#viticultor
O Suor do Xisto
Não é com tinta que se escreve esta história,
É com seiva, com sol e o calo da mão.
Quem guarda o Douro e a sua memória,
Sabe que o lucro não brota do chão.
Onde o socalco é degrau de gigante,
E a videira se agarra ao xisto duro,
Não pode o preço ser voz arrogante,
A roubar ao destino o seu fôlego puro.
Pagar o fruto por menos que o cansaço
Não é comércio, é morte da semente.
É ver a herança quebrar-se, passo a passo,
É expulsar do seu berço a nossa gente.
O Douro não pede esmola passageira,
Nem o verniz de uma marca vazia.
Exige justiça e coragem verdadeira:
Viver da terra com soberania.
Se o braço cansa e a boca se cala,
Resta o museu, mas morre o vigor.
E a pedra do monte, se falasse, gritava
Pelo sustento de quem lhe deu amor.
Ergue-se a voz, firme e sem hesitar,
Pela honra de quem faz o vinho.
Pois sem o povo a cuidar do lagar
O Douro morre... e fica sozinho.
Victor Marques
Douro
Portugal
Jan 17
Jan 17, 2026 at 6:01 PM UTC