Hello Poetry
Submit your work and get some sparkles! Create free account
Visão cega dum vão cultivar, Anseio que derrama, ***** e mudo, Ao longe o vislumbre de ti a passar Escorre de mim sedento, sem ar, A drenar lento por um canudo sob um ser que finge ser, ser que sabe fugir mas não sabe desprender; Ser que não serve para sentir, mas sente para viver. Já não sei seguir sem par a cruzar rotas noutros trilhos O fulgor do teu olhar, por mais que o queira cuidar vai cruzando noutros brilhos. Indício que vem num tumulto agudo Pulsar de veia que me assalta, espreita o clarão pelo canudo e a luz escorre na tua falta. Sai de mim, por tudo te peço; Sai de mim, mas não me leves e deixa durar os dias breves, assim que saias verei se os esqueço. Sai de mim, mas leva a saudade E deixa-me noutra realidade Uma na qual não te conheço. Memória reclusa, cativo tesouro de fios mognos no sol louro, Risos soltos em cabelos revoltos, Imagem tua, miragem de um ser que em quietude à distância me dá ânsia de te ver. Ecoa a afastar e prende-me ao chão, Semeia desígnios num solo a vagar, Curva-se e colhe sombras em vão. Nado o rio que corre sem dor, que é meu e finda no mar interior Estou aqui, estou agora Espreito-me de dentro para fora, Vejo a eira por cultivar, Trago grãos p'ra semear, a visão cega fixa-se perto E desvanece a clarear um amanhã sempre incerto, sempre coberto de bruma que se esfuma e o deixa esboçar.
0
Nov 1, 2025
Nov 1, 2025 at 7:19 PM UTC
devaneio
Visão cega dum vão cultivar, Anseio que derrama, ***** e mudo, Ao longe o vislumbre de ti a passar Escorre de mim sedento, sem ar, A drenar lento por um canudo sob um ser que finge ser, ser que sabe fugir mas não sabe desprender; Ser que não serve para sentir, mas sente para viver. Já não sei seguir sem par a cruzar rotas noutros trilhos O fulgor do teu olhar, por mais que o queira cuidar vai cruzando noutros brilhos. Indício que vem num tumulto agudo Pulsar de veia que me assalta, espreita o clarão pelo canudo e a luz escorre na tua falta. Sai de mim, por tudo te peço; Sai de mim, mas não me leves e deixa durar os dias breves, assim que saias verei se os esqueço. Sai de mim, mas leva a saudade E deixa-me noutra realidade Uma na qual não te conheço. Memória reclusa, cativo tesouro de fios mognos no sol louro, Risos soltos em cabelos revoltos, Imagem tua, miragem de um ser que em quietude à distância me dá ânsia de te ver. Ecoa a afastar e prende-me ao chão, Semeia desígnios num solo a vagar, Curva-se e colhe sombras em vão. Nado o rio que corre sem dor, que é meu e finda no mar interior Estou aqui, estou agora Espreito-me de dentro para fora, Vejo a eira por cultivar, Trago grãos p'ra semear, a visão cega fixa-se perto E desvanece a clarear um amanhã sempre incerto, sempre coberto de bruma que se esfuma e o deixa esboçar.
¯\_(ツ)_/¯
claudio-costa
Written by
Portuguese
Nov 1, 2025
Nov 1, 2025 at 7:19 PM UTC
Request permission to use this poem