#xsto
O Verbo e o Xisto: O Ritual da Montanha
No Douro imortal, onde o tempo se ajoelha,
Consagro o verbo e destino.
O horizonte é um cálice de brasa vermelha
No rasto de sombras: do ancião ao menino.
Meu pai vulto de sol, liturgia de memória
E os que antes, no xisto, desvendaram caminho,
Escreveram no osso da terra a nossa história
Com mãos de orvalho, de silêncio e de vinho.
Escuto o eco primordial da encosta erguida,
Onde o socalco é degrau para o trono do céu,
E a vinha, em transe, transfigura a vida
Sob mantos de lua que a noite nos deu.
A verdade é um oráculo: não foge, não vende ,
Reside no nervo que a rocha castiga.
Quem nasce do xisto, a alquimia compreende:
A honra do vinho é uma luta santa e antiga.
Firmeza no verbo contra a corrente vã.
Verdade no xisto que o tempo não profana.
Pelo Douro oculto, pela alma que emana,
Ergue-se a herança divina e soberana.
Victor Marques
Douro
Apr 14
Apr 14, 2026 at 2:14 AM UTC