoberta por fezes, esquartejei em treze parágrafos seu falso discurso . Deixei sua cabeça largada ao canto daquele quarto sujo.
Estancaram-se me encarando. Nenhuma reação, nenhum movimento.
Nov 7, 2018
Nov 7, 2018 at 12:55 AM UTC
E tu, ansiosa por te afogar,
Foste apanhada na corrente
Deste teu precioso mar.
À superfície da água salgada,
Onde te deixavas flutuar,
Saíram das mais ínfimas profundezas
Mil duzentos e sete braços
Ansiosos por te abraçar.
Envoltos num corpo inanimado,
Não o deixaram recuar.
Nunca mais deu à costa,
Nem soube o que era respirar.
Pois peso morto sempre naufraga
E não há volta a dar.
Mas há coisas que não têm peso
E são mais difíceis de afundar...
Descem, e logo voltam à tona
Como se estivessem a ressuscitar.
Dizem que a mulher que lá entrou,
Naquele tenebroso mar,
Entrou criança
E foi feita sereia.
Não sei o que lhes deu essa ideia,
Talvez estejam obcecados com a mudança.
Talvez pela forma como o seu corpo balança
Por entre as ondas da maré cheia.
Quem espera sempre alcança...
Numa noite escura,
num silêncio de levar à loucura,
Num céu envolto em trevas
onde nem espreitava o luar...
Avistaram uma sereia em pleno alto mar.
Dizem que o seu canto,
Simultaneamente belo e perigoso,
Fazia qualquer homem desesperar.
Como sou mulher, cética e descrente,
Com olhar atento mas duvidoso,
Nunca cheguei a acreditar.
Iludidos!
Aqui está mais uma prova,
Os homens são muito fáceis de enganar.
Nem se aperceberam que eram gritos
Aquilo que se espalhava pelo ar,
Os seus e o dela.
O som do massacre com que ela os iria brindar.
A única diferença é que os gritos da sereia
Eram de puro prazer,
E os gritos dos homens
Eram de puro sofrer.
A única diferença é que ela ia sobreviver,
Para ver outro dia nascer,
Para ter mais uma história que escrever.
Iludidos!
Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar.
E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,
para os convencer a mergulhar.
Assim, num mar de tinta vermelha
Habituara-se a sereia a nadar.
A cada morte ria mais alto,
“Tanta ignorância ali jaz a boiar”,
E ria, como se os seus pulmões fossem estourar,
Com uma ingenuidade encantadora
De quem não sabe que está a pecar.
Dançava, louca e despreocupada,
Por entre centenas de corpos desfeitos
Que corriam na sua água, doce e salgada,
Livre de amarras e preconceitos.
Dizem que em noites de tempestade,
Por entre o caos da trovoada,
Ecoam os gritos de uma sereia
Juntamente com a sua doce risada.
“Não há homem neste mundo
Capaz de me tocar
Sem eu o petrificar.
Ainda bem que os braços
Que me envolveram,
No fim de tudo,
Foram os de uma deusa
Chamada Mar”.
Mar 12, 2022
Mar 12, 2022 at 8:55 AM UTC
Chove en Santiago
meu doce amor.
Camelia branca do ar
brila entebrecida ô sol.
Chove en Santiago
na noite escura.
Herbas de prata e de sono
cobren a valeira lúa.
Olla a choiva pol-a rúa,
laio de pedra e cristal.
Olla no vento esvaído
soma e cinza do teu mar.
Soma e cinza do teu mar
Santiago, lonxe do sol.
Ãgoa da mañán anterga
trema no meu corazón.
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