"desce" poems
O choque congestiona o fluxo sanguíneo.
A cabeça erguida entra em declínio.
As pernas tremem de não aguentar o peso.
O mundo desaba todo e o deixa preso.
Nos olhos já se observa o desatino.
A face rubra paralisa sem destino.
A boca seca torna-o surpreso
e o ombro, de pronto, deixa de ser teso.
Escorre pela cara lágrima salgada
com o gosto do destrato da mulher amada
que desce ríspida à travada glote.
Como um antídoto à honra humilhada,
retorna do estômago feito cusparada
e o faz erguer em busca do que o esgote
Nov 11, 2010
Nov 11, 2010 at 4:42 AM UTC
"Abre sua aversão;
Eis que um nauta fala:
- Mestre, vês somente sofrimento no amor?
- O amor pode conter fuligem e até mesmo grasnar, porém uma vez sentido é como parcel:
não se desfaz fácil dentro do peito.
E mesmo que nos faça presente o basto e dorido retrocesso, o medo,
infindável de obstruir a todo esse amor, mais infindável é o anelo que o amor causa-nos.
Estamos sobre escombros, mas o amor é como papelotas angelicais…
Desce ondulado cheio de idas e vindas, corrupiando até a estabilização.
O amor é granívoro, come pequenas as sementes dos defeitos nossos,
belo como o grande milhafre-preto a planar no céu.
É como a retriz que sente o vento a tocar, é o ósculo entre o paraíso e a imensidão.
Oco somos antes de amar.
Somos como o barril quebrado sem vinho, esperando que o tanoeiro nos venha resgatar.
Encher-nos a transbordar.
Ouça o execrável grito do ódio, sendo cancelado pelo dulçor deste imenso sentimento.
Ouça o esfolar dos descrentes, incorpóreos.
O amor é um reverbrar eterno de luz em cada alma,
é a calma, e a batida de cada pulsação.
Não se pode obstrui-lo, ou excluí-lo da vida,
pois ela o traz em cada vibração.
Como um frincha encontrada dentro de nós,
convertendo aos poucos cada problema em solução.
Transformando o ingrato em um romântico facúndio,
criando paz em meio a escuridão"
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:38 PM UTC
O espectro é virtual
por trás do vidro
vive-se uma vida
notícias seguem soltas
e o rio desce
A correnteza leva
levas de burros
que berram bobagens
bradando incongruências
aos seus estilos de vida
e o rio desce
A turba canta
canções de esquecimento
que em dias se esgotarão
pelo cansaço, pela delonga
e o rio desce
Solitárias fotografias
sorrisos que não riem os olhos
e frases bonitas
e ideologias baratas
e batalhas inúteis
e pratos ornados
e opiniões passageiras
reiteradas, reiteradas, reiteradas
e o rio desce
Como corpos despidos
e livros abertos
lê-se por ler
fala-se por falar
mostra-se pra ser
e se é por mostrar
e o rio desce
Aug 27, 2015
Aug 27, 2015 at 12:53 AM UTC
sombra dissolve
n'alma
a loucura introjeta
inteja, disseca
o agridoce halogênico
desce pelo caminho errado
(empurra)
deflora a garganta
que guarda a fossa
angústia de ser
de ver
e sentir
e pensar...
alucina. abandona.
não mais quer.
estanca a sanidade
que nunca tive
nem nunca terei
nem teria se, e se
ta cra ya
arco so iris
pi na cu so lo?
não
qual é a diferença?
Sep 24, 2014
Sep 24, 2014 at 7:26 AM UTC
caio quando fecho os olhos
não sei o acontecerá quando aterrar.
não vejo o fundo deste buraco imenso, mas também não o temo.
aliás, anseio-o.
tenho a cabeça crua.
já não sei se caio para o chão ou do chao,
ou para cima.
posso cair de diversas maneiras e faço-as todas ao mesmo tempo.
sou um só com o buraco ***** que me engole.
talvez até seja eu a engoli-lo.
vou ficar com uma indigestão.
quando penso que vou parar, escorrego mais fundo para o
estômago do vazio e o vazio desce-me pelo esófago.
se fechar os olhos adormeço ou acordo? vou tentar.
Mar 2, 2018
Mar 2, 2018 at 2:42 PM UTC