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O Grito do Xisto No princípio era a rocha, o silêncio e o plano, Antes de o ferro ser entregue ao humano. O Douro não é cálculo, nem conta de somar, É corpo de Cristo que o povo ousa lavrar. Em cada socalco, uma prece em suor: Homem e Deus partilhando a mesma dor. As cidades calam, mas o Céu tudo mede, A memória traída de quem planta e tem sede. A chaga gangrena no peito da encosta, Enquanto o poder furta ao justo a resposta. É um sacrilégio, ofensa ao Criador, Ver o fruto sagrado negado ao senhor. Trazem de longe o espírito que aqui já reside, Numa heresia que o sangue da terra divide. Deixam o mosto morrer em abandono profundo, Para importar o álcool de um outro mundo. Se o homem despreza o que a vinha lhe entrega, É a própria centelha de Deus que renega. Não falem de números, de gélido volume, A alma não arde num falso lume. Que a quebra seja o rito, a purificação, Para que o valor volte à palma da mão. Vender sob o custo é pecado mortal: Lâmina de frio no Douro vital. Se o braço se parte e a videira abandona, Deus perde o Seu templo e a terra a sua dona. O Douro será um museu de ossos e ruínas, Sem o fôlego vivo que anima as colinas. Cenário de luxo para o turista espreitar, Mas sem alma dentro para o mundo salvar. Temos nervos de xisto e a têmpera do vinho, E o Senhor caminha neste duro caminho. Pela terra, pelo filho, pelo pão consagrado: O Douro é o altar do povo ressuscitado! O Grito do Xisto é o profeta na serra, É o sangue da pedra que clama na terra. Victor Marques Douro
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May 3
May 3, 2026 at 5:07 AM UTC
O Grito do Xisto
O Grito do Xisto No princípio era a rocha, o silêncio e o plano, Antes de o ferro ser entregue ao humano. O Douro não é cálculo, nem conta de somar, É corpo de Cristo que o povo ousa lavrar. Em cada socalco, uma prece em suor: Homem e Deus partilhando a mesma dor. As cidades calam, mas o Céu tudo mede, A memória traída de quem planta e tem sede. A chaga gangrena no peito da encosta, Enquanto o poder furta ao justo a resposta. É um sacrilégio, ofensa ao Criador, Ver o fruto sagrado negado ao senhor. Trazem de longe o espírito que aqui já reside, Numa heresia que o sangue da terra divide. Deixam o mosto morrer em abandono profundo, Para importar o álcool de um outro mundo. Se o homem despreza o que a vinha lhe entrega, É a própria centelha de Deus que renega. Não falem de números, de gélido volume, A alma não arde num falso lume. Que a quebra seja o rito, a purificação, Para que o valor volte à palma da mão. Vender sob o custo é pecado mortal: Lâmina de frio no Douro vital. Se o braço se parte e a videira abandona, Deus perde o Seu templo e a terra a sua dona. O Douro será um museu de ossos e ruínas, Sem o fôlego vivo que anima as colinas. Cenário de luxo para o turista espreitar, Mas sem alma dentro para o mundo salvar. Temos nervos de xisto e a têmpera do vinho, E o Senhor caminha neste duro caminho. Pela terra, pelo filho, pelo pão consagrado: O Douro é o altar do povo ressuscitado! O Grito do Xisto é o profeta na serra, É o sangue da pedra que clama na terra. Victor Marques Douro
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O DOURO ESTÁ A SER VENDIDO EM COPOS DE CRISTAL ENQUANTO O VITICULTOR MORRE NA VINHA Há qualquer coisa de profundamente obsceno no silêncio que cobre o Douro. O mundo inteiro fotografa estas encostas como se fossem eternas. Os barcos sobem o rio carregados de turistas. Os hotéis anunciam “autenticidade”. As garrafas atingem preços de luxo. Mas o homem que segura esta montanha com as próprias mãos começa a desaparecer. Não por falta de amor à terra. Não por preguiça. Não por incapacidade. Desaparece porque já não consegue sobreviver. O Douro transformou-se num paradoxo cruel: uma região milionária construída sobre produtores empobrecidos. Cada socalco que deslumbra o mundo foi arrancado ao xisto por homens que trabalharam debaixo de 40 graus, carregaram pedras às costas e aprenderam desde crianças que a vinha não perdoa distrações. Aqui não existe agricultura romântica. Existe sobrevivência. Existe o corpo destruído pelas podas de inverno. Existe o medo silencioso da próxima vindima. Existe a conta bancária vazia ao lado de vinhos premiados internacionalmente. E depois perguntam porque morrem as pequenas quintas. Morrem porque o Douro passou a ser tratado como cenário, não como território humano. A UNESCO protegeu a paisagem. Mas ninguém protegeu o viticultor. Hoje vendem o Douro como experiência sensorial enquanto expulsam lentamente aqueles que lhe deram alma durante séculos. Transformaram o Vigneron num figurante turístico: um homem para aparecer na fotografia, servir um copo e desaparecer em silêncio da história. Em 1972 adulteravam o vinho. Em 2026 adulteram algo muito mais grave: a verdade. Porque vinho sem povo é apenas indústria com marketing elegante. E atenção ao que aqui fica escrito: No dia em que o último pequeno produtor abandonar estas encostas, o Douro continuará bonito. Os hotéis continuarão cheios. Os barcos continuarão a navegar. As garrafas continuarão caras. Mas o espírito terá morrido. Restará uma paisagem perfeita construída sobre um cemitério social. Um museu agrícola sem agricultores. Um vinho sem memória. O Douro nunca pediu piedade. Pediu apenas justiça: preço justo para a uva, dignidade para quem trabalha a montanha, e respeito por aqueles que ainda acreditam que a terra não é um ativo financeiro é sangue, herança e identidade. Se este texto incomoda, ainda bem. É porque o Douro verdadeiro ainda respira debaixo das campanhas de marketing. Mas se depois de ler isto continua apenas a ver uma paisagem bonita, então talvez já faça parte da engrenagem que está a matar lentamente a alma da região. Porque o Douro não morre de uma vez. Morre em silêncio. Morre devagar. Morre enquanto o mundo aplaude a vista. Victor Marques Douro Portugal Este artigo é dedicado aos nossos antepassados durienses que ropmperam o xisto com picaretas.
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May 28
May 28, 2026 at 5:25 AM UTC
O Douro est a ser vendido
O DOURO ESTÁ A SER VENDIDO EM COPOS DE CRISTAL ENQUANTO O VITICULTOR MORRE NA VINHA Há qualquer coisa de profundamente obsceno no silêncio que cobre o Douro. O mundo inteiro fotografa estas encostas como se fossem eternas. Os barcos sobem o rio carregados de turistas. Os hotéis anunciam “autenticidade”. As garrafas atingem preços de luxo. Mas o homem que segura esta montanha com as próprias mãos começa a desaparecer. Não por falta de amor à terra. Não por preguiça. Não por incapacidade. Desaparece porque já não consegue sobreviver. O Douro transformou-se num paradoxo cruel: uma região milionária construída sobre produtores empobrecidos. Cada socalco que deslumbra o mundo foi arrancado ao xisto por homens que trabalharam debaixo de 40 graus, carregaram pedras às costas e aprenderam desde crianças que a vinha não perdoa distrações. Aqui não existe agricultura romântica. Existe sobrevivência. Existe o corpo destruído pelas podas de inverno. Existe o medo silencioso da próxima vindima. Existe a conta bancária vazia ao lado de vinhos premiados internacionalmente. E depois perguntam porque morrem as pequenas quintas. Morrem porque o Douro passou a ser tratado como cenário, não como território humano. A UNESCO protegeu a paisagem. Mas ninguém protegeu o viticultor. Hoje vendem o Douro como experiência sensorial enquanto expulsam lentamente aqueles que lhe deram alma durante séculos. Transformaram o Vigneron num figurante turístico: um homem para aparecer na fotografia, servir um copo e desaparecer em silêncio da história. Em 1972 adulteravam o vinho. Em 2026 adulteram algo muito mais grave: a verdade. Porque vinho sem povo é apenas indústria com marketing elegante. E atenção ao que aqui fica escrito: No dia em que o último pequeno produtor abandonar estas encostas, o Douro continuará bonito. Os hotéis continuarão cheios. Os barcos continuarão a navegar. As garrafas continuarão caras. Mas o espírito terá morrido. Restará uma paisagem perfeita construída sobre um cemitério social. Um museu agrícola sem agricultores. Um vinho sem memória. O Douro nunca pediu piedade. Pediu apenas justiça: preço justo para a uva, dignidade para quem trabalha a montanha, e respeito por aqueles que ainda acreditam que a terra não é um ativo financeiro é sangue, herança e identidade. Se este texto incomoda, ainda bem. É porque o Douro verdadeiro ainda respira debaixo das campanhas de marketing. Mas se depois de ler isto continua apenas a ver uma paisagem bonita, então talvez já faça parte da engrenagem que está a matar lentamente a alma da região. Porque o Douro não morre de uma vez. Morre em silêncio. Morre devagar. Morre enquanto o mundo aplaude a vista. Victor Marques Douro Portugal Este artigo é dedicado aos nossos antepassados durienses que ropmperam o xisto com picaretas.
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Grito de Pedra e Luz Nas fragas do Douro profundo, ouve-se um lamento que percorre o mundo. Não vem do rio, nem do vento a passar, vem da terra ferida que insiste em me chamar.... Chama pelo homem de mãos consumidas, que semeou esperança por entre as encostas erguidas. Chama pelo suor que regou cada videira, e pela verdade que incomoda a terra inteira. Ó Douro sagrado de pedra e de luz, onde o xisto rasga e a coragem conduz, quem te escuta ao longe vê ouro e beleza, mas quem vive contigo conhece a tristeza. Vejo sombras subindo o meu caminho, como espíritos guardando o vinho. Entre marcos de pedra e socalcos sem fim, parece que Pombal ainda fala por mim. "Dizei aos poderosos", murmura o vento, "que a terra não vive de mero argumento. Não bastam discursos, promessas ao luar, quando o homem da vinha já não pode ficar." E o rio responde num canto profundo: "Quem abandona o Douro perde o mundo. Quem esquece o lavrador e o seu valor, mata a paisagem, a memória e a cor. As videiras rezam quando a noite desce, cada folha é uma alma que não se esquece. Cada bago encerra um mistério vivido, um pacto entre Deus e o que o Douro tem sofrido. Mas há quem troque a essência pela ilusão, quem venda a herança por pouca razão. E o vinho chora no silêncio da adega, quando a verdade se afasta e a ganância se apega. As nossas raízes descem mais fundo que a dor, procurando na pedra a nascente do amor. E quando tudo parece perdido e sem fim, Eu ergo o cálice Do Douro e louvo a Deus que habita em.mim. Victor Marques Douro Portugal
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5d ago
May 31, 2026 at 2:50 AM UTC
Grito de Pedra e Luz
Grito de Pedra e Luz Nas fragas do Douro profundo, ouve-se um lamento que percorre o mundo. Não vem do rio, nem do vento a passar, vem da terra ferida que insiste em me chamar.... Chama pelo homem de mãos consumidas, que semeou esperança por entre as encostas erguidas. Chama pelo suor que regou cada videira, e pela verdade que incomoda a terra inteira. Ó Douro sagrado de pedra e de luz, onde o xisto rasga e a coragem conduz, quem te escuta ao longe vê ouro e beleza, mas quem vive contigo conhece a tristeza. Vejo sombras subindo o meu caminho, como espíritos guardando o vinho. Entre marcos de pedra e socalcos sem fim, parece que Pombal ainda fala por mim. "Dizei aos poderosos", murmura o vento, "que a terra não vive de mero argumento. Não bastam discursos, promessas ao luar, quando o homem da vinha já não pode ficar." E o rio responde num canto profundo: "Quem abandona o Douro perde o mundo. Quem esquece o lavrador e o seu valor, mata a paisagem, a memória e a cor. As videiras rezam quando a noite desce, cada folha é uma alma que não se esquece. Cada bago encerra um mistério vivido, um pacto entre Deus e o que o Douro tem sofrido. Mas há quem troque a essência pela ilusão, quem venda a herança por pouca razão. E o vinho chora no silêncio da adega, quando a verdade se afasta e a ganância se apega. As nossas raízes descem mais fundo que a dor, procurando na pedra a nascente do amor. E quando tudo parece perdido e sem fim, Eu ergo o cálice Do Douro e louvo a Deus que habita em.mim. Victor Marques Douro Portugal
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