Coço a cabeça porque está suja.
Lavo a cabeça, mas não deixa de estar suja.
Por mais que coce e lave não deixa de estar suja.
É porque a sujidade vem de dentro e o cotão é difícil de limpar nos cantos do pensamento
Mar 21, 2018
Mar 21, 2018 at 1:52 PM UTC
Na rua faz frio e sol de inverno.
Gelam-me os pés e o coração, secam-me os lábios e os olhos.
De visão turva, ano para onde o vento forte me levar, esperando que lá faça sol.
De cabeça baixa, olho o céu nas poças de água na estrada.
Não me atrevo a chorar, que as lágrimas congelam-me as maçãs do rosto.
De mente atribulada, forço a tosse para fazer silêncio e sussurro:
Partida. Largada. Fugida.
E correm-me os pensamentos de uma ponta a outra.
Correm para ver quem chega primeiro, quem merece a minha atenção.
Mais rápidos que a própria sombra. Nem os vejo.
Zangados, gritam-me. Gritam-me todos ao mesmo tempo e não percebo uma palavra.
Fartos, cansam-se de gritar, mas agora também eu sinto cansaço.
Cansam-me os olhos, cansam-me as pernas, cansam-me os pulmões e o coração.
Espero que eles estejam felizes
Mar 21, 2018
Mar 21, 2018 at 1:27 PM UTC
clear waves dont bring me peace anymore
and so i feel misplaced here by the sea shore
my feet have grown attached to shoe soles and street pavements and shells and white waves feel unsettling
maybe i need to fall out of love with smoggy distant cities
maybe i just need a person
Mar 21, 2018
Mar 21, 2018 at 1:23 PM UTC
um céu rosado ao fim da tarde
chuva e frio,
mas tu aqueces-me o coração
chove para adormecer
relaxo o corpo,
mas a mente não
perguntas-me: vamos?
eu percorro caminhos demasiado estreitos para ir acompanhado
e tu dizes: e se for atrás de ti?
és a minha voz da razão
em fila caminhamos de mãos dadas
afinal esta estrada solitária faz-se bem com companhia
-então? para onde vamos?
espreita-me por cima do ombro.
pelo canto do olho vejo-lhe o entusiasmo nas bochechas
olho para cima para pensar
vejo um bando de pássaros a voar por cima da estrada
para um horizonte distante e respondo: vamos por ali
Mar 13, 2018
Mar 13, 2018 at 3:19 PM UTC
caio quando fecho os olhos
não sei o acontecerá quando aterrar.
não vejo o fundo deste buraco imenso, mas também não o temo.
aliás, anseio-o.
tenho a cabeça crua.
já não sei se caio para o chão ou do chao,
ou para cima.
posso cair de diversas maneiras e faço-as todas ao mesmo tempo.
sou um só com o buraco ***** que me engole.
talvez até seja eu a engoli-lo.
vou ficar com uma indigestão.
quando penso que vou parar, escorrego mais fundo para o
estômago do vazio e o vazio desce-me pelo esófago.
se fechar os olhos adormeço ou acordo? vou tentar.
Mar 2, 2018
Mar 2, 2018 at 2:42 PM UTC
I’m sick of hiding every day
I’m sick of crying every night
I’m sick of not being me,
being me to myself
Sick of looking in the mirror
and seeing somebody else
I realised to be me I don’t need to know who I am
But how am I supposed to be me
if I’m afraid of what others will think
Sometimes I wish we were like butterflies
At some point of our lives we would turn
into what we were supposed to be
But what was I born to be?
I’m not a she, I’m not a he
Am I an ‘it’? Am I an animal
raised to the slaughter?
Am I a 'they’? Am I two different people?
Maybe
I am the Me I am to myself
I am the Me i pretend to be.
Mar 2, 2018
Mar 2, 2018 at 2:40 PM UTC
it’s so hard to grasp the letters that keep f
a
l
l
i
n
g
down the notebook page.
i try to hold them lovingly with my not so delicate hands but they
l
e
a
k
through my fingers
and i watch them as they climb my walls and
jump on my bed
they flee through the glitching door
and through the floor
some go through the window cracks
i try to warn them that it’s raining outside,
but they stick their tongues out,
letting out impish laughs
and run for their lives
and disappear between the thick raindrops
right above my head a group of cursive ghost letters
exit through the ceiling
amidst the chaos one of them falls
and lands on the blank notebook
it’s the letter D
for Despair
Mar 2, 2018
Mar 2, 2018 at 2:38 PM UTC