Hello PoetryVoting

Vote

Voting-Boards

Home

HomeFollowingInboxNotifications

Read

ReadLiftedFeedsHeartedHistoryMy poemsNew poem

Explore

ExploreOrbitsWordsTagsClassics
Log in
0
Stars
0
Embers
0
Alerts
0
Inbox

Vote

Voting-Boards

Home

HomeFollowingInboxNotifications

Read

ReadLiftedFeedsHeartedHistoryMy poemsNew poem

Explore

ExploreOrbitsWordsTagsClassics
Log in
0
Stars
0
Embers
0
Alerts
0
Inbox

0' gente da minha terra

Ó gente da minha terra…

 

Escutai o rio a correr

como um velhinho a adormecer.

Não é somente água e desilusão

nem socalco ou tradição .

 

O Douro é corpo sagrado,

por mãos divinas moldado.

Há vozes presas no xisto,

há sombras do próprio Cristo,

 

Há passos pelos caminhos

entre cepas e espinhos.

Quando o nevoeiro cai

e o vento no vale vai,

ouve-se um murmúrio profundo

como o respirar do mundo.

 

É o Douro… lento e calado,

rei nunca derrotado,

que viu o tempo passar

sem jamais se ajoelhar.

Ó terra de fogo e vinha,

de dor que nunca definha,

cada cepa tem memória,

cada bago guarda história.

 

Tem nas mãos o sofrimento

e nos olhos sempre o firmamento.

Quem nasce nestas encostas

traz estrelas sobrepostas

na alma feita de sentimento,

de solidão e alento.

 

E quando setembro desce

e o vale inteiro estremece,

o mosto canta no lagar

como um Santo sobre o altar.

 

Há qualquer coisa divina

na luz dourada da vindima…

como se anjos viessem ver

o vinho novo a nascer.

 

Porque o vinho do Douro

não vale apenas ouro

vale lágrimas sentidas

silêncios, fome e cantigas.

 

Nasce da mulher que espera,

da geada e da primavera,

das promessas junto ao rio,

das noites de calor e frio.

Mas mesmo cansado o povo

faz do desespero renovo.

Mesmo ferido resiste,

mesmo em lágrimas insiste.

 

Porque o duriense não verga

quando a vida se carrega.

Tem fundações na eternidade,

na pedra e na verdade.

 

Ó gente da minha terra duriense

nenhuma força oculta nos vence,

Sem vós o Douro era vazio,

sem alma, sem voz, sem rio.

E quando o mundo esquecer

quem vos ajudou a erguer,

as vinhas irão falar

e o próprio vento lembrar:

Que houve um povo neste mundo

dos mais nobres com sentimento profundo,

que fez vinho com coração

e da dor uma eterna oração.

 

E enquanto houver uma videira,

uma enxada verdadeira,

um duriense olhando o horizonte

ou uma luz atrás do monte…

O Douro jamais morrerá.

Porque Deus ainda está lá.

 

Victor Marques

Douro

Request permission to use this poem
Written by
victor-marques
Portuguese
Published
May 23
Lines·Words
73·343
Tags
#terra#douro#vinho
Permission

Request to use this poem

Tell victor-marques how you would like to use it. We review requests before forwarding them.

AboutBlogFAQPrivacyTermsContact
© 2009-2026 Hello Poetry/v27.0 by @eliotyork
Explore
Hello PoetryVoting
Write