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​Ouro de Xisto e Sangue ​Dizem que o Douro é tesouro, nos olhos do mundo há brilho. Mas o ouro aqui não corre em rios emprestados; arranca-se à pedra, a punho, no trilho, por gigantes curvados e mal amados. ​Espinha dorsal de socalcos entristecidos, cada vinha é cicatriz viva, sem abrigo, cada muro, um juramento fiel e antigo. Quem ama o Douro... perde os sentidos. ​O postal perfeito, o espanto mudo. Mas quem o vive conhece a sede duriense, que educa a videira e cala tudo: o quilate real é a alma da gente. ​Não se mede em prémios ou balcões; está no xisto que guarda o fogo do dia, para que a noite não mate as emoções. O Douro é a nossa alegria. ​Não é cenário para ambição ligeira, é herança escrita sem algibeira; firme no braço, de enxada na mão, perpetuada em fé e oração. ​Porque o vinho com verdade nasce do labor, de um povo que verte a luta em suor. Aqui, entre o deslumbramento e a ousadia, O Douro é sangue,xisto... e é profecia. Victor Marques ​
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Jan 30
Jan 30, 2026 at 12:34 AM UTC
Ouro de Xisto e Sangue