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Liturgia das Encostas: Deus no Douro
No xisto que racha, no sol que escalda,
Deus desce a encosta, com sua mão a salva.
Não vem de coroa, não vem de gala,
Vem no suor que a testa exala .
Deus é a rocha que o ferro fura,
A mão que planta, a mão que cura.
Amanhã é o vinho que o lagar espera,
É a promessa de uma nova era.
Deus será o que o tempo apura,
A voz da justiça contra a amargura.
Será o preço que a uva merece,
A conta paga de quem não esquece.
É o amanhã que o xisto sustenta,
Na paz do repouso que a alma alimenta.
E Sempre o Douro será o altar,
Onde o sagrado vem descansar.
Sempre a videira será o abraço,
Que Deus e o Homem dão passo a passo.
O xisto é bíblia, o rio é o batismo,
A terra é a cura de todo o abismo.
Pois quem no Douro planta a sua fé,
Com Deus ao lado, mantém-se de pé.
Hoje, amanhã e o tempo que vem,
O Douro é o berço do eterno bem.
Uva por uva, pedra por pedra,
É neste Reino que a vida medra!
O xisto não fala, mas dita o compasso. Eu escrevo e Deus guia o meu passo.
Victor Marques
Apr 26
Apr 26, 2026 at 4:31 PM UTC