

Victor Marques
Douro Valley, Portugal · http://www.vitoriakoi.pt
Nossa Senhora de Guadalupe
Nossa Senhora de Guadalupe,
Carinho eterno que Cepães por ti nutre,
Pomposa e Mãe celestial,
Rainha dos verdes campos em igual….
Gente simples que trabalha na agricultura,
Os proteges com leveza e doçura.
Tua devoção serena como a natureza,
O trabalho campestre tem nobreza.
Por ti Senhora com enorme devoção,
Apareceste no México ao pobre João,
Tudo no mundo é obra do nosso Deus,
Terra impar de filhos teus…
Aqui em Cepães tens um naturalista com amor,
Um pároco amigo e Bem feitor,
Passeia com alegria pelas vinhas do Senhor,
E labuta por ti Senhora com mestria e valor.
Victor Marques
Cepães, 3 de Junho de 2013
Lavandeira
Aldeias dispersas á tua volta,
Lá longe o infinito horizonte,
Com aconchego ela se encontra,
Pomposo castelo no cimo do monte.
Fontes frescas, cristalinas e antigas,
Verões quentes que trazeis tantas fadigas,
Ruas envaidecidas com suas flores,
Santa Eufémia e tantos fervores.
Majestosa sobre proteção de sobreiros e penedos,
Colinas caídas em direção ao douro,
Céu azul, trigo loiro,
Rodeada de oliveiras e vinhedos.
Victor Marques
Uma Flor
Uma flor nasceu desprotegida,
Como nós ela tem vida.
Flores de alegria e tristeza,
Enfeites da mãe natureza,
Nasceu por acaso,
Sem jardim bem cuidado,
Uma flor de outra era,
Dá paz a quem a venera.
Uma flor sozinha,
A abelha nela poisou,
Deita uma lágrima, coitadinha.
O pássaro a abalou,
Quebrou com o sopro do vento,
Ficou só com seu sofrimento.
Victor Marques
Sede de Cultura
Encontro-me sobre nuvens com verdade,
Olho com calor, Lealdade…
O estigma de estranha dor,
Escrevo num berço sem valor.
Aspirar a uma perfeição intelectual feita com arte,
Falar da vida, de um mundo sem dele fazer parte,
Me embebedar com o excelente vinho do Douro,
Ver a tourada com o forcado e sem toiro.
A minha dimensão é simples e pequena,
Cultura da linda açucena,
Um calor quando escrevo é terno e bendito,
Aplaudir a voz, o canto, o grito….
Victor Marques
Ruído do mar
Molhar as mãos na água salgada,
Olhar a sereia idolatrada,
A lua bem iluminada,
Pisar na areia, deixar pegada …
É calmo e fluido,
Um cântico sem ser ouvido,
Longínquo e mal-amado,
Ruído do mar já passado.
A areia sem voz, nem cor,
Água fria sem pudor,
Corrupio de ruído e odor,
Transparente e sem amor.
Victor Marques
Palavra inerte chamada amor
Na esperança, no sentimento multicolor,
A palavra inerte chamada amor,
Os santos são todos fiéis,
Os casados até nem usam anéis,
As montanhas esverdeadas que por amor meditam,
Pensadores sem nada dizer parece que gritam,
O deslumbrante e inerte amor tudo compromete,
O sapo canta amor no lago que o fortalece.
A noite cobre o céu sem pudor,
Do peito jorra e sai amor,
As nuvens de um branco censurado,
Pecado nunca confessado.
O amor inerte parece que tem asas,
Os salgueiros estão lá com folhas salpicadas,
O inerte amor tem penumbra e também tem luz,
Eu sinto o balançar que oscilando que seduz.
Victor Marques
Diz me quem és tu….
Suave com temperamento tempestivo,
Doce como a noite á rebeldia,
Terna como a luz do dia,
És chama para quem suspiro e vivo.
Insatisfeita com tua beleza,
Fazes o céu ser teu pretendente,
A lua teu amante,
E eu perdido no amor á natureza.
Amas teus pais com laços,
Ao acaso dás e pedes abraços,
Tens sentimentos só teus e muitos ternos,
Te perdes nos serões secos e amenos.
Gestos simples de quem é devota,
Amar a flor que sempre brota,
Quem és tu melodia erudita,
Água pura que purifica…
Victor Marques
Ama sempre a vida
A vida dá resposta, dá lições,
Enche livros sem explicações.
Fica o que nos eleva e consome,
Uma memória e um nome.
Um trocar de olhar,
Um simples pestanejar,
Ousadia e o sonho daquilo que fui e sou,
Amar a vida que o amor consagrou.
A vida numa agitação constante,
Rebelde para trás e para a frente.
Flores do mais belo jardim,
Amar a vida sempre até ao fim.
Viver numa turbulência com serenidade,
Com pobreza ou vaidade.
Viver e com a vida padecer de contente,
Viver a vida hoje e sempre …
Victor Marques
A vida das videiras
As videiras com sua brandura,
O azul do céu sem loucura.
A monotonia sempre presente,
A ousadia de um penar ausente.
Vida das videiras entrelaçadas,
Suas uvas, seus rebentos …
Preciosos e ternos momentos,
Saudade das lagaradas.
O ser humano no infortúnio, na graça,
O bago da vida que te abraça,
O xisto, o sol, vide sucinta e bela,
Pintores com sua tela.
As videiras de mãos dadas,
Horizontes em eterna harmonia,
Poemas da vida de videiras bem-amadas,
Vinho do amor, da vida, da tua alegria.
Victor Marques
As areias e o mar
As tuas caricias me fazem penar,
Noite e serões de embalar,
Violinos que tocam afinados,
Sonhos acordados…
Pele como a seda fina,
Cara de sempre menina.
Cedro no ermo sobranceiro,
Areias de um mar solteiro.
Tuas confissões sentidas,
Areias do mar movidas,
Noites mal dormidas,
Areias queridas.
O mar nos envolveu,
A lua se transcendeu,
Areias finas para nelas caminhar,
Portas abertas de um só olhar…
Victor Marques
A saudade é tua
Na eternidade perene da vida,
No uivar do lobo vadio,
No teu olhar esguio,
Na sensibilidade meiga,
Na pradaria vestida,
Na esperança sentida,
Na gente plebeia,
Na tua teia.
No amor que anseia,
Na beleza, na sereia…
Planície que se estende,
Saudade não entende,
Canto que é canto,
Lamento mais lamento,
Água de uma mina,
Primavera genuína,
Telhas vermelhas num céu por descobrir,
Saudade tua do meu sentir.
Victor Marques
Dignidade humana
Pensamento sincero e celeste,
Verde do acipreste,
Gosto pela seara verdejante,
Caminhar sempre para a frente.
Pensamento desigual e com sentido,
Verão com primavera em flor,
Correr sem andar fugido,
Paciente doente e sem dor.
Pensamento e liberdade que aprisiona,
Verde da bela azeitona,
Sustentar a leveza com regra,
Educar a saudade que nos cega.
Pensamento sem ultraje, com emoção,
Dignidade do ser irmão,
Perceber a realidade que engana,
Pobreza na dignidade humana.
Victor Marques
O AMOR DE JESUS
Nos corredores do paraíso,
Nas ondas e no vento,
No meu pensamento,
No amor sereno e sem abrigo,
No colar desprotegido,
Nas ilhas de outrora,
No amor de Jesus que sempre ora…
No azul do céu transparente,
No futuro e no presente,
Nos pássaros, nos rios e mar,
Nas formas belas do luar,
No lusco-fusco, na madrugada,
Na veleidade, nos canaviais,
No amor de nossos pais.
Nos lagos adormecidos,
Nos sonhos vividos,
No amor, na compaixão,
No pobre, no bom ladrão.
Existe um amor eterno que me conduz,
O amor do BOM JESUS…
Victor Marques
Videira Madura
Videira que a seca não abalou,
Coração meu que por ela chorou,
Bagos verdes com odores,
Videira e seus amores…
Videira embriagada no terreno duriense,
Sol quente que te bate no rosto,
Vento leve do mês de Agosto,
Xisto o teu confidente.
Videira sem repouso que merece,
A uva madura também apodrece,
Ressuscita, ao seu podador dá carinho,
Videira madura, o melhor vinho.
Victor Marques
Pétalas são berço para te embalar
Lindas flores com eternos odores,
Escrita em prosa e verso,
Amor dado em excesso,
Pétala no chão para teus amores.
Rebanhos sem dono,
As pétalas muitos vaidosas,
Jardins com cheiro do medronho,
Pétalas roxas e cheirosas.
Conchas e seus colares,
Pétalas para namorares,
Campos de pedras seculares,
Rosas de muitos altares.
Victor Marques
Sentimento nobre que tu conquistas
Devaneios que não consigo ler,
Sonhos e palavras nunca ditas,
Rebeldia de meu ser,
Nobre sentimento que conquistas.
Cabelos de castanho natural,
Teu olhar doce e terno,
Boca esbelta sem igual,
Amor sem engano.
Sentir teu peito,
Tempestade que desapareceu,
A lua te enlouquece,
Amor sereno e perfeito.
Victor Marques
Sentimento multicolor
Na esperança do insólito, sentimento multicolor…
Deixar falar palavras inertes com amor,
No caminho seguidores fiéis,
Pedras preciosas e anéis,
Montanhas esverdeadas cogitam,
O inesperado e deslumbrante acontece…
Victor Marques
Os Nossos sonhos e o amor que existe em nós
Os nossos sonhos são elos, alegria, tristeza,
Vagueiam sem cultos e com beleza,
O céu meu refúgio espiritual,
Descanso eterno e fatal.
A vida madrasta do que é perfeito,
Sonhar deitado no nosso leito,
Perdem-se com os dias, desvanecem,
Renascem com o amor que os adormece.
Sonhar alto com amor sem sentido,
Sonhar acordado, vestido, despido.
Tocar os vidros da janela que abriste,
Sonho velho que já partiste…
Victor Marques
O beijo
Um beijo doce, molhado,
Dado na noite do sentimento.
Odor sem neblina e vento,
Fustigam meu pensamento,
Beijo sem apelo nem agravo!
Beijo com o cheiro das rosas,
Toca nos seios das musas,
Trilhos de caminhadas confusas,
Beijo polar em terras lusas.
Beijo pedido a preceito,
Peito meu juntou teu peito,
Sensações de um amor eleito,
Beijo dado de qualquer jeito.
Beijo incompleto na farsa da vida,
Sentir-te mulher experiente,
Dar um beijo já ausente,
Beijo de uma saudade vivida.
Victor Marques
Argumentos que encaixam num turbilhão
Sentimentos que se juntam no átrio ao luar,
Mão tuas e de mais ninguém,
Veleiros de outrora, do além,
Sorriso multicolor que tu tens…
Deixa-me embebedar em tudo que acredito,
Queres o céu perdido no infinito.
Caminhas vagarosa e calma,
Melodia que sacia tua alma.
Sensatez e furor que cessam,
Ruído de amor e paixão,
Argumentos de um turbilhão,
Estrelas que a ti confessam…
Victor Marques
