Hello Poetry
Submit your work and get some sparkles! Create free account
"cuja" poems
I Queira a ter-te tal sacrifício impune à beleza Desventurar no ofício da morte formosa No rito estrangulado, no campo da destreza, Pensamentos que julgo uma ilusão honrosa Sob a lembrança dos antigos, arcaica proeza Se medos sentimos dessa prática tão dolorosa, Aquieta-se! A relva abaixo espera em sua frieza, Para o pútrido sepulcro de uma luz ardorosa Onde graça, cuja índole se esquiva, Singram os raciocínios obscuros De uma consciência a julgar-se viva É o fim a tocar alma fugitiva, A único respeito, tomar com acuro Um fadário apagado de perspectivas II Ao meu semblante prefere-se o nada, diante das vãs venturas Pois se é hábito e desconcerto sempre padecer, Coerente é, por esses horrores, nunca me ater Para que não lastime o infinito desta amargura Esta angústia vazia que na miséria perdura Sufocando meu espírito em sofrer, Vede a todos dura sentença! É preferível já não ser, Que fugir do fim que, em descrença, meu corpo procura Se Dido no desalento, por Eneias, deixa vida, Estou cá, em silêncio de alma desvarrida A cessar aos vermes o que vivo eternamente Em álgido lamento, pude cantar nesta partida, Algumas rimas de mi'a face enlanguescida, Em que pude prezar da morte seu beijo unicamente
0
May 30, 2017
May 30, 2017 at 10:29 PM UTC
Anseios
Tenho me permitido às mágoas, os sonhos perdidos, Quando, na garganta, sinto vaga embriaguez aflita, Cuja glória extinta de um moribundo imita Em insurreições e alternos sentidos já lidos Como fere-me este desespero parido! Explicito nesta consciência insistentemente maldita A expressão, trêmula, ébria e inaudita De meu materializado relato interrompido Ah! Indefinida sombra que se enfeita Por que teu escuro movimento me espreita, Se minha aguça voz abate-se em calabouços? Interrogo-me à esta paixão imperfeita: Para onde vai minha alma tão desfeita? E primitivamente, apenas o silêncio ouço
0
Jun 26, 2017
Jun 26, 2017 at 7:37 PM UTC
Paisagens de Inverno
Em gracioso sonho, a neblina calada e fria Recobre o sol, cujo brilho ilumina a solidão Por vezes, a desatar na paisagem luzidia, O que brevemente, tudo se verá como ilusão, Dúvida, que flore devaneios e à realidade esguia, Ludibria mil consciências em tua tátil escuridão Para ao remate, subtrair os desejos à sorte fugidia, E teu manto encher-te dos homens a servidão Destino, dúvida, hediondo engano; Que natureza sorri e cisma perdida, Ao teu feitio de lástima precedida? Qual força além do fraco humano, Cuja força estaca à eternidade concedida, Fará minha mente, neste sonho, esculpida?
0
Feb 2, 2018
Feb 2, 2018 at 1:02 AM UTC
Paisagens de Verão - Devaneio
Na visão lúgubre dos trigais Subiram pássaros negros aos milhares Suspendendo voos frenéticos diante a tais E ensurdecendo alvoreceres aos seus cantares De tal assombro, vislumbrei jamais Um abismo obscuro aos puros ares, A desaguar despercebidas sombras imortais Desprendendo as primaveris cores luminares – Vertigem sóbria, encravo de delírio, Este céu que se expõe é engano, Cuja chama esplendorosa é terror tirano Como condena-me surdo martírio! Não são campos aprazíveis, é pavor inumano É nuvem sem primor, é o amanhecer arcano
0
Nov 14, 2017
Nov 14, 2017 at 1:20 PM UTC
Paisagens de Primavera - Os campos e os pássaros negros
Sou uma máquina emocional Cuja busca pelo racional Levou me a um buraco fundo e espesso Onde arranco e arremesso Pedaços de mim e de quem eu já fui
0
Mar 18, 2017
Mar 18, 2017 at 11:39 AM UTC
470
São quatro e vinte da madrugada E o fraco ainda resiste. O dia nasce não tarda E continua a sina daquele triste. Será ele um poeta, Um que se viu de alma abandonada Ou um cuja profissão é a mais antiga que existe? O seu coração pinga solidão, que se tenta encobrir, Fundida pela malfadada escuridão que o rodeia E que goza do ferir. O vagabundo olha à volta como se tivesse casa cheia E ouve, gota a gota, a gota, abusadamente, cair. Repete-se todas as noites a ladainha No aconchego de sua cama quentinha. Para este fraco, viver é ousadia. Limita-se a existir e até isso é um ultraje. Vê o sol que na janela luzia; Vai ao espelho ver se este lhe traz Aquele brilho que outrora o seduzia E que há muito não o via. Depara-se com o rotineiro: O pesar do vazio corriqueiro Que em forma de sombra breu Sobre si subtilmente desceu. Fatalidade que o destino por si escolheu. É este o tal fado De quem não se sente satisfeito Nem é valorizado P'las cicatrizes que carrega ao peito. Dizem que tem vida de vadio. Terminará o triste por rir De quem um dia dele se riu? É esta a "pseudoprofecia" Que o acompanha noite e dia. É só mais um que não vive o ultraje que é existir.
0
May 1, 2018
May 1, 2018 at 4:15 PM UTC
O ultraje que é existir
Ó Deusa vestida de espumas cuja pele traz a leveza de plumas transbordando pelos poros cas- catas e inundas de prazer Ó Afrodite de múltipla alma e ser és teu parecer a explosão calma quando teu corpo naufraga mare- sias ao entardecer Devotos entregam maçãs e ostras conchas, flores tantas nos votos eternos epítetos e formas canta- rolam ao mar teus fogos Ó amor que aceita a todos seja nos ritos, mortais ou monstros de mulheres e homens lava os cora- ções aflitos e mudos Ó Cípria e Safo, elevarão o amor que há em tudo [inspirada na métrica do fragmento 2d. de Sappho]
0
Oct 27, 2019
Oct 27, 2019 at 8:27 PM UTC
Afrodite Sapphica