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A aurora veio — e, sobre o horror do trilho, Cresceu, mórbida e pálida, a existência; Era a carne o excremento da Consciência, E o Espírito, um fragmento de Basílio! No púlpito sangrento do meu cílio Pregava o sol sua liturgia imensa; E o verme, em súplica quase indefensa, Subia ao pó — buscando o próprio exílio! As nebulosas, ébrias de energia, Cuspiram luz na etérea anatomia, Como um punhal de fósforo nas veias! E eu, poeira pensante, à flor do inferno, Ergui da dor um templo sempiterno, Onde a Razão — cadáver — ainda almejas! Do céu desceu o pálido Dogma antigo, Com seu cajado em ossos e ironia, E disse: — “Homem, tua Filosofia É o epitáfio vil do teu castigo!” E eu respondi, num turbilhão de abrigo: — “Sim, sou a treva em febre e poesia! Sou a amálgama viva da agonia, Sou teu retrato enfermo, teu mendigo!” Então, do abismo, um Deus sem nome e asa, Fez-se em meu peito a lágrima que abrasa, Fez-se em meu verbo o cálix do infinito... E eu compreendi — no último delírio — Que todo o mal, em seu feroz martírio, É apenas Deus dormindo no contrito!
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Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:37 AM UTC
Epílogo do Vencido
A aurora veio — e, sobre o horror do trilho, Cresceu, mórbida e pálida, a existência; Era a carne o excremento da Consciência, E o Espírito, um fragmento de Basílio! No púlpito sangrento do meu cílio Pregava o sol sua liturgia imensa; E o verme, em súplica quase indefensa, Subia ao pó — buscando o próprio exílio! As nebulosas, ébrias de energia, Cuspiram luz na etérea anatomia, Como um punhal de fósforo nas veias! E eu, poeira pensante, à flor do inferno, Ergui da dor um templo sempiterno, Onde a Razão — cadáver — ainda almejas! Do céu desceu o pálido Dogma antigo, Com seu cajado em ossos e ironia, E disse: — “Homem, tua Filosofia É o epitáfio vil do teu castigo!” E eu respondi, num turbilhão de abrigo: — “Sim, sou a treva em febre e poesia! Sou a amálgama viva da agonia, Sou teu retrato enfermo, teu mendigo!” Então, do abismo, um Deus sem nome e asa, Fez-se em meu peito a lágrima que abrasa, Fez-se em meu verbo o cálix do infinito... E eu compreendi — no último delírio — Que todo o mal, em seu feroz martírio, É apenas Deus dormindo no contrito!
Othon
Written by
M/Southern Brazil
Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:37 AM UTC
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