No ápice da noite, o cosmos emudeceu,
E as estrelas, como vísceras incandescentes,
Suspenderam a lei dos dias e correntes,
Enquanto o vento de névoa tudo reteceu.
Vi os astros em ritos que o tempo perdeu,
Dançar sobre os ossos e os sonhos ardentes,
E o Universo inteiro, em gestos pacientes,
Se curvar à sombra que a minha carne reteu.
O verme, o homem, o feto e a divindade,
Num só pulsar de febre e de eternidade,
Erguiam-se em coral de luz e podridão!
E eu, espírito em chamas, em febre e arreio,
Senti a Vida e a Morte tecerem o seio,
E o Absoluto sorrir-me no coração!
O Céu rachou-se em veios de âmbar e sangue,
E das entranhas do Nada brotou o Verbo,
Que rasgou o véu do obscuro e do acerbo,
Transformando o pranto em esplendor que expande.
Cada átomo gritou seu nome no meu ser,
Cada sombra revelou o rastro do Prazer,
Cada estrela fundiu-se ao meu próprio olhar...
E, enfim, compreendi — entre dor e fulgor —
Que toda angústia, todo ódio e todo amor
São apenas Deus respirando no ar!
Oct 11, 2025
Oct 11, 2025 at 2:40 AM UTC
No ápice da noite, o cosmos emudeceu,
E as estrelas, como vísceras incandescentes,
Suspenderam a lei dos dias e correntes,
Enquanto o vento de névoa tudo reteceu.
Vi os astros em ritos que o tempo perdeu,
Dançar sobre os ossos e os sonhos ardentes,
E o Universo inteiro, em gestos pacientes,
Se curvar à sombra que a minha carne reteu.
O verme, o homem, o feto e a divindade,
Num só pulsar de febre e de eternidade,
Erguiam-se em coral de luz e podridão!
E eu, espírito em chamas, em febre e arreio,
Senti a Vida e a Morte tecerem o seio,
E o Absoluto sorrir-me no coração!
O Céu rachou-se em veios de âmbar e sangue,
E das entranhas do Nada brotou o Verbo,
Que rasgou o véu do obscuro e do acerbo,
Transformando o pranto em esplendor que expande.
Cada átomo gritou seu nome no meu ser,
Cada sombra revelou o rastro do Prazer,
Cada estrela fundiu-se ao meu próprio olhar...
E, enfim, compreendi — entre dor e fulgor —
Que toda angústia, todo ódio e todo amor
São apenas Deus respirando no ar!
