O delírio é verdade soberana,
De si erguida em sombra universal;
Quer a luz morta, extinta e já profana,
Brilhar ainda em luto espectral.
Ó Deus inútil, desce do alto trono,
E ao pó retorna, vão e sem valor;
Quebro-te a estátua, dissolvendo o sono,
E ergo a consciência em seu furor.
Ressoam violinos iconoclastas,
Na eterna vindima a florescer;
Forças em síntese, opostas e nefastas,
Fazem do inferno um riso arder.
Alma enlaçada à fria desventura,
No limbo vão da estéril paixão;
Sangra em espasmos, lúgubre e impura,
A fibra elástica do coração.
A verdade é quimera consumida,
Sob mil consciências em torpor;
Danço a dissonância desta vida,
E nutro a ilusão do meu amor.
Ao solstício extremo da descrença,
Abro a fenda oculta do meu ser;
Onde o nada, em lúcida presença,
Aprende a forma de viver.
Quero criar um mundo soberano,
Ser arlequim das minhas ironias;
Num vão palácio etéreo e insano,
Reinar em vãs utopias.
Errar por mundos, abismos profundos,
Qual pranto angélico em cristal;
Ser síntese vã de inúmeros mundos,
Sem deixar rastro material.
Quero ver mundos se desfazendo,
Qual chama breve a se extinguir;
E ver o humano inteiro crendo
No deus que insiste em se abolir.
Que tudo em cinza etérea se desfaça,
Em asas mortas, frio e solidão;
Pois do caos, onde o nada se entrelaça,
Surge a perfeita negação.
Mar 30
Mar 30, 2026 at 6:13 AM UTC
O delírio é verdade soberana,
De si erguida em sombra universal;
Quer a luz morta, extinta e já profana,
Brilhar ainda em luto espectral.
Ó Deus inútil, desce do alto trono,
E ao pó retorna, vão e sem valor;
Quebro-te a estátua, dissolvendo o sono,
E ergo a consciência em seu furor.
Ressoam violinos iconoclastas,
Na eterna vindima a florescer;
Forças em síntese, opostas e nefastas,
Fazem do inferno um riso arder.
Alma enlaçada à fria desventura,
No limbo vão da estéril paixão;
Sangra em espasmos, lúgubre e impura,
A fibra elástica do coração.
A verdade é quimera consumida,
Sob mil consciências em torpor;
Danço a dissonância desta vida,
E nutro a ilusão do meu amor.
Ao solstício extremo da descrença,
Abro a fenda oculta do meu ser;
Onde o nada, em lúcida presença,
Aprende a forma de viver.
Quero criar um mundo soberano,
Ser arlequim das minhas ironias;
Num vão palácio etéreo e insano,
Reinar em vãs utopias.
Errar por mundos, abismos profundos,
Qual pranto angélico em cristal;
Ser síntese vã de inúmeros mundos,
Sem deixar rastro material.
Quero ver mundos se desfazendo,
Qual chama breve a se extinguir;
E ver o humano inteiro crendo
No deus que insiste em se abolir.
Que tudo em cinza etérea se desfaça,
Em asas mortas, frio e solidão;
Pois do caos, onde o nada se entrelaça,
Surge a perfeita negação.
