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#uva
Nas encostas rasgadas pelo sol e pela chuva, Sanguec e memória feita de uva. Cada cacho é um verso, cada socalco um pensamento escrito com pena e lamento. Mas há um rio que não corre em águas claras, corre em moedas fugidias e promessas caras, em contratos frios, que ignoram as raízes, em palavras doces que escondem cicatrizes. O Douro chora  não de tristeza, está enfurecido porque quem vive o vinho não vive está desiludido. O homem da vinha é refém do tempo e da dor, voz muda no conselho dos poderosos em redor. Hoje, como ontem, repete o seu cântico nobre de um povo que entrega a vida e recebe o troco de pobre, de uma terra que dá ouro e colhe desventura, de um futuro impresso em papéis sem cultura. Mas o Douro é feito de gente que não se cala, de mãos que plantam esperança entre as pedras que ninguém abala, de olhos que enxergam além do horizonte frio, de corações que batem no pulsar do desafio. Ergamos a voz  vento livre e sem correntes que atravessa as vinhas, desperta as nosssas mentes, que grita justiça verdade e vida, por um Douro de alma quase perdida. Porque o Douro não é só terra é gente, não é só vinho é memória e presente. E enquanto houver uva, haverá luta e dor. E enquanto houver luta, haverá Douro e amor. Victor Marques
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Aug 10, 2025
Aug 10, 2025 at 3:50 PM UTC
Douro de Alma quase perdida
​Ouro de Xisto e Sangue ​Dizem que o Douro é tesouro, nos olhos do mundo há brilho. Mas o ouro aqui não corre em rios emprestados; arranca-se à pedra, a punho, no trilho, por gigantes curvados e mal amados. ​Espinha dorsal de socalcos entristecidos, cada vinha é cicatriz viva, sem abrigo, cada muro, um juramento fiel e antigo. Quem ama o Douro... perde os sentidos. ​O postal perfeito, o espanto mudo. Mas quem o vive conhece a sede duriense, que educa a videira e cala tudo: o quilate real é a alma da gente. ​Não se mede em prémios ou balcões; está no xisto que guarda o fogo do dia, para que a noite não mate as emoções. O Douro é a nossa alegria. ​Não é cenário para ambição ligeira, é herança escrita sem algibeira; firme no braço, de enxada na mão, perpetuada em fé e oração. ​Porque o vinho com verdade nasce do labor, de um povo que verte a luta em suor. Aqui, entre o deslumbramento e a ousadia, O Douro é sangue,xisto... e é profecia. Victor Marques ​
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Jan 30
Jan 30, 2026 at 12:34 AM UTC
Ouro de Xisto e Sangue
O Suor do Xisto ​ ​Não é com tinta que se escreve esta história, É com seiva, com sol e o calo da mão. Quem guarda o Douro e a sua memória, Sabe que o lucro não brota do chão. ​Onde o socalco é degrau de gigante, E a videira se agarra ao xisto duro, Não pode o preço ser voz arrogante, A roubar ao destino o seu fôlego puro. ​Pagar o fruto por menos que o cansaço Não é comércio, é morte da semente. É ver a herança quebrar-se, passo a passo, É expulsar do seu berço a nossa gente. ​O Douro não pede esmola passageira, Nem o verniz de uma marca vazia. Exige justiça e coragem verdadeira: Viver da terra com soberania. ​Se o braço cansa e a boca se cala, Resta o museu, mas morre o vigor. E a pedra do monte, se falasse, gritava Pelo sustento de quem lhe deu amor. ​Ergue-se a voz, firme e sem hesitar, Pela honra de quem faz o vinho. Pois sem o povo a cuidar do lagar O Douro morre... e fica sozinho. Victor Marques Douro Portugal
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Jan 17
Jan 17, 2026 at 6:01 PM UTC
O suor do xisto