"caule" poems
Sentado e descalço, sobe um banco de madeira preta,
Pintei o quarto de verde vivo, igual ao vaso do quintal,
Contrastando com a cor amarela da flor que parara de crescer!
Queria ver aquela flor mais verde que o vaso que acabara de pintar.
Apressado como de costume e porque admito é feitio meu,
Pegava desajeitado e pouco reflectido com vontade de florir,
O amarelo perdido daquela planta que me havia já esquecido,
Não era tinta vazia, que ela queria, mas carinho de minhas mãos,
Peguei nela caída, encostei-a a mim e disse-lhe que gostava dela,
Suspirou-me ao ouvido e perguntou-me porque não a levava comigo,
Encostei-a a mim trouce-a cuidadosamente ao colo para dentro de casa,
Dei-lhe um copo de água e aconcheguei-lhe a terra do caule,
O adubo que ela recebia de mim, em carinhos fizeram-na adormecer!
Sentei-me no banco quase seco de tinta verde e pintei as calças,
Adormecendo como que um pai olhando seu filho dormir!
Sonhei pela noite fora e quando acordei, aquela flor amarela,
Que eu havia trazido comigo, sorriu-me nos olhos estremunhados,
Acordei feliz e cheio de alegria porque em seu olhar a flor vivia.
Por vezes a vida descabida de pressa por coisas vazias,
É tão bonita quando na calma do tempo um carinho te dá alento.
E eu voltei a pintar todo dia e em cada dia que passava a flor crescia,
O amarelo que lhe percorria o ser mudava de cor para a cor de esperança.
A cada dia, eu dormia mais feliz, porque sentia seu cheiro chegar a mim.
Essa flor um dia pegou-me nos olhos e pediu-me de novo carinho,
E eu olhei-a, da maneira que sempre quis cheirá-la e encostei-a a mim,
Enquanto dormia!
Autor: António Benigno
Dedico à minha vida que nem para nem anda!
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 4:58 AM UTC
Um broto de rosa
Jovens que se esbarram no calçadão
Um pequeno caule e sua folha
E os batimentos de dois, á um coraçao
Uma pequena muda
Dois meses sem separação
O surgimento de uma delicada e fechada rosa
Dois amantes em procissão
Passam as petalas e se abre a flor
Mais sorrisos e menos dor
E o cheiro doce demais, rosa demais, perfeito demais
Traiçai, desapego, sem paixao
O amor, já acabou, como um fruto que estraga ou como endurece o pão
A rosa, já seca, jogada no chão
Mar 17, 2015
Mar 17, 2015 at 10:19 PM UTC
O meu amor é uma flor azul
Que decidiu florir no meu peito.
Dança embalada na magia da noite
E chama por ti.
Não posso impedir que ela cresça,
Se ela assim o quiser.
Admiro esta visão encantadora
E ela cresce... à velocidade de um olhar.
E porque haveria eu
De impedir algo
Tão lindo
E tão natural?
Não o faço.
O meu amor é uma flor azul
Com pétalas tão frágeis, como eu
Um caule que ainda não ganhou raízes na Terra.
E lá se vai ela segurando.
O meu amor é uma flor azul
Que precisa de ser cuidada,
Regada com carinho, só o suficiente
Para que possa crescer forte.
E lá vai ela sendo regada...
O meu amor é uma flor azul
Aberta no meu peito.
Tão mas tão perto do coração
Que quase bate com ele.
E ainda chama por ti...
Mas não vens…
O meu amor é uma flor azul.
Duas pétalas caíram com o tempo
E sorriram em conjunto
Ao secar neste mesmo chão que partilham.
O meu amor é uma flor azul.
E não lhe tocas, nem lhe cantas
Não a convidas para uma última dança.
E bem sabes que ela só chama por ti...
O meu amor é uma flor azul
Que tento manter viva no peito.
Mas ela fraqueja
Treme tanto com o som do vento.
E lá vai ela balançada num suspiro...
O meu amor é uma flor azul
Que te ofereço
E tu rejeitas.
Quero cuidar dela
Mas não posso.
Bem sabes que ela só chama por ti.
E esta linda flor azul…
Um dia terei de a arrancar
Para que ela não me mate a mim.
Nesse dia morrerão
Todas as flores do meu jardim.
Mar 4, 2022
Mar 4, 2022 at 8:42 AM UTC